O deputado estadual Robinson Almeida (PT) criticou nesta quinta-feira (05/06/2025) as declarações do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), sobre a política de venda de áreas verdes na capital baiana. As declarações do prefeito foram feitas durante a inauguração do Jardim Etnobotânico, no bairro de São Marcos, no Dia Mundial do Meio Ambiente. Para o parlamentar, as medidas da prefeitura representam um retrocesso ambiental e uma violação ao princípio da participação popular, agravadas pela inexistência do Conselho Municipal do Meio Ambiente desde 2018.
Durante sua manifestação, Robinson Almeida afirmou que a gestão municipal contradiz o discurso de preservação ambiental ao justificar a venda de áreas públicas com fins supostamente sociais, como a implantação de hospitais e escolas. Segundo o parlamentar, a estratégia compromete o futuro da cidade, especialmente em um contexto de carência de espaços verdes em áreas densamente habitadas.
“Quem vende áreas verdes, não pode pousar de defensor do meio ambiente”, declarou Robinson.
Ausência de Conselho Municipal de Meio Ambiente
O deputado enfatizou que Salvador não possui um Conselho Municipal de Meio Ambiente ativo desde 2018, o que inviabiliza o controle social e o acompanhamento das políticas ambientais por parte da sociedade civil.
“A falta desse colegiado tira da sociedade civil a possibilidade de acompanhar, debater e fiscalizar as ações do poder público. É uma gestão que não dialoga”, afirmou.
Política ambiental sob críticas
Robinson Almeida classificou a política ambiental da prefeitura como “meramente midiática”, afirmando que não há correspondência entre os anúncios públicos e as ações práticas da administração municipal. O parlamentar considera falacioso o argumento de que a venda de áreas verdes financia a construção de novos equipamentos públicos.
Segundo ele, Salvador necessita de mais parques e vegetação urbana, não de retrocessos que priorizam o concreto em detrimento da sustentabilidade.
Patrimônio ambiental do Estado e defesa da ampliação
O deputado destacou que as principais áreas verdes preservadas da capital pertencem ao Estado da Bahia, como o Jardim Zoológico, o Parque Metropolitano de Pituaçu e o Parque São Bartolomeu. Para ele, essas unidades são exemplos de preservação a serem ampliados, em vez de serem contrapostas a medidas de desafetação.
“A Prefeitura deveria estar comprando novas áreas verdes, não vendendo o que resta. Deveria criar áreas de preservação, de proteção, mas opta pelo oposto”, criticou.
Sustentabilidade urbana e planejamento de longo prazo
Robinson defendeu a adoção de um modelo de desenvolvimento urbano sustentável, com planejamento voltado para as próximas décadas e centrado na justiça ambiental e na gestão democrática do território.
“A cidade que deixarmos para as próximas gerações deve ser mais verde, mais resiliente às mudanças climáticas e mais justa no acesso aos espaços públicos”, afirmou.
Mobilização da sociedade civil e críticas de artistas
A política de desafetação e venda de áreas verdes tem gerado mobilização popular e manifestações contrárias por parte de artistas e personalidades públicas. Desde 2022, o cantor e compositor Caetano Veloso tem se posicionado contra a prática. Outros nomes da cena cultural, como Gilberto Gil, Nando Reis, Anitta, Regina Casé e Daniela Mercury, também expressaram publicamente preocupação com os impactos ambientais da atual política urbana adotada pela prefeitura de Salvador.
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