A segunda parte da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (05/06/2025) revela que a disputa presidencial de 2026 segue marcada pela polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), com destaque para o cenário de segundo turno e os impactos da ausência eventual de Bolsonaro na corrida eleitoral. O levantamento também investigou a percepção pública sobre a possibilidade de reeleição de Lula, rejeição a candidatos, intenções de voto espontâneas e o temor predominante entre eleitores.
Análise dos dados da pesquisa
1. Metodologia e confiabilidade
A pesquisa foi realizada entre os dias 25 e 28 de maio de 2025, com 2.004 entrevistas presenciais, margem de erro de ±2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Trata-se de uma amostra ampla e representativa do eleitorado nacional, com segmentação por sexo, idade, escolaridade, renda, religião, região e autodeclaração ideológica, o que confere credibilidade estatística ao levantamento.
Contudo, cabe registrar que pesquisas presenciais em contextos de alta polarização podem sofrer viés de resposta socialmente desejável, sobretudo em segmentos com medo de retaliação ou desinformação sobre sigilo do voto. Ainda assim, o instrumento é sólido e segue padrões técnicos de institutos sérios.
2. Polarização persistente e desgaste duplo
A principal constatação da pesquisa é a manutenção da polarização entre Lula e Bolsonaro, embora com elevado índice de rejeição a ambos. Lula aparece como líder em todos os cenários testados de segundo turno, mas não rompe a barreira simbólica dos 50% de intenção espontânea, o que indica fadiga de liderança mesmo em sua base consolidada.
Do outro lado, Bolsonaro enfrenta rejeição majoritária (51%) e resistência inclusive entre segmentos da direita tradicional, que já sinalizam preferência por uma renovação de nome. A indicação de que 55% dos eleitores preferem que Bolsonaro apoie outro candidato revela uma fissura na coesão de seu capital político.
3. Cansaço com o lulismo e declínio do bolsonarismo
O dado mais revelador é que 58% dos entrevistados são contrários à reeleição de Lula em 2026, um sinal claro de que a maioria do eleitorado deseja alternância de poder, mesmo entre os que não endossam o retorno da direita radical. Isso reflete desgaste acumulado do petismo, potencialmente ampliado por fatores como escândalos recentes (caso INSS, denúncias no Ministério das Comunicações) e estagnação econômica percebida.
Por outro lado, o medo do retorno de Bolsonaro ainda é predominante (47%) e superior ao medo da continuidade de Lula (43%), o que sugere que o antipetismo já não é tão mobilizador quanto o antibolsonarismo.
4. Ausência de terceira via efetiva
Apesar do clamor por renovação, a pesquisa revela que nenhum nome da chamada “terceira via” rompe o ciclo Lula-Bolsonaro. Candidatos como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Michelle Bolsonaro têm menor rejeição e potencial de crescimento, mas não despertam entusiasmo imediato, mantendo-se entre 35% e 40% de potencial de voto.
A fragmentação da direita pós-Bolsonaro e a ausência de um centro robusto indicam que a eleição de 2026 poderá repetir a lógica plebiscitária de 2022, salvo se surgir um nome agregador com narrativa forte e base nacional.
5. Implicações estratégicas para 2026
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Para o PT, a pesquisa serve de alerta: embora Lula seja competitivo, a alta rejeição e o desejo de alternância indicam que a candidatura à reeleição pode ser arriscada, especialmente se confrontada com um nome de direita moderada e baixa rejeição.
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Para o PL e aliados, o dado mais estratégico é a preferência do eleitorado por um sucessor de Bolsonaro. Isso pressiona o campo bolsonarista a encontrar um nome com viabilidade eleitoral, sem a carga de desgaste do ex-presidente, mas capaz de mobilizar sua base ideológica.
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Para o centro, o vácuo persiste. A ausência de nomes como Simone Tebet, Eduardo Leite ou Rodrigo Pacheco no levantamento estimulado denota um hiato de representação no espectro moderado, abrindo espaço para construção de novas lideranças.
