Em relatório publicado nesta quinta-feira (14/11/2024), a organização Human Rights Watch (HRW) acusa o exército de Israel de cometer crimes de guerra e realizar uma suposta “limpeza étnica” na Faixa de Gaza. A denúncia refere-se às ordens repetidas de evacuação emitidas pelas forças israelenses, resultando no deslocamento em massa de palestinos. A ONG alega que estas ações se assemelham a uma tentativa de desocupação permanente de determinadas áreas.
Baseado em entrevistas com moradores de Gaza, imagens de satélite e dados públicos, o relatório documenta a “transferência forçada” de civis como prática continuada em certas áreas. Segundo a pesquisadora da HRW, Nadia Hardman, Israel teria a obrigação de justificar, em cada caso, a necessidade militar de tais deslocamentos, conforme as exigências do direito humanitário internacional. A HRW ainda afirma que a criação de áreas inabitáveis em Gaza, segundo seu porta-voz Ahmed Benchemsi, pode ser vista como uma forma de limpeza étnica, visando tornar permanente o esvaziamento do território.
Em resposta, Israel justifica as evacuações como medidas de proteção aos civis, permitindo que se afastem das áreas de conflito militar. Israel defende que a presença de grupos armados palestinos justifica as operações militares, que incluem bombardeios e criação de zonas de segurança.
A ONU estima que, até outubro, aproximadamente 1,9 milhões de palestinos foram deslocados devido à intensificação do conflito. A população inicial de Gaza era de cerca de 2,4 milhões. Segundo o relatório da HRW, a estratégia de Israel inclui a criação de zonas tampão, como os corredores Neztarim e Filadélfia, onde a demolição de construções e a remoção de habitantes têm sido relatadas. Estas áreas, estabelecidas pelo exército israelense, abrangem grande extensão e, segundo a ONG, visam impedir a movimentação de grupos palestinos.
A ofensiva, que já dura mais de um mês, provocou novos deslocamentos, especialmente nas áreas ao norte da Faixa de Gaza. Segundo Louise Wateridge, da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), a operação resultou na migração de milhares de pessoas para a Cidade de Gaza e áreas próximas.
O relato de Imam Hamad, um morador de Beit Hanoun, reflete o impacto contínuo das evacuações: “Antes eu pensava que eles queriam nos mudar, agora percebo que eles querem nos matar,” afirmou em entrevista à AFP. A declaração de Hamad e o aumento das denúncias de limpeza étnica chamam atenção para a gravidade do conflito.
O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, também utilizou o termo “limpeza étnica” em relação ao conflito na segunda-feira (11). Enquanto Israel mantém a posição de que as operações visam impedir o reagrupamento do Hamas, as ações militares seguem, com novos desdobramentos na região.
*Com informações da RFI.
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