Presidente Donald Trump impulsiona integração econômica da União Europeia, aponta relatório da BCA

Estudo estratégico destaca como políticas comerciais protecionistas do presidente Donald Trump podem fortalecer a coesão e produtividade do bloco europeu.

Quarta-feira, 16/04/2025 – Em um cenário de recessão iminente na zona do euro, um novo relatório da empresa de investimentos BCA Research revela que as políticas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, podem, paradoxalmente, servir de catalisador para a integração econômica da União Europeia (UE).

Intitulado “Trump, o Unificador”, o relatório aponta que a postura protecionista adotada por Trump estaria pressionando os países europeus a acelerar a conclusão do mercado único, eliminar barreiras regulatórias internas e implementar reformas estruturais há muito adiadas.

“Trump está fazendo mais pela unidade europeia do que qualquer outro desde Schuman, Monnet e Adenauer”, afirmou Mathieu Savary, estrategista-chefe europeu da BCA.

Cenário econômico europeu e impacto das tarifas

A economia da zona do euro cresceu apenas 0,1% no último trimestre de 2024, e enfrenta contração prevista para dois trimestres consecutivos em 2025, configurando uma recessão técnica. A Comissão Europeia estima que as tarifas impostas pelos EUA possam reduzir até 0,6% do PIB europeu até 2027, caso se tornem permanentes.

Mesmo com a suspensão temporária de tarifas de 20% sobre produtos da UE, o relatório da BCA considera inevitável um período recessivo, marcado por incerteza, baixa confiança empresarial e queda no investimento de capital.

Estratégias de resposta da União Europeia

Apoio fiscal e política monetária

O estudo recomenda apoio fiscal coordenado, com destaque para pacotes de estímulo na Alemanha, capazes de gerar crescimento adicional de 1% ao ano. Também sugere que o Banco Central Europeu (BCE) reduza sua taxa de depósito para menos de 2% e retome a flexibilização quantitativa para estimular a liquidez.

Integração e comércio internacional

A diversificação comercial com Índia, Canadá, América Latina e Reino Unido é apontada como medida estratégica. Além disso, o relatório defende a conclusão da União dos Mercados de Capitais, rebatizada de União da Poupança e do Investimento, para mobilizar recursos privados em direção a investimentos produtivos.

Europa pode usar energia como moeda de troca

As negociações entre UE e EUA devem se intensificar no segundo semestre de 2025, após as eleições federais no Canadá. Savary destaca que aumentar as compras europeias de energia dos EUA pode ser decisivo para um acordo comercial.

“Para os EUA, é vantajoso ter um comprador estável de gás natural. Para a Europa, garantir o abastecimento energético é essencial”, explica o estrategista da BCA.

A construção de uma plataforma de regaseificação de GNL na costa norte da Europa é um dos exemplos de medidas estruturais em curso.


Superação de barreiras internas

Segundo o FMI, as barreiras regulatórias entre países da UE equivalem a tarifas de 44% sobre mercadorias e 110% sobre serviços. A fragmentação regulatória interna dificulta a competitividade e acentua o déficit de produtividade em relação aos EUA.

“É como se houvesse uma tarifa entre Alemanha e Itália”, comenta Savary, ao ressaltar os entraves à livre circulação de serviços – setor que representa 65% da economia da UE.

Oportunidades para investidores

Ativos seguros e ações defensivas

A BCA recomenda a compra de obrigações soberanas alemãs e da periferia europeia, como os títulos espanhóis, além de ações de serviços públicos e telecomunicações, consideradas defensivas em tempos de instabilidade.

Perspectiva de longo prazo

Apesar da volatilidade de curto prazo, a expectativa é de que ações europeias ofereçam bons rendimentos nos próximos anos, impulsionadas por reformas estruturais, estímulos fiscais e normalização da crise energética.

Paradoxos da geopolítica comercial

A retórica protecionista de Donald Trump, ao invés de enfraquecer a União Europeia, estaria gerando pressões estruturantes para a integração do bloco, com ganhos potenciais de produtividade, coesão e crescimento econômico.


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