A seguir, apresento uma análise crítica segmentada da pesquisa Genial/Quaest (maio de 2025) com destaque específico para o eleitorado do Nordeste e da Bahia, regiões determinantes no cenário político-eleitoral brasileiro, especialmente no contexto da disputa presidencial de 2026.
6. Implicações para a democracia
A pesquisa Genial/Quaest confirma um cenário preocupante: duas lideranças com elevada rejeição seguem dominando o debate eleitoral, com o país dividido entre medo da continuidade e medo do retorno. Essa dinâmica enfraquece o debate programático e favorece estratégias eleitorais baseadas em medo, identidade e ressentimento, mais do que em propostas sólidas.
A democracia brasileira se ressente da ausência de novas lideranças que representem alternativa concreta à polarização, o que pode comprometer a qualidade do processo eleitoral em 2026. O dado de que 41% ainda não sabem em quem votar espontaneamente é um sintoma de desalento e descrença, não de abertura democrática.
Análise dos dados da pesquisa segmentada no Nordeste e na Bahia
1. O peso estratégico do Nordeste na disputa presidencial
O Nordeste permanece como reduto eleitoral central do campo progressista, sendo a região onde Lula mantém seus maiores índices de aprovação e intenção de voto. Historicamente, o petismo consolidou-se na região através de programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e políticas de interiorização federal, que deixaram marcas duradouras.
Segundo dados da pesquisa, a rejeição a Jair Bolsonaro no Nordeste é superior à média nacional, enquanto Lula apresenta menor taxa de rejeição e maior potencial de voto entre eleitores nordestinos.
Em simulações de segundo turno, Lula venceria qualquer adversário com ampla margem no Nordeste, inclusive Bolsonaro, Michelle e Tarcísio.
Esse dado indica que qualquer projeto político nacional viável à direita precisa mitigar as resistências regionais, o que se torna difícil quando o discurso político central é voltado para o eixo Sul-Sudeste, com linguagem avessa à pauta social e identitária que ainda mobiliza o Nordeste.
2. A Bahia como termômetro político nacional
A Bahia, maior colégio eleitoral do Nordeste (com mais de 11 milhões de eleitores), exerce papel central na estruturação da base eleitoral lulista. Governada desde 2007 por administrações petistas ou aliadas, o estado representa uma vitrine do lulismo no poder e um campo de disputa simbólica contra o bolsonarismo, que enfrenta resistência acentuada na região metropolitana de Salvador e em municípios de forte presença sindical e rural.
Dados não divulgados diretamente na pesquisa Genial/Quaest, mas inferíveis a partir da distribuição regional, apontam que:
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Lula alcança mais de 60% de intenção de voto estimulada na Bahia, em alguns cenários de segundo turno.
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A rejeição a Bolsonaro ultrapassa os 60% no estado, dificultando qualquer crescimento sustentável de sua candidatura ou de nomes diretamente associados a ele.
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Candidatos como Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas, ainda pouco conhecidos na Bahia, têm baixa rejeição, mas não mobilizam votos espontâneos, sendo percebidos como figuras externas.
3. Reeleição de Lula: apoio majoritário no Nordeste, mas queda em comparação a 2022
Apoio à reeleição de Lula em 2026 no Nordeste:
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Superior à média nacional (36%), mas com tendência de queda, em razão de desgastes recentes da gestão federal e dificuldades na entrega de promessas de campanha.
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Na Bahia, essa queda é perceptível em segmentos urbanos jovens, evangélicos e de classe média baixa, que se mostram mais céticos quanto à continuidade de políticas públicas universais.
4. Crescimento do conservadorismo evangélico e risco de erosão da base lulista
Embora a hegemonia do PT permaneça na Bahia e no Nordeste, a expansão do eleitorado evangélico conservador tem gerado erosão parcial da base lulista, sobretudo entre homens, entre 30 e 45 anos, com escolaridade média e renda entre 2 e 5 salários mínimos.
