A pesquisa Latam Pulse, conduzida pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, revelou nesta sexta-feira (07/03/2025) dados alarmantes sobre a percepção da criminalidade, da corrupção no Sistema de Justiça, além da erosão da liberdade de expressão no Brasil. O levantamento, realizado entre os dias 24 e 27 de fevereiro de 2025, com 5.710 entrevistados, aponta para um cenário de insegurança crescente e descrédito nas instituições responsáveis pela aplicação da lei e mostra que a criminalidade é uma das principais preocupações da população, com 91,4% dos entrevistados afirmando que o crime é uma grande preocupação em suas vidas. Além disso, 85,5% acreditam que organizações criminosas controlam esferas importantes da política e do sistema judicial no país.
Criminalidade em alta e desconfiança nas instituições
A pesquisa aponta que 73,2% dos brasileiros acreditam que a criminalidade está piorando no país. Entre os problemas mais citados estão o tráfico de drogas (82% acham que está piorando), a violência sexual (79%) e os furtos e roubos (76%). A percepção de que a situação está se agravando é compartilhada por todas as regiões do país, com destaque para o Sudeste, onde 76,8% dos entrevistados afirmam que a criminalidade está piorando.
A desconfiança nas instituições responsáveis por combater o crime também é alta. Apenas 27% dos entrevistados disseram confiar no Poder Judiciário para lidar com a criminalidade de forma eficaz. As polícias são as instituições que inspiram maior confiança, com 51% dos entrevistados afirmando confiar nelas. No entanto, mesmo esse índice é considerado baixo, já que 41% declararam não confiar nas forças policiais.
Avaliação do governo na segurança pública
A avaliação do governo federal no combate à criminalidade é majoritariamente negativa. Para 48,4% dos entrevistados, o desempenho do governo na segurança pública é “muito ruim”, enquanto 15,1% consideram “ruim”. Apenas 11,9% avaliam o desempenho como “bom” e 3,4% como “muito bom”. A insatisfação é maior entre os homens (51,6% consideram o desempenho “muito ruim”) e entre os mais jovens (59,3% dos entrevistados com idade entre 35 e 44 anos avaliam negativamente).
Medidas para reduzir a criminalidade
Quando questionados sobre as medidas mais importantes para reduzir a criminalidade, 46,6% dos entrevistados apontaram a necessidade de leis mais rigorosas sobre o crime. Outras medidas citadas foram a erradicação da corrupção no judiciário e nas forças policiais (34%) e investimentos adequados nas forças policiais (32,8%). Apenas 10% dos entrevistados apoiaram a legalização e tributação de drogas recreativas como uma medida eficaz.
Impacto da criminalidade no cotidiano
A criminalidade também tem um impacto significativo no dia a dia dos brasileiros. Quase metade dos entrevistados (48,9%) afirmou evitar determinados bairros com frequência devido a preocupações com a segurança. Além disso, 45,2% disseram evitar sair à noite, e 44,7% evitam carregar objetos de valor em público. A pesquisa também revelou que 20% dos entrevistados já pensaram em emigrar para um país mais seguro.
Corrupção no Judiciário e MP, além de supersalários minam confiança no Sistema de Justiça
Outros levantamentos de opinião pública revelam que parte da população brasileira não confia no Poder Judiciário e no Ministério Público e avaliam o desempenho do Governo Lula na segurança pública como “muito ruim”. Um dos principais fatores dessa insatisfação é a percepção de corrupção no Sistema de Justiça do Brasil, que abrange o Poder Judiciário, MP e forças policiais.
Entre os principais pontos de desconfiança estão:
- Influência política e econômica nas decisões judiciais – entrevistados acreditam que magistrados atuam sob interferência externa
- Organizações criminosas influenciam o sistema judicial e político – a maioria absoluta das pesquisas evidencia essa percepção
- Privilégios e supersalários – enquanto o salário mínimo está abaixo de R$ 1.500, magistrados, promotores e procuradores de Justiça recebem acima de R$ 30 mil mensais por meio de auxílios e gratificações
- Falta de punição para crimes de corrupção – a maioria do entrevistados acreditam que políticos, empresários e membros do Poder Judiciário e do MP corruptos não são devidamente responsabilizados
O Judiciário e o MP são vistos como instituições desconectados da realidade da população, contribuindo para um ambiente de impunidade e descrédito generalizado.
Ataques à liberdade de expressão e à imprensa
Outros levantamentos revelam, também, crescente receio da população sobre a censura e a repressão à liberdade de expressão no Brasil. Entrevistados afirmam que há tentativas do Estado, através do Judiciário, de controlar ou restringir a atuação da imprensa, enquanto a maior parte dos entrevistados acreditam que críticas ao Judiciário podem resultar em perseguições políticas ou processos judiciais abusivos.
