Entenda o esquema de corrupção envolvendo juízes no sul da Bahia no contexto da Operação Descobrimento ocorrido na Comarca de Porto Seguro

Investigação revela corrupção entre juízes e promotores que atuam na Comarca de Paulo Afonso.
Três magistrados foram afastados sob suspeita de participação em um esquema de grilagem de terras, venda de sentenças e agiotagem em Porto Seguro. As investigações apontam para irregularidades graves relacionadas a transações imobiliárias na região.

O sul da Bahia, famoso por suas praias paradisíacas, se tornou o cenário de uma investigação que abala as estruturas do judiciário local. Três juízes foram afastados de suas funções devido a suspeitas de envolvimento em um esquema de grilagem de terras, venda de sentenças e agiotagem. A operação foi deflagrada após denúncias de que esses magistrados estariam utilizando sua posição para realizar transações fraudulentas de imóveis em áreas valiosas da região de Porto Seguro e os fatos foram informados pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e reportados em 25 de agosto de 2024 pelo programa Fantástico, veiculado na Rede Globo.

Segundo o Ministério Público, os juízes afastados são Fernando Machado Paropat, titular da 1ª Vara Cível da Comarca de Porto Seguro; André Marcelo Strogenski, da 1ª Vara Criminal; e Rogério Barbosa de Sousa e Silva, da Vara da Infância e Juventude e Execução de Medidas Socioeducativas. Segundo as investigações, o grupo emitia documentos fraudulentos que os colocavam como proprietários de terras já registradas por outras pessoas. A fiscalização, que deveria impedir tais irregularidades, era negligenciada devido ao envolvimento direto de um dos juízes com o cartório responsável pelos registros.

A “Liga da Justiça”: Esquema e beneficiados

Denominado “Liga da Justiça”, o grupo se apropriou de mais de 100 matrículas de casas e terrenos na região, onde estão em andamento obras de condomínios de luxo. Essas áreas são localizadas em uma das mais cobiçadas faixas litorâneas do Brasil, atraindo atenção tanto de investidores quanto de turistas internacionais.

Além dos juízes, a investigação aponta a participação de um promotor, empresários e advogados. Entre os suspeitos, destaca-se a figura de um secretário municipal, todos relacionados à facilitação e participação nas transações fraudulentas. O esquema permitia que os envolvidos lucrassem com a valorização artificial e ilícita dos imóveis.

Defesas e alegações dos investigados

Os magistrados investigados, por meio de suas defesas, negam qualquer envolvimento nos crimes apontados. A defesa de Fernando Machado Paropat afirmou no Fantástico que as informações divulgadas são prematuras e baseadas em especulações infundadas. Já a defesa de Rogério Barbosa sustenta que o afastamento do juiz não tem relação com sua atuação na magistratura, negando qualquer envolvimento em processos de grilagem ou agiotagem. Da mesma forma, a advogada de Henrique Daumas Nolasco, outro nome citado nas investigações, assegurou que seu cliente não praticou atos ilícitos e cooperou como testemunha na apuração dos fatos.

A Operação Descobrimento: Investigações sobre agiotagem e corrupção

A Operação Descobrimento, uma das frentes mais visíveis da investigação, foi deflagrada pelo Ministério Público da Bahia em conjunto com forças policiais, como a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar. A operação ganhou notoriedade ao executar, no dia 16 de agosto de 2024, mandados de busca e apreensão nas residências de um juiz e de um empresário em Porto Seguro. Ambos são investigados por participação em crimes de agiotagem.

As investigações revelaram que os envolvidos estariam realizando empréstimos a juros acima do permitido legalmente, com o magistrado atuando como credor através de um intermediário empresarial. Os beneficiários desses empréstimos entregavam cheques como garantia, que eram mantidos pelo empresário até o pagamento completo da dívida. Essa rede de agiotagem, além de violar as normas legais, reforçava as ligações criminosas entre o judiciário local e empresários da região.

As informações que subsidiaram a operação partiram da Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça da Bahia, que encaminhou ao Ministério Público detalhes de condutas suspeitas observadas na comarca de Porto Seguro. O cumprimento dos mandados é apenas o início de uma apuração mais ampla que visa desmantelar as atividades ilícitas que envolvem tanto magistrados quanto agentes econômicos locais.

Repercussões e próximos passos

As repercussões do caso são amplas, tanto na esfera judicial quanto no meio político da região. Afastados de seus cargos, os magistrados aguardam o desenrolar das investigações que podem culminar em processos administrativos e criminais. O Ministério Público continua a aprofundar as investigações, em busca de mais provas que sustentem as acusações.

A expectativa é de que novas fases da operação revelem mais detalhes sobre a rede de corrupção. A população local e autoridades de diversas esferas acompanham de perto o caso, que expõe fragilidades nos mecanismos de controle do judiciário e no sistema de registros de imóveis.

Confira reportagem do Fantástico

Entenda o esquema de corrupção dos juízes investigados por agiotagem, venda de sentenças e grilagem de terras no sul da Bahia

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