O Declínio da Música Brasileira na Visão de Cosme Alves: Entre a saudade e a realidade atual

Cosme Alves, empresário musical e radialista de Feira de Santana, reflete sobre as mudanças no mercado da música brasileira, observando a perda de qualidade e a superficialidade das produções atuais. Com uma carreira marcada por sua proximidade com grandes nomes da música, ele destaca a importância das amizades no setor e a dificuldade de promover artistas nos dias de hoje.
Cosme Alves, comunicador e empresário musical, mantém laços de amizade com artistas de sua época de maior atividade no cenário musical brasileiro.

Cosme Alves, um nome de destaque no meio musical e comunicacional de Feira de Santana, reflete sobre os caminhos percorridos ao longo de sua carreira. Contabilista, radialista e empresário musical, ele se destaca pela versatilidade e pelo compromisso com o mundo das comunicações. Sua trajetória inclui o apoio e o lançamento de nomes que marcaram a música brasileira, como Wanderley Cardoso, Fernando Mendes, Nelson Gonçalves, Marcos Roberto e José Augusto, entre outros. No entanto, ao observar as transformações do mercado musical, Cosme não esconde sua preocupação com o declínio da qualidade musical nos tempos atuais.

“Nos últimos anos, tudo mudou drasticamente”, aponta Cosme. Ele observa que, com o advento das redes sociais, o agendamento de shows se tornou mais ágil, mas ao mesmo tempo, o mercado musical se tornou mais volátil e propenso a mudanças rápidas. Para ele, o cenário musical anterior oferecia mais oportunidades aos empresários, uma realidade que parece ter se perdido na dinâmica atual, onde a música, muitas vezes, prioriza o sucesso efêmero em detrimento da profundidade artística.

Embora sua vida profissional tenha se voltado para a contabilidade, Cosme continua nutrindo laços estreitos com os artistas que ajudou a lançar e promover. Ele lamenta a morte de vários amigos e ícones da música brasileira, como Jerry Adriani, Agnaldo Timóteo e Reginaldo Rossi, destacando que, além de grandes artistas, eram pessoas com as quais compartilhou experiências e memórias. A amizade, para ele, é uma das maiores recompensas dessa trajetória.

Entre os episódios mais marcantes de sua carreira, Cosme recorda uma experiência negativa com o cantor José Ribeiro, um nome do romantismo brasileiro. Após todo o investimento em material publicitário para promover dois shows em cidades do interior da Bahia, Cosme enfrentou uma situação inusitada: ninguém sabia que o cantor se apresentaria. “Vendi um terreno para cobrir o prejuízo, mas paguei tudo e isentei o artista de qualquer culpa”, relembra, demonstrando a forma como o ambiente profissional da época era permeado por desafios e aprendizados.

Cosme Alves observa ainda que o fim das gravadoras e a extinção de formatos físicos como LPs e CDs alteraram a essência do mercado musical. “Hoje, a música está atrelada às redes sociais, o que facilita o acesso, mas também torna o mercado mais instável”, afirma. Ele se lamenta da perda do charme dos LPs, que, para ele, representavam mais do que um simples formato musical – eram objetos de arte, com capas e encartes que ofereciam informações valiosas sobre os músicos e suas obras.

Em relação à música contemporânea, Cosme considera que, embora existam bons compositores em diversos gêneros, a atual produção musical é marcada por um predomínio de temas superficiais, como festas e bebidas, em detrimento de letras que abordem sentimentos mais profundos e genuínos. “Hoje, a música perdeu a alma, perdeu o amor”, diz com pesar.

Além de seu trabalho como empresário musical e contábil, Cosme Alves segue ativo como radialista. Desde 1986, ele atua em diversas emissoras, atualmente no programa Canal Interativo, na Rádio Sociedade de Feira. Sua coleção de mais de sete mil discos e equipamentos de som é uma verdadeira homenagem à sua paixão pela música e pelo rádio.

Por fim, Cosme Alves enxerga a música como uma expressão genuína da alma humana, algo que deve transmitir emoções e experiências autênticas. Ele acredita que a indústria musical atual, ao priorizar o efêmero e o comercial, perdeu o foco na qualidade e no valor artístico da música. “A música é um sonho”, conclui, refletindo sobre os tempos passados e as transformações do mercado musical.

*Com informações de Zadir Marques Porto.


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