Presidente Donald Trump e Elon Musk reforçam aliança após saída do bilionário da chefia do DOGE

Elon Musk encerra passagem pelo governo, mas mantém influência no círculo presidencial.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o empresário Elon Musk durante coletiva de imprensa no Salão Oval, em Washington (30/05/2025).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30/05/2025) que o empresário Elon Musk continuará como conselheiro próximo da presidência, mesmo após o encerramento de seu mandato de 130 dias como chefe do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE). A declaração foi feita durante um evento de despedida no Salão Oval da Casa Branca, que simbolizou a continuidade da parceria entre os dois líderes.

O bilionário sul-africano, CEO da Tesla e da SpaceX, foi nomeado por Trump para liderar um amplo plano de redução de custos do governo federal, que envolveu demissões em massa, cortes de agências e a eliminação de bilhões em programas públicos e ajuda externa. Apesar das ações drásticas, as metas orçamentárias anunciadas por Musk não foram alcançadas.

Resultados da gestão: cortes realizados e metas não atingidas

Segundo dados oficiais da própria DOGE, as economias alcançaram aproximadamente US$ 175 bilhões. No entanto, análises da Reuters com base em relatórios do Departamento do Tesouro apontam que os cortes efetivos somam menos da metade desse valor. O governo gastou, inclusive, cerca de US$ 250 bilhões a mais nos primeiros meses de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024.

Entre os órgãos mais afetados estão:

  • Departamento de Educação: redução de US$ 11 bilhões, cancelamento de 311 contratos e demissão de 50% do quadro funcional;

  • Institutos Nacionais de Saúde (NIH): queda de cerca de US$ 1 bilhão nos gastos;

  • Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC): cortes de US$ 350 milhões;

  • USAID: redução de 40% nos gastos e desmonte da estrutura administrativa;

  • Departamento de Estado: queda de aproximadamente 20% nos repasses.

A DOGE afirma ter cancelado mais de 26 mil contratos e subsídios, totalizando cerca de US$ 73 bilhões em valores anulados. Entretanto, parte dessas medidas foi revertida por decisões judiciais, dificultando a contabilização de uma economia real consolidada.

Dificuldade em mensurar os efeitos dos cortes

A avaliação do impacto financeiro das medidas adotadas pelo DOGE é dificultada por fatores como:

  • Pagamentos de rescisões e aposentadorias que ainda impactam o orçamento atual;

  • Contratos plurianuais que continuam ativos por exigência legal;

  • Falta de transparência na contabilidade do DOGE, cujos dados públicos são parciais.

Especialistas alertam que os resultados práticos das reformas poderão levar anos para se refletirem no orçamento federal, e algumas medidas podem ser revertidas com mudanças no Congresso ou por ordens judiciais.

Tensões internas e repercussões externas

Apesar do apoio público de Trump, a gestão de Musk enfrentou críticas dentro da Casa Branca, especialmente após o bilionário criticar publicamente o projeto de lei tributária do governo. Integrantes do alto escalão, como Stephen Miller e Susie Wiles, interpretaram a crítica como um sinal de ruptura política, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

Fora da esfera governamental, acionistas e consumidores reagiram negativamente ao envolvimento de Musk com o governo. Protestos em lojas da Tesla nos Estados Unidos e na Europa contribuíram para a queda nas vendas e no valor de mercado da empresa. Projetos como SpaceX e Starlink, embora com potencial de crescimento diante da proximidade com o poder público, também foram alvo de escrutínio por parte de opositores.

Cerimônia simbólica e perspectiva de continuidade

Na cerimônia de despedida, Trump presenteou Musk com uma chave dourada simbólica, reservada a “pessoas muito especiais”, e reafirmou que o empresário continuará tendo voz ativa nos bastidores. Musk, por sua vez, declarou que pretende concentrar mais esforços em seus negócios e reduzir doações políticas, mas reafirmou sua disposição de assessorar o presidente sempre que solicitado.

“Espero continuar sendo um amigo e conselheiro. Se houver algo que o presidente queira que eu faça, estarei a serviço do presidente”, afirmou Musk.

Burocracia como obstáculo

Musk reconheceu que subestimar a rigidez da burocracia federal foi um dos principais erros de sua gestão, classificando o aparato administrativo como um “mal banal”. Apesar dos entraves, disse acreditar no futuro da DOGE e na viabilidade de alcançar economias estruturais mais amplas.

“Este não é o fim do DOGE, mas sim o começo”, declarou.

Elon Musk encerra passagem pelo governo, mas mantém influência no círculo presidencial.
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