Dorival Júnior e o desafio de recuperar a Seleção Brasileira

A Seleção Brasileira enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026. O desempenho abaixo do esperado, aliado a tropeços contra adversários que, no passado, não representavam grandes ameaças, faz com que o torcedor olhe para a tabela com preocupação. E essa insegurança já se reflete até no cenário das apostas esportivas. Se antes era impensável duvidar do Brasil, agora há quem prefira usar o código Betano para apostar contra a própria Seleção.

A pergunta que fica é: diante deste cenário, será que Dorival Júnior conseguirá ajeitar o time antes que seja tarde?

Dois jogos para mudar a trajetória

Se há um momento para a Seleção se reerguer, ele se apresenta agora. Em março de 2025, o Brasil terá dois confrontos que podem definir o rumo da equipe nestas Eliminatórias:

Brasil x Colômbia – 20 de março, em solo brasileiro.

Argentina x Brasil – 25 de março, em Buenos Aires.

A Colômbia, que vive um momento de confiança na competição, não será um adversário fácil, principalmente porque briga diretamente por uma vaga no topo da tabela. Já a Argentina, líder e atual campeã do mundo, representa um teste de fogo para uma equipe que precisa de respostas. Dois jogos, dois caminhos possíveis: ou o Brasil se reencontra e retoma o controle, ou se afunda ainda mais na crise.

Dorival e a tentativa de reerguer a Seleção

Quando Dorival Júnior assumiu a Seleção, sabia que não teria vida fácil. O time vinha de uma instabilidade técnica e tática, além de carregar o peso de uma das piores sequências das últimas décadas. Somado a isso, o Brasil sofreu com a ausência de Neymar, maior referência do time, que passou por uma grave lesão no joelho. Sem o camisa 10, o time demonstrou sérias dificuldades na criação de jogadas ofensivas. O meio-campo, antes marcado por sua criatividade, se tornou previsível e burocrático.

A defesa também não passa ilesa. A ausência de Éder Militão e a constante rotação de jogadores no setor têm feito o Brasil sofrer gols que, historicamente, não sofreria. O time parece instável, sem identidade clara e sem o controle dos jogos. Derrotas contra Uruguai e Colômbia, além do empate contra a Venezuela, apenas confirmam que algo precisa mudar – e rápido.

O Brasil já passou por isso antes?

Embora o momento seja de tensão, essa não é a primeira vez que a Seleção encontra dificuldades para se classificar para um Mundial. Algumas Eliminatórias foram marcadas por sufoco e incerteza.

1. Eliminatórias para a Copa de 2002: A redenção no fim do túnel

O Brasil passou por três técnicos e acumulou seis derrotas, algo impensável para uma equipe acostumada a liderar com folga. A classificação veio no sufoco, no último jogo da competição, contra a Venezuela. Mas, meses depois, a Seleção brilhou na Coreia do Sul e no Japão, conquistando o pentacampeonato com Ronaldo Fenômeno, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho no comando do ataque.

2. Eliminatórias para a Copa de 1994: Romário e a classificação no limite

O Brasil perdeu pela primeira vez na história das Eliminatórias, caindo por 2 a 0 para a Bolívia. A situação ficou dramática e a vaga só foi garantida no último jogo, quando Romário chamou a responsabilidade e destruiu o Uruguai no Maracanã. O resultado? O tetracampeonato nos EUA, coroado com a vitória nos pênaltis sobre a Itália.

O cenário atual e o que está em jogo

O formato das Eliminatórias Sul-Americanas mudou, e agora os seis primeiros colocados garantem vaga direta na Copa do Mundo de 2026, enquanto o sétimo colocado terá que disputar uma repescagem contra uma equipe de outro continente. Esse confronto será decidido por sorteio, podendo colocar o representante da América do Sul contra um adversário da Ásia, Oceania, CONCACAF ou África.

Atualmente, o Brasil ocupa a quinta posição, o que ainda lhe dá a classificação direta, mas qualquer deslize pode complicar o cenário. A tabela está apertada, com equipes como Uruguai e Colômbia demonstrando força, enquanto seleções que antes eram consideradas coadjuvantes, como Equador e Venezuela, começam a se firmar como ameaças reais.

A realidade é que o Brasil não pode mais errar. Se Dorival Júnior não conseguir ajustar a equipe nesses próximos jogos, a pressão vai aumentar, e o fantasma da repescagem — ou até mesmo um vexame ainda maior — pode se tornar uma possibilidade real.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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