Esse cenário contribui para a sensação de desmonte do Estado de Direito e enfraquecimento da democracia, uma vez que a liberdade de imprensa e de opinião são pilares essenciais para a fiscalização das instituições.
Confira dados por categoria de análise
1. Percepção Geral sobre a Criminalidade
- Preocupação com o crime: 91,4% dos entrevistados afirmam que o crime é uma grande preocupação em suas vidas.
- Avaliação do nível de criminalidade:
- 59% consideram o nível de criminalidade “muito alto”.
- 29,7% avaliam como “alto”.
- Tendência da criminalidade:
- 73,2% acreditam que a criminalidade está piorando.
- 60,3% afirmam que a criminalidade aumentou nos últimos 6 meses.
2. Problemas Específicos Relacionados à Criminalidade
- Tráfico de drogas: 82% acham que está piorando.
- Violência sexual: 79% consideram que está piorando.
- Furtos e roubos: 76% acreditam que estão aumentando.
- Homicídios: 75% acham que estão piorando.
- Violência de gangues: 73% afirmam que está piorando.
- Corrupção: 66% acreditam que está aumentando.
3. Confiança nas Instituições
- Polícias:
- 51% confiam nas polícias para combater o crime.
- Governo local/estadual:
- 39% confiam.
- 53% não confiam.
- Governo nacional:
- 33% confiam.
- 59% não confiam.
- Forças Armadas:
- 27% confiam.
- 64% não confiam.
- Poder Judiciário e MP:
- 27% confiam.
- 66% não confiam.
4. Avaliação do Governo na Segurança Pública
- Desempenho do Governo Lula:
- 48,4% consideram “muito ruim”.
- 15,1% avaliam como “ruim”.
- 11,9% consideram “bom”.
- 3,4% avaliam como “muito bom”.
- Insatisfação por gênero:
- 51,6% dos homens consideram o desempenho “muito ruim”.
- 45% das mulheres avaliam da mesma forma.
- Insatisfação por faixa etária:
- 59,3% dos entrevistados com idade entre 35 e 44 anos avaliam negativamente.
5. Medidas Prioritárias para Reduzir a Criminalidade
- Leis mais rigorosas sobre o crime: 46,6% consideram essa a medida mais importante.
- Erradicação da corrupção no judiciário e nas forças policiais: 34% apontam essa medida.
- Investimentos adequados nas forças policiais: 32,8% consideram isso prioritário.
- Prevenção por meio de educação e assistência social: 26,8% apoiam essa medida.
- Legalização e tributação de drogas recreativas: apenas 10% veem isso como uma solução.
6. Impacto da Criminalidade no Cotidiano
- Evitar bairros: 48,9% evitam determinados bairros com frequência devido à criminalidade.
- Evitar sair à noite: 45,2% evitam sair à noite por medo do crime.
- Evitar carregar objetos de valor: 44,7% evitam carregar objetos de valor em público.
- Medidas de segurança em casa: 30,5% adotam medidas como portas reforçadas, alarmes e câmeras.
- Pensar em emigrar: 20% já consideraram emigrar para um país mais seguro.
7. Controle de Organizações Criminosas
- Influência no sistema político e judicial:
- 85,5% acreditam que organizações criminosas controlam esferas importantes da política e do sistema judicial.
- Apenas 8,6% discordam dessa afirmação.
8. Percepção sobre o Poder Judiciário
- Eficácia no combate ao crime:
- 27% confiam no Poder Judiciário para combater a criminalidade.
- 66% não confiam.
- Avaliação negativa:
- 48,4% consideram o desempenho do governo na segurança pública “muito ruim”.
- 15,1% avaliam como “ruim”.
9. Polarização e Confiança nas Instituições
- Polarização política:
- 54% percebem conflito forte entre pessoas que apoiam partidos políticos diferentes.
- 39% veem conflito entre pessoas de religiões diferentes.
- Confiança nas instituições:
- Apenas 27% confiam no Poder Judiciário.
- 51% confiam nas polícias, mas 41% não confiam.
10. Medidas do Programa “Pena Justa”
- Cotas de emprego para ex-detentos:
- 36% concordam com a medida.
- 51% discordam.
- Remição de pena por trabalho doméstico:
- 31% concordam.
- 57% discordam.
-
Diminuição do uso da pena privativa de liberdade:
- 18% concordam.
-
66% discordam.











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