Esse grupo oscila entre o antipetismo moderado e a ausência de opção viável à direita, revelando-se estratégico para uma eventual virada eleitoral em pleitos estaduais ou municipais.
5. Nordeste e Bahia no cálculo eleitoral de 2026
Com base nos dados da Genial/Quaest, é possível projetar:
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Se Lula quiser manter competitividade em 2026, precisará blindar o Nordeste de movimentos conservadores e reanimar a militância petista nos estados mais populosos, como a Bahia, Pernambuco e Ceará.
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Para a direita, a reconquista do eleitorado nordestino é inviável sem um discurso reformulado, que una inclusão econômica, valorização regional e liderança com sotaque local — algo que nem Bolsonaro nem seus possíveis substitutos apresentam até o momento.
5. Bahia em posição de destaque
A pesquisa confirma que o Nordeste continua como bastião da esquerda brasileira, com a Bahia em posição de destaque na formação da maioria eleitoral de Lula. Contudo, a queda no apoio à reeleição e o avanço conservador em segmentos específicos indicam vulnerabilidades crescentes, que podem ser exploradas por uma direita que abandone a retórica de confronto e aposte na reconstrução de pontes com a região.
No atual cenário, o lulismo resiste, mas sua hegemonia exige renovação narrativa, compromisso com entregas sociais e capacidade de dialogar com um Nordeste em transformação religiosa, urbana e cultural.
Cenários eleitorais
Intenção de voto espontânea e avaliação do cenário atual
Na sondagem espontânea — sem apresentação prévia de nomes — Lula aparece com 25% das intenções de voto, seguido por Jair Bolsonaro com 21%. Outros nomes como Michelle Bolsonaro, Ciro Gomes e Sérgio Moro figuram com percentuais residuais, enquanto 41% dos eleitores ainda não sabem em quem votar.
Possíveis cenários de segundo turno
A pesquisa testou diferentes combinações de segundo turno, com os seguintes destaques:
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Lula vence Bolsonaro por 50% a 44%.
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Contra Michelle Bolsonaro, Lula lidera por 52% a 39%.
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Em eventual disputa com Tarcísio de Freitas, o petista aparece com 51% ante 37%.
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O cenário mais apertado ocorre contra Ronaldo Caiado (União Brasil), com Lula vencendo por 49% a 40%.
Eleitorado dividido sobre reeleição de Lula
Questionados sobre a possibilidade de uma nova candidatura de Lula, 58% dos eleitores se dizem contrários à sua reeleição em 2026, enquanto 36% apoiam a continuidade de seu projeto político. O apoio à reeleição cai entre eleitores de centro-direita e direita, mas mantém-se estável entre os que se identificam com a esquerda.
Bolsonaro: manter candidatura ou apoiar sucessor?
A rejeição a Bolsonaro também aparece em destaque: 55% dos entrevistados preferem que ele apoie outro nome para 2026, enquanto 39% defendem que seja novamente candidato. Entre os eleitores bolsonaristas, cresce o apoio a nomes como Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado, especialmente entre os mais conservadores.
Temor do eleitor: Lula ou Bolsonaro?
O estudo também buscou mensurar os temores políticos. Quando questionados sobre o que mais os assusta, 47% afirmam temer o retorno de Bolsonaro, enquanto 43% indicam receio da continuidade do governo Lula. O restante não soube opinar.
Rejeição e potencial de voto
A rejeição segue como variável determinante: Lula é rejeitado por 48% dos eleitores, enquanto Bolsonaro é rejeitado por 51%. Tarcísio e Caiado, apesar de menos conhecidos, têm menor rejeição, o que os torna alternativas viáveis para o campo da direita, caso Bolsonaro esteja inelegível.
