Presidentes Emmanuel Macron e Donald Trump discutem guerra na Ucrânia e possíveis ações europeias em encontro nos EUA

Presidentes da França e dos Estados Unidos debatem medidas para o fim do conflito na Ucrânia e possível envio de tropas europeias.
Presidentes da França e dos Estados Unidos debatem medidas para o fim do conflito na Ucrânia e possível envio de tropas europeias.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmaram nesta segunda-feira (24/02/2025) a intenção de trabalhar juntos para encerrar a guerra na Ucrânia. O encontro ocorreu no Salão Oval da Casa Branca, três anos após o início da invasão russa. Macron destacou a necessidade de um envolvimento norte-americano mais amplo no processo de pacificação e declarou que a Europa está preparada para reforçar sua defesa e garantir a estabilidade na região.

Em coletiva de imprensa, Trump afirmou manter uma relação próxima com o líder francês e declarou que poderia encerrar o conflito na Ucrânia em poucas semanas. Macron, por sua vez, reforçou a necessidade de uma “paz sólida e duradoura” e ressaltou que qualquer negociação precisa incluir a Ucrânia. Além disso, o presidente francês mencionou a possibilidade de envio de tropas europeias para garantir o cumprimento de um eventual cessar-fogo.

Acordo sobre minerais ucranianos e relações entre os países

Trump anunciou que um acordo entre os Estados Unidos e a Ucrânia sobre o acesso americano a minerais estratégicos está próximo de ser concluído. Segundo o presidente norte-americano, a assinatura pode ocorrer ainda nesta semana, com a presença do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca. O acordo prevê que Washington obtenha acesso a matérias-primas ucranianas em troca de apoio à segurança do país.

A negociação ocorre em meio a tensões entre os governos de Kiev e Washington. Na semana anterior, Trump chamou Zelensky de “ditador sem eleições”, enquanto o governo ucraniano confirmou que as discussões sobre o acordo de minerais raros estavam em fase final. Trump afirmou que o tratado ajudaria os Estados Unidos a compensar os custos do apoio militar fornecido à Ucrânia desde 2022.

O presidente norte-americano também comentou sobre a possibilidade de envio de tropas europeias para a Ucrânia, afirmando que o presidente russo, Vladimir Putin, aceitaria a medida. Entretanto, Trump não especificou quais garantias de segurança Washington poderia oferecer aos soldados europeus em território ucraniano.

Divergências sobre a Rússia e posicionamento na ONU

Durante o encontro, Macron classificou a Rússia como um “agressor” na guerra contra a Ucrânia, enquanto Trump manteve sua postura de equiparar as ações de Moscou e Kiev. Em declarações recentes, o presidente norte-americano chegou a responsabilizar Zelensky pelo prolongamento do conflito.

Além das discussões bilaterais, o tema também gerou embates na Organização das Nações Unidas (ONU). Estados Unidos e Rússia votaram contra uma resolução da Assembleia Geral da ONU que reafirmava o apoio à integridade territorial da Ucrânia. Paralelamente, os dois presidentes participaram de uma videoconferência com os líderes do G7 – grupo formado por França, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Japão, Alemanha e Itália – para debater a situação ucraniana.

No mesmo dia, lideranças internacionais estiveram na capital ucraniana para protestar contra a recusa do governo de Kiev em permitir eleições no país.

Estratégia de Trump na Ucrânia pode validar ações de Putin e agravar relações transatlânticas

A estratégia de Donald Trump para resolver a guerra na Ucrânia reflete uma mudança significativa nas políticas dos Estados Unidos, com ênfase em negociações rápidas, interesses econômicos e uma reconfiguração das alianças internacionais. O presidente, que assumiu o cargo em janeiro de 2025, iniciou discussões diretas com o presidente russo Vladimir Putin e deu início a uma nova abordagem sobre o conflito.

Trump, por meio do secretário de Defesa, Pete Hegseth, sinalizou que a restauração das fronteiras da Ucrânia para os limites pré-2014 seria “irrealista” e que a adesão do país à OTAN não seria um objetivo viável para qualquer acordo negociado. Hegseth indicou que a Europa deveria assumir maior responsabilidade pela defesa da Ucrânia, mudando o foco dos Estados Unidos para questões de segurança doméstica.

No entanto, essa estratégia tem sido alvo de críticas. O mais significativo desses pontos é a exclusão da Ucrânia das negociações, o que pode enfraquecer sua soberania e resultar em decisões que não refletem os interesses do país. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que “nada pode ser discutido sobre a Ucrânia sem a Ucrânia”. Além disso, a possível concessão à Rússia de uma realidade territorial e a exclusão da adesão à OTAN podem enfraquecer a resistência ucraniana e encorajar a agressão russa.

