Reportagem de Mirelle Pinheiro e Letícia Guedes — publicada nesta quinta-feira, 05/06/2025 no site Metrópoles — revela que em nova etapa das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) sobre venda de decisões judiciais no Tocantins, uma gravação anexada ao processo revelou que o prefeito de Palmas (TO), Eduardo Siqueira Campos (Podemos), afirmou ter sido alertado antecipadamente sobre uma operação policial por um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A informação refere-se à Operação Maet, deflagrada em 2010, e consta de conversa com o advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, sobrinho do governador de Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos).
Suposto alerta de ministro do STJ
Eduardo Siqueira Campos afirmou que o ministro João Otávio de Noronha, do STJ, teria o convocado a Brasília para alertá-lo de que quatro desembargadores seriam afastados por decisão da Polícia Federal. À época, o pai do prefeito, José Wilson Siqueira Campos, havia assumido o governo do estado. Em resposta, Noronha negou a alegação e declarou não ter participado de qualquer reunião com o prefeito e o advogado mencionados.
Linha do tempo da Operação Sisamnes
A seguir, os principais marcos da operação:
| Data | Fato relevante |
|---|---|
| Dez/2010 | Deflagração da Operação Maet, que resultou no afastamento de quatro desembargadores no TJTO. |
| Jun/2024 | Eduardo Siqueira grava áudio relatando que foi alertado sobre operação pelo ministro Noronha. |
| 28/06/2024 | Desembargador Helvécio Maia Neto teria recebido alerta sobre investigação da PF. |
| 18/05/2025 | Thiago Barbosa, advogado e sobrinho do governador, é preso; áudios comprometedores são encontrados. |
| 30/05/2025 | 9ª fase da Operação Sisamnes é deflagrada; PF apreende celular do prefeito de Palmas. |
| 05/06/2025 | Reportagem revela conteúdo do áudio e ligação do prefeito com vazamento de informações do STJ. |
Contexto e avanço das investigações
A entrada de Eduardo Siqueira no inquérito decorre da apreensão do celular do desembargador Helvécio de Brito Maia Neto, que continha mensagens sugerindo antecipação ilegal da operação policial. As conversas indicam que Thiago Barbosa seria o autor do vazamento, o que motivou a prisão preventiva do advogado. Em seu celular, foi localizado o áudio em que o prefeito relata ter sido avisado por Noronha ainda em 2010.
Principais dados categorizados
Pessoas envolvidas
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Eduardo Siqueira Campos: Prefeito de Palmas (TO), suspeito de ter recebido informações privilegiadas.
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João Otávio de Noronha: Ministro do STJ, citado como autor do suposto vazamento.
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Thiago Marcos Barbosa de Carvalho: Advogado e sobrinho do governador de TO, preso pela PF.
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Helvécio de Brito Maia Neto: Desembargador do TJTO, investigado por envolvimento em esquema de venda de decisões.
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Cristiano Zanin: Ministro do STF, relator do megainquérito da PF.
Operações policiais
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Operação Maet (2010): Afastou desembargadores do TJTO por venda de decisões.
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Operação Maximus (2025): Apura corrupção judicial no TJTO, sob relatoria de Noronha.
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Operação Sisamnes (2024–2025): Investiga organização criminosa por venda de sentenças, espionagem ilegal e monitoramento de autoridades.
Provas reunidas pela PF
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Áudio gravado por Eduardo Siqueira em junho de 2024.
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Conversas entre Thiago Barbosa e Helvécio Maia Neto.
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Registros de que Eduardo Siqueira antecipava movimentações da PF.
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Tabelas com valores para espionagem de ministros e autoridades públicas.
Decisões judiciais
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STF autorizou prisões e buscas com base em elementos robustos.
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PF apreendeu celulares e documentos em Palmas.
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Investigações revelaram possível rede de corrupção sistêmica no TJTO.
Organização criminosa e espionagem
A Operação Sisamnes também revelou a atuação de uma estrutura organizada de espionagem e homicídios sob encomenda. A PF apreendeu listas com preços para serviços de monitoramento ilegal, tendo como alvos ministros, senadores, deputados e magistrados. Entre os nomes identificados estavam os dos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.
Negativa do prefeito e contradições
Durante coletiva realizada em 30/05/2025, Eduardo Siqueira negou qualquer relação com ministros do STJ e afirmou não ter acesso a informações sigilosas. Contudo, os autos indicam o contrário. Em um dos áudios analisados, ele teria dito: “Aqui vão dançar dois juízes e pelo menos três advogados”, demonstrando pleno conhecimento sobre os impactos da investigação.







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