O Governo Lula estuda novas alterações no primeiro escalão para atender demandas de partidos aliados. Após ajustes no Ministério da Saúde e na articulação política, as próximas mudanças devem ocorrer na Secretaria-Geral da Presidência, no Ministério das Mulheres e no Ministério da Pesca. A reestruturação visa acomodar interesses do PSD, que busca maior representatividade na Esplanada.
Nesta segunda-feira (10/03/2025), Alexandre Padilha assumiu oficialmente o comando do Ministério da Saúde, substituindo Nísia Trindade, enquanto Gleisi Hoffmann tomou posse como ministra da Secretaria de Relações Institucionais, ficando responsável pela articulação política do governo. Ambos destacaram, em seus discursos, o compromisso com a continuidade das políticas públicas e a necessidade de diálogo com o Congresso e governadores.
Mudanças na Secretaria-Geral
A escolha da deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) para a chefia da Secretaria de Relações Institucionais resultou na provável saída de Márcio Macêdo da Secretaria-Geral. O ministério, que tem atribuições ligadas à interlocução com movimentos sociais, deve passar por mudanças nas próximas semanas.
Entre os cotados para assumir o cargo está o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), ex-titular da Secretaria de Comunicação Social (Secom). Outra possibilidade discutida é a nomeação do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), mas sua indicação enfrenta resistências internas devido ao tamanho do PSOL na base governista.
Macêdo, por sua vez, continua articulando sua permanência e destaca o trabalho à frente da organização do G20 Social, realizado em novembro do ano passado. Além disso, sua proximidade com o presidente Lula é um fator que pode influenciar na decisão final.
Troca no Ministério das Mulheres
A gestão da ministra Cida Gonçalves no Ministério das Mulheres enfrenta desafios. Recentemente, polêmicas relacionadas a um suposto favorecimento eleitoral e uma gravação em que a ministra afirmava dar prioridade a demandas da primeira-dama Rosângela da Silva, Janja, causaram desconforto no governo.
Caso a troca se confirme, Lula avalia nomear a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para a pasta. Outra alternativa seria transferir Luciana Santos (PCdoB), atual ministra da Ciência e Tecnologia, para o Ministério das Mulheres, abrindo espaço para o PSD assumir a Ciência e Tecnologia, um ministério de maior projeção política.
PSD busca maior espaço no governo
O PSD, partido de André de Paula, ministro da Pesca, demonstra insatisfação com a representação no governo. O partido argumenta que a Pasta da Pesca é desproporcional à sua relevância no Congresso e pressiona por um ministério de maior expressividade.
Entre as possibilidades em discussão, está a redistribuição das pastas entre as siglas aliadas. O PSD poderia assumir o Ministério do Turismo, atualmente sob comando do União Brasil, enquanto o partido de André de Paula poderia negociar outro espaço dentro do governo.
Outras possíveis alterações
O presidente também estuda mudanças no Ministério do Desenvolvimento Agrário, atualmente ocupado por Paulo Teixeira (PT-SP). A gestão do ministro enfrenta críticas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), embora tenha apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Se a troca se concretizar, Paulo Pimenta também surge como opção para assumir a pasta.
A entrada do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no governo continua incerta. Ele tem sido cogitado para integrar a Esplanada, mas sua baixa disposição para concorrer ao governo de Minas Gerais em 2026 pode dificultar sua nomeação.









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