G20 na Bahia: Carta de Salvador define diretrizes para políticas culturais e sustentáveis globais

Autoridades globais e representantes culturais se reúnem em Salvador para debater diretrizes da Carta da Bahia, documento que orientará políticas culturais e ambientais no cenário global.
Autoridades globais e representantes culturais se reúnem em Salvador para debater diretrizes da Carta da Bahia, documento que orientará políticas culturais e ambientais no cenário global.

Entre os dias 4 e 8 de novembro de 2024, Salvador, capital da Bahia, sediou a reunião do Grupo de Trabalho de Cultura do G20. O evento reuniu mais de 120 autoridades, incluindo ministros, secretários, representantes de organizações internacionais e delegações culturais de países-membros do G20, como Alemanha, Japão, Arábia Saudita e Índia. Esse encontro marcou a etapa final da presidência do Brasil no G20, que será transferida à África do Sul nas próximas semanas, e resultou na criação da Carta da Bahia, um documento com diretrizes para orientar políticas culturais e ambientais globais.

A Carta da Bahia: Conteúdo e Propósitos

O documento, intitulado Carta da Bahia, representa um esforço colaborativo entre os países-membros do G20 e foca em políticas culturais integradas a temas de sustentabilidade e regulamentação tecnológica. Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia, ressaltou a importância da carta ao tratar da relação entre cultura e meio ambiente, uso de tecnologias emergentes, como inteligência artificial, e preservação de patrimônios culturais nacionais. Segundo Rodrigues, a devolução de artefatos históricos como o manto sagrado dos Tupinambás exemplifica a relevância da preservação cultural e simboliza um avanço na valorização do patrimônio cultural global.

A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, destacou que a Carta da Bahia é fruto de um processo de articulação iniciado em 2023 e baseado nas diretrizes e valores de presidências anteriores do G20, como Arábia Saudita, Itália, Indonésia e Índia.

“Esse documento consagra valores, princípios e diretrizes construídos de forma colaborativa, reafirmando nosso compromisso com inclusão, participação social e acessibilidade para o pleno exercício dos direitos culturais,” disse Margareth Menezes, indicando que o compromisso com a Carta reflete o consenso de diversas nações sobre a importância da cultura na construção de uma sociedade global mais inclusiva.

Desafios Culturais e Sustentáveis Abordados pelo G20

Durante os quatro dias de evento, os representantes discutiram temas centrais para a cultura global, incluindo diversidade cultural, inclusão social, regulamentação das inteligências artificiais e direitos autorais. Estes tópicos foram abordados no contexto do Seminário Internacional Cultura e Mudanças Climáticas, realizado simultaneamente às reuniões técnicas e ministeriais. Os debates também abrangeram a proteção do patrimônio e da memória culturais, buscando alinhar práticas que incentivem a preservação das tradições nacionais no contexto global.

O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, ressaltou que o encontro revelou agendas e desafios comuns aos países do G20, como a necessidade de regulamentar o uso de inteligência artificial para proteger os direitos autorais e estimular a economia criativa.

“A carta destaca desafios globais, como a necessidade de proteção aos direitos dos autores e o fomento à economia criativa, que cresce significativamente em todo o mundo,” declarou Monteiro.

Segundo ele, a Bahia desempenhou um papel central ao sediar este evento e ao contribuir para um documento que busca avanços nas práticas culturais mundiais.

Encontro internacional reforça a importância cultural de Salvador

O prefeito Bruno Reis destacou que a realização do evento em Salvador simboliza um marco na valorização da cultura local e nacional, sublinhando a posição da capital baiana como referência cultural. Durante o encontro, que ocorreu no Centro de Convenções de Salvador, na Boca do Rio, o prefeito reforçou a importância dos investimentos direcionados à preservação do patrimônio cultural e às iniciativas para fortalecimento do turismo e da economia criativa.

Investimentos em Patrimônio e Infraestrutura Cultural

Bruno Reis ressaltou que Salvador investiu mais de 300 milhões de dólares na restauração de prédios históricos como o Mercado Modelo e o Elevador Lacerda, além de ter implementado mais de 10 novos equipamentos culturais. O gestor destacou que esses investimentos impulsionam o turismo e geram impacto econômico, fortalecendo o mercado de trabalho local e promovendo a geração de renda.

“Somos a capital afro das Américas e esses investimentos representam o compromisso com o nosso patrimônio e com o desenvolvimento de Salvador como polo cultural e econômico,” afirmou o prefeito.

