Durante entrevista concedida nesta terça-feira (01/04/2025) à Rádio Sociedade FM, o ex-prefeito de Salvador e secretário-geral do União Brasil, ACM Neto, criticou a atuação do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na condução das relações institucionais com prefeitos do interior da Bahia. Segundo Neto, o chefe do Executivo estadual estaria promovendo uma aproximação exagerada com gestores municipais, com foco constante em reuniões para discutir investimentos e parcerias.
De acordo com o ex-prefeito, o governador estaria se dedicando de maneira excessiva ao diálogo com prefeitos, numa estratégia que classificou como “puxassaquismo”. A crítica ocorre em um contexto político no qual Jerônimo amplia sua base de apoio no interior do estado, incorporando prefeitos anteriormente vinculados à oposição.
Deputado Radiovaldo Costa defende postura do governador
Em resposta às declarações, o deputado estadual Radiovaldo Costa (PT) rebateu os comentários de ACM Neto, apontando que as críticas expressam incômodo com a articulação política do atual governo. Para o parlamentar, a atuação de Jerônimo reforça o papel do Estado como articulador do desenvolvimento regional e aproxima a administração estadual das realidades locais.
“Neto não faz nada pelos prefeitos e não quer que o governador faça. Para ele, o certo seria Jerônimo abandonar todo mundo, como ele faz. É bom que todos vejam”, declarou Radiovaldo.
O deputado também destacou que a realização de encontros com prefeitos e secretários tem caráter administrativo e visa estabelecer prioridades para a aplicação dos recursos públicos, respeitando critérios técnicos e não partidários.
Mudança de paradigma nas relações federativas no estado
Radiovaldo Costa aproveitou para criticar o modelo adotado por antigos gestores, que, segundo ele, priorizavam apenas aliados políticos. “O que o ex-prefeito quer é que o governador repita os moldes utilizados pelo avô dele, que só atendia e só levava obras para quem era do mesmo partido ou da base. Os demais passavam quatro anos sendo perseguidos. Isso acabou na Bahia”, afirmou.
A fala remete ao período em que o ex-senador ACM (Antônio Carlos Magalhães) comandava a política baiana, marcado por um modelo centralizador e seletivo de liberação de recursos e obras públicas. Para o parlamentar, a atual gestão adota uma postura republicana, priorizando critérios administrativos em detrimento de alinhamentos partidários.
Disputa política projeta cenários para 2026
A troca de críticas ocorre em meio a movimentações políticas que miram as eleições municipais de 2024 e, principalmente, as articulações para a sucessão estadual em 2026. ACM Neto, derrotado por Jerônimo Rodrigues nas eleições de 2022, busca manter influência sobre os quadros da oposição e sustentar capital político no interior do estado, enquanto o governador busca ampliar sua base e consolidar o apoio institucional nos municípios baianos.
A presença crescente de prefeitos oposicionistas no campo governista tem sido interpretada por analistas como um movimento de reposicionamento estratégico motivado por interesses administrativos e viabilidade de investimentos em infraestrutura, saúde, educação e assistência social.







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