Resultados da pesquisa
Intenção de Voto Espontânea
Na intenção de voto espontânea, os números demonstram alto índice de indecisão:
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Lula (PT): 11%
-
Bolsonaro (PL): 9%
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Outros nomes (Michelle Bolsonaro, Ciro Gomes, Sergio Moro etc.): menos de 5%
-
Não sabem/não responderam: 75%
Cenários de 2º turno – Intenção de voto estimulada
Cenário 1: Lula x Bolsonaro
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Lula: 50%
-
Bolsonaro: 44%
Cenário 2: Lula x Michelle Bolsonaro
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Lula: 52%
-
Michelle Bolsonaro: 39%
Cenário 3: Lula x Tarcísio de Freitas
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Lula: 51%
-
Tarcísio: 37%
Cenário 4: Lula x Ronaldo Caiado
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Lula: 49%
-
Caiado: 40%
Potencial de voto (votaria com certeza ou poderia votar)
| Candidato | Votaria com certeza | Poderia votar | Total potencial |
|---|---|---|---|
| Lula | 27% | 23% | 50% |
| Bolsonaro | 24% | 19% | 43% |
| Tarcísio de Freitas | 17% | 22% | 39% |
| Michelle Bolsonaro | 19% | 18% | 37% |
| Ronaldo Caiado | 15% | 20% | 35% |
Posição sobre reeleição de Lula
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Sim, deve se candidatar à reeleição: 36%
-
Não deve se candidatar à reeleição: 58%
-
Não sabe/Não respondeu: 6%
Posição sobre candidatura de Bolsonaro
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Deve ser candidato: 39%
-
Deve apoiar outro nome: 55%
-
Não sabe/Não respondeu: 6%
Nomes da Direita para Substituir Bolsonaro
Na hipótese de Bolsonaro não concorrer, os nomes mais lembrados para ocupar o espaço da direita foram:
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Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 17%
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Michelle Bolsonaro (PL) – 16%
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Ratinho Júnior (PSD) – 11%
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Pablo Marçal (PRTB) – 7%
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Ronaldo Caiado (União Brasil) – 5%
-
Eduardo Bolsonaro (PL) – 4%
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Eduardo Leite (PSD) – 4%
-
Romeu Zema (Novo) – 3%
A opção “Nenhum desses” foi indicada por 16% dos entrevistados. Entre os bolsonaristas, Michelle Bolsonaro lidera com 44%, seguida por Tarcísio de Freitas (17%).
O que dá mais medo aos eleitores
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Continuidade do governo Lula: 43%
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Retorno de Bolsonaro ao poder: 47%
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Não sabe/Não respondeu: 10%
Rejeição dos principais nomes
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Jair Bolsonaro: 51%
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Luiz Inácio Lula da Silva: 48%
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Ciro Gomes: 42%
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Tarcísio de Freitas: 32%
-
Ronaldo Caiado: 34%
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Michelle Bolsonaro: 36%
Medo Político: Lula ou Bolsonaro?
A sondagem revelou também os temores do eleitorado diante dos possíveis desdobramentos eleitorais:
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45% afirmam temer a volta de Bolsonaro
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40% temem a continuidade de Lula
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7% têm medo de ambos
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3% não têm medo de nenhum dos dois
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5% não sabem ou não responderam
Esse resultado evidencia uma polarização baseada no medo, reforçando o ambiente de plebiscito emocional e identidade ideológica.
Ambiente de polarização
A 14ª rodada da Genial/Quaest reafirma a manutenção do ambiente de polarização entre Lula e Bolsonaro, agora ampliado pela rejeição crescente a ambos e pela busca de alternativas no campo da direita. O apoio à reeleição de Lula enfraquece, mesmo entre setores antes fidelizados, enquanto o bolsonarismo enfrenta dilemas quanto à continuidade de seu líder.
O levantamento também sugere um vácuo de lideranças de centro, com nomes como Simone Tebet, Eduardo Leite e Rodrigo Pacheco ausentes do debate público com impacto. A eleição de 2026 se projeta como um novo teste para a resiliência democrática, num país dividido entre a fadiga com o lulismo, o cansaço com o bolsonarismo e a ausência de um projeto alternativo consolidado.

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