Donald Trump, 78 anos, foi eleito presidente dos Estados Unidos nesta quarta-feira (06/11/2024), retornando ao poder quatro anos após ser derrotado nas eleições de 2020. A Edison Research projetou sua vitória ao alcançar os 279 votos no Colégio Eleitoral, ultrapassando o limite necessário de 270 votos. Trump superou a candidata democrata Kamala Harris, após conquistar o estado decisivo de Wisconsin, além de uma vantagem expressiva de cinco milhões de votos na contagem popular. A eleição é marcada por uma intensa polarização e expectativas sobre o impacto de seu segundo mandato nas instituições democráticas americanas e nas relações internacionais.
A Campanha e a Base de Apoio
A candidatura de Trump foi impulsionada por uma plataforma voltada à economia, empregos e políticas migratórias. Segundo pesquisas da Reuters/Ipsos, a maioria dos eleitores considerou o emprego e a economia os temas mais urgentes, e muitos americanos expressaram descontentamento com o aumento dos preços, mesmo com recordes nos mercados de ações e baixo desemprego. Apoiadores de Trump incluíram eleitores de áreas rurais, brancos e sem diploma universitário, além de grupos tradicionalmente democratas, como hispânicos e famílias de baixa renda, atingidos pela inflação. Durante a campanha, ele reiterou a promessa de resolver essas questões e criticou a gestão econômica do governo anterior.
Implicações para o Cenário Político e Social
Com Trump, o Partido Republicano obteve a maioria no Senado, enquanto a Câmara dos Representantes permanece indefinida. Sua vitória deve ampliar as divisões internas, com posições firmes sobre temas como raça, gênero, educação e direitos reprodutivos. Trump também afirmou que pretende deportar imigrantes em situação irregular, reiterando sua intenção de tomar medidas rígidas contra a imigração, em um discurso que acentuou o sentimento anti-imigrante e polarizou ainda mais o eleitorado americano.
Legado Conturbado e Repercussões Jurídicas
Apesar dos baixos índices de aprovação, Trump sobreviveu a dois impeachments e quatro acusações criminais, incluindo acusações de fraude e abuso sexual. Ele se junta a Grover Cleveland como o segundo ex-presidente na história americana a retornar ao poder após deixar o cargo. Essa trajetória gerou debates intensos sobre a confiabilidade do sistema eleitoral e as limitações do poder executivo. Durante a campanha, o candidato foi alvo de duas tentativas de assassinato, atribuídas por ele à retórica acalorada de seus oponentes democratas, incluindo Harris.
Plano para o Governo: Mudanças na Estrutura do Poder Executivo
Trump declarou sua intenção de reestruturar o poder executivo, sugerindo demissões de servidores públicos que ele considera desleais e prometendo usar as agências de segurança para investigar opositores políticos. Em seu primeiro mandato, parte de suas demandas mais extremas foram contidas por membros do próprio gabinete, como o ex-vice-presidente Mike Pence, que recusou invalidar o resultado das eleições de 2020. Contudo, Trump sinalizou que priorizará a lealdade pessoal na nova equipe e planeja incluir figuras de destaque como Elon Musk e Robert F. Kennedy Jr. em sua administração.
Cenário Internacional e Políticas de Comércio e Segurança
O retorno de Trump à Casa Branca é esperado com preocupação por aliados e adversários internacionais, dadas suas promessas de endurecer a política comercial contra a China e reformular acordos com parceiros tradicionais dos EUA. A continuidade da guerra na Ucrânia também está entre os temas sensíveis, visto que Trump criticou o apoio americano a Kiev e se manifestou a favor de um acordo com Moscou. Economistas alertam que as propostas de Trump para reduzir impostos podem aumentar a dívida americana e gerar novos desafios econômicos, ampliando as incertezas sobre o impacto de sua liderança nas relações comerciais globais e nas políticas climáticas.
Desempenho de Harris e Repercussão no Partido Democrata
A campanha de Kamala Harris, que assumiu a candidatura após a desistência de Joe Biden, encontrou dificuldades em atrair eleitores suficientes para derrotar Trump. Harris tentou mobilizar a base democrata e ressaltar os riscos de um segundo mandato de Trump, acusando-o de buscar poder irrestrito. Em um esforço para conter o avanço republicano, Harris reuniu apoios significativos e investiu em alertas sobre as ameaças à democracia americana. Entretanto, segundo a Edison Research, cerca de três quartos dos eleitores consideraram que a democracia está ameaçada, evidenciando a divisão do eleitorado.
*Com informações da Agência Reuters.








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