Rio de Janeiro, domingo, 13/04/2025 – Os jornalistas da ESPN afastados após críticas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) retornaram às suas funções na quinta-feira (10/04/2025). A suspensão foi motivada pela repercussão de comentários veiculados no programa Linha de Passe, baseados em denúncias da revista Piauí contra a gestão do presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues. O episódio reacendeu o debate sobre os limites da crítica jornalística no contexto de relações comerciais entre imprensa e entidades esportivas, além de trazer reflexos sobre o posicionamento do Judiciário em casos de cerceamento à liberdade editorial.
Programa gerou repercussão após crítica à CBF
Na edição do dia 07/04/2025, os comentaristas Gian Oddi, Paulo Calçade, Pedro Ivo Almeida, Vitor Birner, William Tavares e o editor-chefe Dimas Coppede discutiram, em tom crítico, a reportagem publicada pela Piauí que detalha gastos considerados excessivos da atual gestão da CBF. A matéria revelou, por exemplo, o aumento dos salários dos presidentes das federações estaduais de R$ 50 mil para R$ 215 mil, além de viagens custeadas pela entidade a um grupo de 49 pessoas durante a Copa do Mundo de 2022, incluindo políticos e familiares de Rodrigues.
No dia seguinte, os seis profissionais foram suspensos pela emissora, que mantém contrato comercial com a CBF para a transmissão da Série B do Campeonato Brasileiro. A medida gerou críticas de setores da imprensa e do público, por sugerir interferência institucional no conteúdo editorial.
Retorno e justificativas da ESPN
Na quinta-feira (10/04), os jornalistas retomaram suas funções. Gian Oddi, durante sua reaparição, explicou que a direção da ESPN alegou falta de comunicação prévia sobre a pauta como motivo para o afastamento. Segundo o jornalista, o entendimento da empresa era de que a produção deveria ter informado previamente o teor do debate para que a emissora estivesse preparada institucionalmente para repercussões externas.
CBF nega interferência, mas contexto revela tensão estrutural
A CBF se manifestou por meio de nota à imprensa, afirmando que respeita a liberdade jornalística, mas defende o exercício com responsabilidade. No entanto, o contexto revela uma estrutura de dependência entre as emissoras e entidades esportivas, que muitas vezes leva à autocensura ou à punição de vozes críticas quando há risco de rompimento de contratos ou pressões políticas.
Atuação do ministro Gilmar Mendes e o debate institucional
O episódio repercutiu além do jornalismo esportivo. Nos bastidores de Brasília, parlamentares e integrantes do meio jurídico avaliaram o caso como mais um exemplo das tensões entre liberdade de imprensa e interesses institucionais. Nesse contexto, a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, tem sido observada com atenção.
Gilmar Mendes, ao longo dos últimos anos, se posicionou de forma recorrente em defesa da liberdade de expressão, especialmente em julgamentos relacionados a censura prévia e autonomia da imprensa. Em 2020, foi relator de ações que derrubaram tentativas de censura judicial contra reportagens investigativas. Em declarações recentes, o ministro tem reafirmado que “não há democracia sem liberdade de imprensa robusta e crítica”, colocando-se contra tentativas de intimidação por parte de instituições públicas ou privadas.
Neste caso, embora ainda não haja ação judicial em curso, fontes do STF ouvidas por colunistas políticos avaliam que eventuais restrições à atividade jornalística decorrentes de pressões econômicas podem configurar risco institucional. O precedente pode servir de base para ações futuras, inclusive com possível provocação ao Supremo por entidades como a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) ou a ANJ (Associação Nacional de Jornais).
Liberdade de imprensa em risco
A suspensão dos jornalistas da ESPN demonstra, de forma concreta, a fragilidade da independência editorial em ambientes onde há vinculação comercial entre empresas de mídia e entidades esportivas. O retorno dos profissionais, ainda que rápido, não elimina o impacto institucional do episódio. O caso ressalta a importância da atuação do Judiciário, sobretudo do STF, como garantidor da liberdade de imprensa, especialmente em cenários de intimidação indireta.
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