A advogada Mirian Ribeiro, esposa do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, declarou que o marido não considera firmar acordo de delação premiada com o Ministério Público ou com o Supremo Tribunal Federal (STF). Gonçalves está preso desde novembro de 2024, sob suspeita de envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Contexto da investigação
De acordo com informações reunidas por diversos veículos de imprensa, como Metrópoles, VEJA, UOL e Jornal Grande Bahia, Andreson Gonçalves é apontado pela Polícia Federal (PF) como articulador de um esquema de comercialização de decisões judiciais, com movimentações que ultrapassam R$ 2 bilhões. As investigações revelam que o lobista atuava com acesso privilegiado a votos antecipados de ministros do STJ, e exercia influência direta em decisões judiciais, especialmente em processos de interesse empresarial.
O inquérito policial é conduzido pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, e resultou na prisão preventiva de Gonçalves, além do afastamento de servidores e a aplicação de medidas cautelares contra outros envolvidos.
Declarações da defesa
Em entrevista após visita realizada no dia 28 de abril de 2025, Mirian Ribeiro relatou que, durante mais de duas horas de conversa com o marido, “em momento algum houve qualquer cogitação sobre a possibilidade de delação”. Segundo ela, “não há o que delatar” e a família é contrária a qualquer forma de negociação com autoridades judiciais.
A advogada também informou que o esposo apresenta quadro de saúde debilitado, com sinais evidentes de abalos físicos e psicológicos, incluindo perda significativa de peso. Em correspondência encaminhada ao STF, Gonçalves relatou pensamentos suicidas e comparou sua detenção aos métodos de pressão psicológica empregados na Operação Lava Jato.
Envolvimento de Mirian Ribeiro
Além de esposa e advogada de Gonçalves, Mirian Ribeiro é também investigada na Operação Sisamnes, deflagrada pela PF para apurar a venda de decisões judiciais. Ela foi alvo de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, conforme noticiado por Migalhas e ReporterMT.
Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificaram que, em junho de 2023, Mirian transferiu R$ 938 mil à esposa do desembargador César Jatahy, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A transação foi considerada atípica e se encontra sob investigação.
Linha do tempo dos principais eventos
| Data | Evento |
|---|---|
| Novembro/2024 | Prisão preventiva de Andreson Gonçalves na deflagração da Operação Sisamnes. |
| Dezembro/2024 | Reveladas mensagens entre Gonçalves e Roberto Zampieri, morto em Cuiabá. |
| Fevereiro/2025 | STF mantém prisão de Gonçalves; esposa recebe tornozeleira eletrônica. |
| Março/2025 | Gonçalves envia carta ao STF denunciando pressão psicológica na prisão. |
| Abril/2025 | Mirian Ribeiro nega delação e afirma estado de saúde crítico do marido. |
Investigado nega
A defesa de Andreson Gonçalves nega qualquer possibilidade de colaboração premiada, sustentando que não há fatos novos a serem revelados e que o lobista encontra-se física e mentalmente incapaz de tomar decisões jurídicas complexas. Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal seguem aprofundando as investigações, que envolvem magistrados, advogados e operadores jurídicos com atuação em tribunais superiores e estaduais.








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