O setor automotivo brasileiro vive uma situação de contrastes em 2024, com a produção interna em expansão e uma queda expressiva nas exportações. De acordo com dados do boletim da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) referente ao período de janeiro a agosto de 2024, enquanto o mercado interno mostrou sinais de recuperação e aumento na demanda, o cenário externo trouxe desafios para as montadoras. A produção de veículos registrou um aumento de 6,6% no acumulado de janeiro a agosto de 2024, totalizando 1,64 milhão de unidades, enquanto as exportações caíram 17,9%, atingindo 242,6 mil unidades, em comparação às 295,5 mil exportadas no mesmo período de 2023.
Este declínio nas exportações é atribuído, em grande parte, à retração nos mercados sul-americanos, tradicionalmente importantes para a indústria automotiva brasileira, como Argentina e México. A desaceleração econômica nesses países, agravada por instabilidades políticas e flutuações cambiais, reduziu a demanda por veículos exportados do Brasil. Em contrapartida, a produção nacional de veículos leves, que inclui automóveis e comerciais leves, somou 1,53 milhão de unidades, um aumento de 6,1% em relação ao ano anterior. No segmento de veículos pesados, o destaque ficou para os caminhões, cuja produção registrou um crescimento de 14,4%, e os ônibus, com uma expansão expressiva de 64,7% no período analisado.
Além disso, o licenciamento de novos veículos no Brasil também apresentou crescimento, refletindo o aquecimento da economia doméstica. No acumulado de janeiro a agosto de 2024, foram licenciados 1,62 milhão de veículos, um aumento de 14,3% em comparação ao mesmo período de 2023. Entretanto, o mês de agosto de 2024 registrou uma leve queda de 1,6% nas vendas em relação ao mesmo mês do ano anterior, sugerindo uma possível estabilização após meses de crescimento consecutivo.
O valor das exportações também foi impactado pela queda no volume exportado. O faturamento gerado com a venda de veículos para o exterior somou US$ 6,78 bilhões até agosto de 2024, uma queda de 13% em comparação aos US$ 7,79 bilhões registrados em 2023. A variação cambial e a desaceleração da economia global são fatores que também influenciaram negativamente o desempenho das exportações brasileiras no setor.
Outro aspecto relevante é a evolução do mercado de veículos comerciais pesados, com destaque para o crescimento das vendas internas e da produção de caminhões e ônibus. O aumento na produção desses veículos reflete tanto a demanda do setor agrícola, que necessita de maior capacidade logística, quanto a retomada dos investimentos em infraestrutura, que impulsionam a necessidade de renovação de frotas.
No campo tecnológico, as montadoras também estão se adaptando às novas demandas por veículos mais eficientes e sustentáveis. O licenciamento de veículos híbridos e elétricos vem ganhando espaço no Brasil, ainda que representem uma fatia menor do mercado total. O crescimento da oferta e da procura por esses modelos segue uma tendência mundial de transição para tecnologias de baixo carbono. As montadoras brasileiras, em consonância com as regulamentações ambientais e as metas de sustentabilidade globais, têm investido em inovação para atender à crescente demanda por veículos mais ecológicos.
Os dados Anfavea revelam que, embora os números do mercado interno sejam positivos, o cenário macroeconômico brasileiro e mundial deve ser observado com cautela. A alta dos juros no Brasil e em outras economias relevantes impacta diretamente o crédito ao consumidor e as condições de financiamento, fatores essenciais para a expansão das vendas no setor automotivo. Com o aumento dos custos de produção, influenciados pela inflação global e pela variação dos preços de matérias-primas, as montadoras enfrentam desafios adicionais para manter a competitividade dos veículos produzidos no Brasil, tanto no mercado interno quanto no externo.
A perspectiva para o restante de 2024 é de continuidade no crescimento da produção nacional, com uma possível estabilização nas exportações, à medida que os mercados externos, especialmente os vizinhos latino-americanos, começam a se recuperar. No entanto, os desafios impostos pelo ambiente econômico global e as incertezas sobre a política monetária interna sugerem que o setor automotivo deverá manter uma postura cautelosa e adaptativa para garantir resultados positivos em um cenário dinâmico e incerto.
Anfavea alerta para impacto de estoques elevados de carros chineses no mercado automotivo brasileiro
Em entrevista ao Poder360, a Anfavea demonstrou preocupação com o estoque elevado de carros elétricos e híbridos chineses no Brasil, que chega a 80 mil unidades. Segundo Márcio Leite, presidente da Anfavea, a antecipação de importações antes do aumento das alíquotas de impostos pode desestabilizar o mercado automotivo, impactando a venda de novos modelos e seminovos. A associação defende o aumento mais rápido das alíquotas para evitar o excesso de importações.
A retomada das taxas de importação, que gradualmente chegarão a 35%, coincide com a expansão de fábricas de montadoras chinesas no Brasil. Márcio destacou que, embora as vendas de carros eletrificados estejam crescendo, o Brasil deve focar em biocombustíveis como uma solução sustentável, diferente do domínio dos elétricos na Europa.
Além disso, a Anfavea apoia a reforma tributária, considerando-a positiva para as exportações, mas busca a exclusão dos automóveis do imposto seletivo, pois a inclusão dessa categoria pode dificultar a renovação da frota e a descarbonização. A crise energética também está sendo monitorada, embora ainda seja cedo para avaliar os impactos no setor.
Principais dados do Setor Automotivo Brasileiro de janeiro a agosto de 2024
1. Produção:
- Crescimento total da produção: 6,6% no acumulado de janeiro a agosto.
- Veículos produzidos: 1,64 milhão de unidades.
- Veículos leves: 1,53 milhão de unidades (+6,1%).
- Caminhões: aumento de 14,4%.
- Ônibus: aumento expressivo de 64,7%.
2. Licenciamento:
- Crescimento no licenciamento total: 14,3%.
- Veículos licenciados: 1,62 milhão de unidades até agosto.
- Licenciamento em agosto de 2024 (comparado a agosto de 2023): queda de -1,6%.
3. Exportações:
- Queda nas exportações de veículos montados: -17,9%.
- Veículos exportados: 242,6 mil unidades (comparado a 295,5 mil em 2023).
- Faturamento com exportações: US$ 6,78 bilhões (-13% em relação a 2023).
4. Principais Mercados Externos:
- Desaceleração nos mercados da Argentina e México.
- Retração econômica nos países sul-americanos impactando as exportações.
5. Segmentos em Destaque:
- Veículos pesados: crescimento expressivo na produção e licenciamento.
- Veículos elétricos e híbridos: aumento na oferta e procura, mas ainda representando pequena parcela do mercado.
6. Fatores Econômicos:
- Influência da política monetária (alta dos juros) nas condições de financiamento.
- Aumento nos custos de produção devido à inflação e à variação dos preços de matérias-primas.
7. Perspectivas:
- Continuidade no crescimento da produção nacional até o final de 2024.
- Possível estabilização nas exportações com a recuperação dos mercados externos.
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