O mini-documentário musical “Fêmina – A Natureza Feminina da Ilha de Itaparica”, criado pelo duo Barù, composto pelos cantores e compositores João Acácia e Mayra Couto, estreia nesta sexta-feira (06/09/2024). O projeto apresenta uma narrativa que combina música ao vivo, depoimentos, entrevistas, manifestos e poemas para revelar a conexão entre a natureza e a resistência cotidiana de quatro mulheres itaparicanas. Com quatro canções autorais, o documentário está disponível no canal do YouTube da banda, promovendo um diálogo entre a cultura afro-brasileira e a luta histórica das personagens representadas.
Personagens e simbolismos
Cada uma das quatro protagonistas de “Fêmina” é associada a um elemento da natureza – Fogo, Terra, Água e Ar – que simboliza suas trajetórias e lutas. Maria Felipa, heroína da independência da Bahia, é retratada através da atriz e professora Cláudia Souza, representando o elemento Fogo. Magé Rivia Tupinambá, liderança indígena em Camaçari, é associada à Terra, refletindo sua luta pela preservação de seu território e cultura. Cida da Silva, marisqueira que encontrou sustento e liberdade no mar, representa a Água. Eliana Falayo, egbome do terreiro Ilê Agboulá, está ligada ao Ar, destacando a espiritualidade e a interconexão entre seres humanos e a natureza. As locações para as filmagens incluem a Praia do Forte, a Reserva dos Caboclos, a Marina de Itaparica e o bairro Alto da Bela Vista, cada uma escolhida por sua relevância para a narrativa dos elementos.
Conceitos musicais e culturais
A sonoridade do documentário é caracterizada por uma fusão de beats eletrônicos e ritmos afro-brasileiros, classificando-se como parte da Nova Música Popular Brasileira. Além dos vocais de Mayra Couto e da guitarra de João Acácia, as percussionistas Lalá Evangelista e Dedê Fatuma contribuíram com os arranjos musicais, enriquecendo a textura sonora do projeto. “Fêmina” é o segundo de uma trilogia de projetos desenvolvidos por Barù, sucedendo o single “Orixá é Ouro”, lançado em julho em Salvador. Este trabalho busca continuar expandindo a representação da cultura afro-indígena através de suas produções.
A visão dos criadores sobre o projeto
Mayra Couto enfatiza que o documentário visa oferecer uma nova perspectiva sobre a Ilha de Itaparica, indo além das suas paisagens naturais para ressaltar a importância das mulheres que têm atuado como líderes em diversas iniciativas sociais e culturais, muitas vezes sem o devido reconhecimento. Para João Acácia, envolver-se em produções ligadas ao feminino é uma forma de questionar e confrontar as construções sociais do patriarcado, especialmente a partir de sua posição como homem negro cisgênero. O duo Barù, formado em 2020, já alcançou reconhecimento com prêmios de direção de arte e músicas finalistas em festivais, e continua a explorar temas de ecologia, decolonialidade e a valorização dos povos originários.
Contribuições de Barù para a música e cultura baiana
Desde sua criação, o projeto Barù vem se destacando por sua abordagem inovadora e comprometida com temas sociais e culturais. Em 2021, o duo conquistou o prêmio de Melhor Direção de Arte com o clipe ‘Visual Mergulho’ no Festival Nacional CawCine e teve a canção ‘Colo do Mundo’ como finalista no Festival de Música Rádio MEC. Em 2022, o duo foi selecionado pelo programa ‘Acelera Iaô’, da Fábrica Cultural, iniciativa então liderada por Margareth Menezes, atual ministra da Cultura. Barù está disponível no Instagram como @baru.somos, onde compartilham atualizações sobre seus projetos e envolvimentos na cena musical.


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