Além dos investimentos em infraestrutura, a Prefeitura de Salvador reforçou seu apoio ao setor cultural através de recursos adicionais em editais federais, como os oriundos das leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, dobrando os valores destinados à cultura em comparação com outras cidades. “Somos a única cidade do Brasil que iguala o montante dos recursos federais com recursos próprios. Esse esforço se reflete em diversas iniciativas culturais que apoiam os profissionais do setor,” acrescentou Bruno Reis.

Expansão de Espaços para Fomento à Cultura e à Economia Criativa

A prefeitura de Salvador também estruturou novos equipamentos públicos dedicados ao desenvolvimento da economia criativa e cultural. Exemplos incluem o Polo de Economia Criativa, conhecido como Doca 1, que oferece capacitação em áreas como moda, gastronomia e audiovisual, e a Cidade da Música, um espaço dedicado à criação musical. Estes projetos buscam proporcionar aos artistas e profissionais locais condições de aprimorar suas habilidades e ampliar sua produção cultural. O prefeito também mencionou a construção da Escola de Música e Artes e da Sala de Espetáculos Letieres Leite, que estão programadas para inauguração até meados do próximo ano.

Salvador e a Sustentabilidade Cultural no G20

A vice-prefeita Ana Paula Matos e o secretário de Cultura e Turismo, Pedro Tourinho, também participaram do encontro. Em discurso, Ana Paula Matos destacou que a cultura é entendida como um componente essencial da sustentabilidade, abarcando tanto dimensões sociais quanto ambientais. Ela enfatizou que a cultura de Salvador deve ser fortalecida com base na ancestralidade e na inclusão social, possibilitando que os profissionais do setor possam atuar em todas as esferas e em diversas linguagens culturais, garantindo sustento e promovendo o reconhecimento da cultura baiana em âmbito global.

Cooperação Internacional e Consenso entre Nações

Durante a reunião, ministros e autoridades culturais do G20 aprovaram um documento com recomendações voltadas para a diversidade cultural, inclusão social, direitos autorais, economia criativa, sustentabilidade e preservação do patrimônio cultural. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, reforçou a importância da cooperação internacional para definir ações conjuntas.

“A cultura é uma ferramenta para promover diálogo e entendimento, permitindo, na diversidade, a construção de estratégias comuns para o desenvolvimento,” afirmou Menezes.

Este documento será apresentado na Reunião de Líderes do G20, que ocorrerá no Rio de Janeiro nos dias 18 e 19 de novembro, onde as medidas discutidas poderão ser adotadas formalmente pelos países-membros.

Concerto “Sinfonia Terra Brasilis” encerra agenda cultural do G20 em Salvador com celebração à diversidade brasileira

O concerto “Sinfonia Terra Brasilis” marcou o encerramento das atividades culturais do Grupo de Trabalho de Cultura do G20 em Salvador, de 4 a 8 de novembro. Realizado pela Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, o evento, regido pelo maestro Carlos Prazeres, reuniu artistas de renome, como Daniela Mercury, Gaby Amarantos, Kleiton & Kledir, Mart’nália e BaianaSystem. A apresentação celebrou a diversidade cultural brasileira e teve um propósito social, incentivando o público a doar alimentos em parceria com o programa Bahia Sem Fome.

A importância do evento foi destacada por figuras públicas, como o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, que reforçou o papel de Salvador no cenário cultural internacional e destacou a Bahia como referência em diversidade e inclusão. Rodrigues também apontou o simbolismo do evento, que culminará com a apresentação da Carta da Bahia na próxima reunião do G20, no Rio de Janeiro, onde serão discutidas políticas culturais globais com foco em inclusão e sustentabilidade.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a relevância da Bahia como sede do evento e o papel da arte como ferramenta para a justiça social. Menezes enfatizou que a cultura é essencial para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e inclusiva e que o evento reflete a capacidade da Bahia de preservar seu patrimônio cultural enquanto promove transformações sociais.

Durante o espetáculo, que contou com apresentações individuais e uma performance final conjunta dos artistas convidados, a unidade cultural brasileira foi reforçada, e a importância de políticas culturais para consolidar a identidade nacional foi ressaltada. Com essa celebração, Salvador encerrou a série de debates do G20 sobre cultura, focados na inclusão e diversidade, que resultaram na criação da Carta da Bahia. O documento propõe diretrizes para políticas culturais globais e destaca a necessidade de proteger a diversidade cultural e promover a inclusão social por meio da arte, um marco nas discussões do G20 sobre o papel da cultura no desenvolvimento sustentável.

