Centrista pró-União Europeia vence eleição presidencial na Romênia

O centrista Nicusor Dan foi eleito presidente da Romênia no domingo (18/05/2025), derrotando o ultradireitista George Simion com 54% dos votos. O resultado fortalece o campo pró-União Europeia em meio a tensões políticas e alegações infundadas de fraude eleitoral. A elevada participação e a repercussão internacional indicam o peso geopolítico do pleito para a estabilidade democrática no Leste Europeu.
Prefeito de Bucareste, Nicusor Dan, derrotou o ultradireitista George Simion no segundo turno com 54% dos votos válidos.

O prefeito da capital romena, Nicusor Dan, foi eleito presidente da Romênia neste domingo (18/05/2025), após vencer o segundo turno com 54% dos votos, superando o candidato de ultradireita George Simion, líder do partido Aliança para a União dos Romenos (AUR), que obteve 46%. A apuração chegou a 99,3% das urnas no final da noite.

A vitória foi considerada estratégica para a União Europeia (UE), em um momento em que forças nacionalistas e eurocéticas ganham espaço em diversos países do bloco. Dan é visto como um defensor do projeto europeu e da integração política e econômica com os demais países-membros da UE.

Participação elevada e reação internacional

Com uma participação eleitoral de 64,70%, equivalente a 11,6 milhões de votantes, o pleito superou o engajamento do primeiro turno, que havia registrado 53% de comparecimento. O alto índice de participação foi destacado como reflexo do acirramento político e da polarização entre as propostas de continuidade democrática e tendências autoritárias.

Após a confirmação da vitória, líderes das instituições europeias se manifestaram. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou:

“O povo romeno compareceu em massa às urnas. Escolheu a promessa de uma Romênia aberta e próspera numa Europa forte.”

Candidato derrotado contesta resultado

Em reação ao resultado, George Simion rejeitou as projeções e alegou, sem apresentar provas, que sua candidatura foi vitoriosa.

“Somos os claros vencedores destas eleições. Reivindicamos a vitória em nome do povo romeno”, declarou.

Diante da postura de Simion, a imprensa local alertou para o risco de protestos e instabilidade política nos próximos dias. A retórica do candidato eurocético se assemelha a estratégias já observadas em outros contextos de polarização democrática, como os discursos adotados por Donald Trump nos EUA e por outros líderes populistas.

Implicações institucionais e geopolíticas

Apesar de possuir poderes limitados em comparação a regimes presidencialistas clássicos, o presidente romeno exerce influência na política externa, na nomeação do primeiro-ministro e no comando das Forças Armadas. O novo chefe de Estado será responsável por indicar um novo premiê após a renúncia de Marcel Ciolacu, ocorrida após o fracasso de seu bloco no primeiro turno.

A eleição também repercutiu no cenário internacional. O Ministério das Relações Exteriores da Romênia divulgou comunicado alertando para indícios de interferência russa no processo eleitoral, semelhante aos episódios registrados no pleito anterior. Segundo o porta-voz Andrei Ţarnea,

“Mais uma vez são visíveis sinais de interferência russa. Uma campanha viral de notícias falsas no Telegram e outras plataformas digitais tem como objetivo influenciar o processo eleitoral.”

UE evita avanço da ultradireita no Leste Europeu

A derrota de Simion interrompe o avanço da ultradireita no Leste Europeu, movimento que ganhou força com a ascensão de Viktor Orbán na Hungria e Robert Fico na Eslováquia. Analistas políticos consideram a vitória de Nicusor Dan como um freio institucional ao nacionalismo radical, reforçando o compromisso da Romênia com os valores democráticos da União Europeia.

*Com informações do DW.


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