Deputados Federais do PT da Bahia apoiam PEC para extinguir escala de trabalho 6×1 no Brasil

Parlamentares baianos do PT apoiam iniciativa que propõe mudanças no regime de trabalho 6x1, considerada essencial para melhorar condições da classe trabalhadora.
Parlamentares baianos do PT apoiam iniciativa que propõe mudanças no regime de trabalho 6x1, considerada essencial para melhorar condições da classe trabalhadora.

Os deputados federais do Partido dos Trabalhadores (PT) da Bahia se uniram, nesta segunda semana de novembro de 2024, em apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa abolir a escala de trabalho 6×1 para a classe trabalhadora no Brasil. Todos os parlamentares da bancada do PT na Câmara dos Deputados em Brasília assinaram a proposta, defendendo a alteração do modelo de jornada como uma medida necessária para melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros. Atualmente, a PEC já conta com o apoio de 134 parlamentares e ainda necessita de mais 171 assinaturas para iniciar sua tramitação formal na Câmara.

A proposta foi apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e tem ganhado adesão em diversas bancadas, incluindo a totalidade dos deputados petistas baianos: Elisangela Araújo, Ivoneide Caetano, Jorge Solla, Joseildo Ramos, Josias Gomes, Valmir Assunção e Waldenor Pereira. Segundo os parlamentares, o fim do regime de seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso reduziria a sobrecarga física e mental dos trabalhadores e abriria caminho para uma reorganização da jornada que respeite as necessidades e os direitos dos trabalhadores.

Os deputados do PT argumentam que o modelo atual, além de impor uma carga de trabalho intensa, impede uma recuperação adequada da saúde física e mental do trabalhador. Eles afirmam que o fim da escala 6×1 seria um passo importante para proporcionar melhores condições de trabalho, aumentando a produtividade e o bem-estar da classe trabalhadora. Segundo o grupo, a medida também traria benefícios indiretos ao mercado de trabalho, ampliando as oportunidades para trabalhadores fora do mercado, já que uma eventual redistribuição de jornadas permitiria a abertura de novas vagas.

Os apoiadores da proposta no PT ressaltam que a luta pela revisão do regime 6×1 é uma reivindicação legítima e antiga da classe trabalhadora e que sua aprovação representaria um avanço para os direitos dos trabalhadores no país. De acordo com a bancada, além das questões de produtividade, a mudança contribuiria para uma melhoria na saúde mental dos trabalhadores, atendendo a uma demanda crescente no Brasil. A PEC segue em busca de novas adesões para que possa iniciar sua análise nas comissões legislativas.

PT e PSOL defendem redução da Jornada de Trabalho  

A luta pela redução da jornada de trabalho no Brasil, historicamente defendida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) desde a Assembleia Constituinte de 1987, ganha novo impulso com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A PEC visa extinguir a escala de trabalho 6×1 – na qual o trabalhador cumpre seis dias consecutivos para ter uma folga – e instituir uma semana de quatro dias, com carga horária semanal de 36 horas, sem redução salarial. A proposta já recebeu 134 assinaturas das 171 necessárias para tramitar na Câmara dos Deputados.

O debate sobre a jornada reduzida conta com apoio de diversos parlamentares do PT, entre eles Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da medida desde sua proposta inicial, há quase uma década. Além de Paim, deputados como Reginaldo Lopes (PT-MG) e senadores como Augusta Brito (PT-CE) e Fabiano Contarato (PT-ES) manifestaram publicamente seu apoio, ressaltando os potenciais benefícios sociais e econômicos da medida.

“Uma jornada reduzida pode gerar novos empregos, melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e aumentar a produtividade”, afirma Lopes, cuja proposta para uma semana de cinco dias e 36 horas semanais tramita na Câmara.

A iniciativa de Erika Hilton surge em meio a um contexto global de experimentação com jornadas mais curtas. Países como Alemanha, Bélgica e Espanha têm adotado modelos de semanas reduzidas, reportando benefícios para a saúde dos trabalhadores e aumento da eficiência. No Brasil, uma experiência similar foi realizada entre janeiro e julho deste ano por 21 empresas, em parceria com o projeto 4 Day Week Global e a consultoria Reconnect Happiness at Work. Durante o piloto, empresas adotaram uma jornada de quatro dias sem reduzir salários, o que resultou em melhorias significativas na produtividade, redução de estresse e aumento da receita para 72% das empresas participantes.

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) destaca a importância de se unirem esforços para consolidar a mudança:

“A jornada 6×1 é desumana. Os trabalhadores precisam de uma qualidade de vida que vá além das obrigações laborais”, defende.

Para a deputada Augusta Brito, a questão é ainda mais crítica para as mulheres, que enfrentam uma “dupla jornada”, com compromissos de trabalho e responsabilidades domésticas.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) ressalta que é hora de atualizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para atender melhor os interesses da classe trabalhadora, afirmando que “tempo não é dinheiro, mas sim o tecido da vida”.

A proposta avança em um cenário de resistência por parte de parlamentares de orientação bolsonarista e enfrenta barreiras institucionais, como a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC), presidida pela deputada Caroline di Toni (PL-SC), alinhada com a oposição à redução de jornada. Mesmo com esses desafios, a proposta tem recebido forte apoio popular, inclusive nas redes sociais, e espera-se que atinja as assinaturas necessárias para iniciar a tramitação ainda este ano.


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