A estratégia de Trump pode, em última instância, beneficiar Vladimir Putin. A redução do compromisso dos EUA com a defesa da Ucrânia e a segurança europeia pode minar a coesão da OTAN, proporcionando à Rússia uma maior influência regional. Além disso, a possível retirada de sanções e o reconhecimento de conquistas territoriais russas poderiam validar as ações do presidente russo, criando um precedente preocupante para as normas internacionais.

Outro aspecto importante dessa abordagem envolve interesses econômicos, particularmente recursos naturais da Ucrânia. Relatos indicam que a administração de Trump propôs adquirir uma participação de 50% nos recursos minerais e petrolíferos da Ucrânia como compensação pelo apoio dos EUA. O governo ucraniano rejeitou a proposta, com Zelensky alegando que não poderia “vender a Ucrânia”.

Essa proposta pode aumentar as tensões nas relações transatlânticas. Países europeus, já preocupados com sua exclusão de discussões sobre segurança, podem interpretar a estratégia de Trump como uma redução no compromisso dos Estados Unidos com a defesa coletiva, levando-os a procurar alternativas de segurança fora da influência americana. Isso pode criar divisões dentro da OTAN e diminuir a coesão entre os aliados ocidentais.

A estratégia de Trump reflete uma combinação de esforços de negociação rápidos, interesses econômicos e uma reconfiguração das alianças globais. Embora o objetivo seja resolver o conflito com rapidez, a exclusão da Ucrânia das negociações e a possível concessão à Rússia podem enfraquecer a soberania ucraniana e ampliar a agressão russa, além de agravar a fragmentação das relações transatlânticas. O impacto de longo prazo dessa abordagem ainda é incerto, mas tem o potencial de remodelar as dinâmicas de poder globais.

Líderes estrangeiros visitam Kiev no 3º aniversário da invasão russa à Ucrânia

No dia em que a Ucrânia marca o terceiro aniversário da invasão russa, líderes de diversos países estão em Kiev para demonstrar apoio à população ucraniana e ao presidente Volodymyr Zelensky. Durante as visitas, um alerta de ataque aéreo foi emitido em todo o território ucraniano, com o risco de mísseis russos. A cúpula em Kiev, que reúne 13 líderes europeus e canadenses, além de 24 representantes estrangeiros por videoconferência, discute maneiras de continuar auxiliando a Ucrânia no contexto da guerra em andamento, especialmente após uma recente mudança na postura dos Estados Unidos em relação à Rússia.

A visita dos líderes ocorre enquanto a situação no campo de batalha continua tensa. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem buscado forjar negociações de paz com a Rússia, em termos que, até o momento, não asseguram garantias de segurança para a Ucrânia e seus aliados europeus. O apoio da comunidade internacional, no entanto, continua sendo uma prioridade para o governo ucraniano, com o objetivo de garantir um apoio contínuo enquanto o conflito se arrasta.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, estão entre os líderes presentes, ao lado do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau. Eles reiteraram o compromisso do bloco europeu em apoiar a Ucrânia diante da escalada da agressão russa. “Neste momento, não está em jogo apenas o destino da Ucrânia, mas também o destino da Europa”, afirmou Ursula von der Leyen, em referência à importância do apoio internacional para a defesa da soberania ucraniana.

O presidente Zelensky, em sua mensagem às redes sociais, comemorou os três anos de resistência do povo ucraniano e reforçou a necessidade de negociações para a troca de prisioneiros de guerra, a fim de abrir caminho para um diálogo mais amplo com Moscou. Ele reiterou seu apelo por uma “paz real e duradoura” ainda em 2025, destacando que a Ucrânia deve ser parte ativa nas conversações.

Enquanto isso, a tensão dentro da Ucrânia também aumenta devido a possíveis concessões territoriais. Muitos cidadãos, especialmente aqueles envolvidos no esforço militar, rejeitam qualquer acordo que envolva a perda de territórios ocupados pela Rússia. “Os homens que estão lutando por nossa terra não ouvirão Zelensky e continuarão pressionando”, afirmou Oleksandr, comandante de uma unidade de artilharia ucraniana, deixando claro o descontentamento com qualquer compromisso que envolva ceder terras.

No campo militar, a guerra continua. A Força Aérea Ucraniana emitiu um alerta sobre ataques russos com mísseis em diversas partes do território ucraniano, enquanto autoridades russas afirmaram que uma refinaria de petróleo foi atacada por drones ucranianos, após o que um incêndio de grandes proporções atingiu a instalação, localizada na cidade de Ryazan.

Além disso, protestos de apoio à Ucrânia ocorreram em várias cidades internacionais, incluindo Paris, Praga, Vilnius, Washington e diversas cidades americanas. Manifestantes pedem o fim da invasão russa e mais apoio para a Ucrânia. Manifestações estão programadas também para Londres e Sydney.

Por fim, em Marselha, um ataque com projéteis atingiu o consulado russo, causando uma explosão no local, embora não tenha havido vítimas. As autoridades francesas instauraram um perímetro de segurança ao redor da área.

*Com informações da RFI.


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