O presidente da Cooperativa Pecuária Feira de Santana Ltda (Cooperfeira), Luiz Alberto Silva Falcão, conhecido como Beto Falcão, concedeu entrevista nesta terça-feira (22/07/2025) ao Jornal Grande Bahia na qual abordou os principais desafios e avanços de sua gestão à frente da entidade. Após cumprir um mandato-tampão de oito meses, Beto foi reeleito para um mandato pleno de dois anos, com o objetivo de modernizar a cooperativa, ampliar sua atuação e garantir sua sustentabilidade.
Segundo o dirigente, a Cooperfeira enfrentava um cenário de estagnação operacional, com estrutura física defasada e queda na produtividade. Em menos de um ano, a gestão ampliou a capacidade de abate do frigorífico Frifeira de aproximadamente 5 mil para quase 10 mil cabeças de gado por mês, com incremento também no valor médio por animal abatido, o que contribuiu para reverter prejuízos e gerar lucros operacionais.
Reestruturação física e administrativa
A nova gestão promoveu investimentos na sede administrativa, reformas no frigorífico e assumiu a gestão do espaço Vila Gourmet, antes administrado por terceiros. A loja da cooperativa foi ampliada de 100 m² para 300 m², com diversificação de produtos e melhoria no atendimento aos cooperados.
Embora Beto Falcão tenha preferido não divulgar o valor total investido, ressaltou que os recursos aplicados resultaram em modernização das instalações e aumento da eficiência operacional.
Frifeira: polo regional de abate e industrialização
O frigorífico Frifeira, pertencente à Cooperfeira, opera com mais de 200 funcionários diretos e recebe animais de 156 municípios da Bahia, tornando-se um importante polo da cadeia de proteína bovina no estado. A estrutura beneficia a economia local e gera cerca de 500 empregos indiretos, devido à articulação com setores como graxaria, curtume, logística e alimentação animal.
Estatuto será reformulado para ampliar quadro de cooperados
Com 50 anos de fundação, a Cooperfeira passará por uma revisão integral de seu estatuto, visando a renovação do quadro social e a entrada de novos cooperados. O modelo prevê a aquisição de cotas, independentemente da quantidade, mantendo o princípio do cooperativismo, em que cada associado possui direito a um voto, independentemente da participação financeira.
“Queremos atrair uma nova geração de cooperados, pois muitos dos fundadores já faleceram ou estão inativos”, afirmou Beto.
Evento de 50 anos e homenagens
A comemoração dos 50 anos da Cooperfeira ocorrerá em outubro de 2025, com três eventos confirmados:
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Sessão solene na Câmara Municipal de Feira de Santana;
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Homenagem a ex-dirigentes como João Martins da Silva Júnior (presidente da CNA) e Luís Alvim Boaventura (ex-presidente da cooperativa);
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Entrega de prêmios a funcionários com mais de 30 anos de serviço.
A estrutura do frigorífico passará a se chamar Parque Industrial Luís Alvim Boaventura, como reconhecimento ao dirigente que liderou sua implantação.
Impactos das sanções dos EUA ao setor de carne bovina
Falcão também comentou as sanções comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump, que incluem uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira a partir de 1º de agosto de 2025.
Segundo ele, os Estados Unidos são o segundo maior comprador da carne bovina nacional, e a medida deve impactar diretamente o setor, inclusive já provocando queda de 6% a 7% no preço do boi no Brasil.
“O Brasil terá que buscar novos mercados com urgência. A decisão americana reflete interesses geopolíticos e precisa ser enfrentada com estratégia diplomática, sem partidarismo”, defendeu o dirigente.
Geopolítica e diversificação de mercados
Na avaliação de Beto Falcão, o Brasil precisa diversificar seus destinos de exportação, voltando-se para Oriente Médio, Europa e Ásia, e utilizando a força do Itamaraty para mediar conflitos e abrir portas comerciais.
Ele destacou que a questão vai além da economia e reflete a polarização política entre o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado dos EUA, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, próximo da China, o que acentua as tensões geopolíticas.
Cadeia produtiva bovina e inteligência artificial
Falcão pontuou que o Brasil deve investir no fortalecimento da cadeia produtiva da carne bovina, na agregação de valor e no uso de inteligência artificial para ampliar a competitividade.
Segundo ele, a industrialização da carne — com cortes, embalagens e subprodutos — já representa um polo de desenvolvimento regional e precisa ser acompanhada por inovação tecnológica e planejamento estratégico.
Fortalecer a Cooperfeira
Beto Falcão concluiu que a função do Estado é garantir bem-estar social, ao passo que a função das cooperativas é prestar serviços aos seus associados, com eficiência e resultados econômicos sustentáveis. Ele reafirmou o compromisso de fortalecer a Cooperfeira, mantendo sua função social, econômica e regional.
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