Representantes dos países membros do G20 destacaram a relevância do evento como um ponto de convergência para o fortalecimento de políticas culturais adaptadas às realidades locais e que promovem a cooperação internacional. Salvador foi reconhecida não apenas como um local de celebração cultural, mas também como um espaço de reflexão sobre o papel da cultura na construção de sociedades mais justas e inclusivas. A Carta da Bahia, assim, simboliza um compromisso renovado com a diversidade cultural e a justiça social no cenário global.

Um Processo Contínuo de Cooperação Cultural

O Grupo de Trabalho de Cultura do G20 foi criado em 2021, na Itália, como um fórum para discutir o papel da cultura no desenvolvimento social e econômico. Desde então, o grupo realizou encontros anuais na Indonésia, Índia e, recentemente, no Brasil. Em novembro, o Rio de Janeiro sediará a Cúpula de Líderes do G20, entre os dias 18 e 19 de novembro de 2024, onde os chefes de Estado e de Governo discutirão os acordos negociados ao longo do ano sob a presidência brasileira e concluirão as atividades coordenadas pelo Brasil.

A cúpula marca um passo importante para o fomento de políticas culturais e ambientais, orientando os próximos passos das nações participantes no cenário global de interdependência. Com a entrega da Carta da Bahia, a presidência brasileira encerra seu ciclo com a proposta de um compromisso duradouro em prol da sustentabilidade e do fortalecimento da cultura global.

O G20 e a Cultura Global

Composto por 19 países e dois órgãos regionais (União Africana e União Europeia), o G20 inclui nações como África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia.

No encontro em Salvador, os representantes discutiram a importância da cultura no contexto econômico e social, promovendo políticas que integram cultura e sustentabilidade, que agora compõem a Carta da Bahia. Esse documento simboliza um avanço no reconhecimento da cultura como ferramenta estratégica para o desenvolvimento sustentável e o diálogo entre as nações.

1. Contexto do Evento

  • Local: Centro de Convenções da Bahia, Salvador, Brasil
  • Data: 4 a 8 de novembro de 2024
  • Participantes: Ministros da Cultura e autoridades das 20 maiores economias do mundo e mais de 120 autoridades.

2. Documento Gerado

  • Nome: Carta da Bahia
  • Objetivo: Definir diretrizes para políticas culturais e sustentáveis globais
  • Entrega: A Carta foi formalmente entregue aos líderes do G20

3. Temas Abordados na Carta da Bahia

  • Cultura e Meio Ambiente
  • Inteligência Artificial e Direitos Autorais
  • Inclusão Social e Acessibilidade
  • Economia Criativa e Desenvolvimento Sustentável
  • Preservação de Patrimônios e Memória Cultural

4. Investimentos em Cultura e Patrimônio

  • Valor Investido: Mais de 300 milhões de dólares
  • Principais Projetos: Restauração do Mercado Modelo e Elevador Lacerda, implementação de novos espaços culturais (Doca 1, Cidade da Música)
  • Recursos Complementares: Dobro de verbas destinadas pela prefeitura através de leis federais (Aldir Blanc e Paulo Gustavo)

5. Principais Iniciativas

  • Novos Equipamentos: Doca 1 (Polo de Economia Criativa), Cidade da Música
  • Futuras Inaugurações: Escola de Música e Artes e Sala de Espetáculos Letieres Leite
  • Temas do Documento do G20: Diversidade Cultural, Direitos Autorais, Economia Criativa, Desenvolvimento Sustentável, Patrimônio Cultural

6. Próximos Passos do G20

  • Reunião de Líderes do G20: 18 e 19 de novembro de 2024 no Rio de Janeiro
  • Documento: Apresentação das recomendações do Grupo de Cultura para adoção pelos líderes do G20
  • Transferência da presidência para a África do Sul nas próximas semanas
  • Cúpula de Líderes do G20 em 18 e 19 de novembro no Rio de Janeiro
Salvador recebe encontro do G20 e se firma como referência cultural, com autoridades e ministros das maiores economias debatendo preservação patrimonial, turismo e economia criativa, diz prefeito Bruno Reis.
Salvador recebe encontro do G20 e se firma como referência cultural, com autoridades e ministros das maiores economias debatendo preservação patrimonial, turismo e economia criativa, diz prefeito Bruno Reis.

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