Crise Brasil-EUA: Tarifa de 50%, sanções a Moraes, impasse diplomático e reação do presidente Lula agitam relações bilaterais

Na semana de 22 a 24 de julho de 2025, a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos se intensificou com as sanções do governo Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, a iminente aplicação de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e o bloqueio dos canais formais de negociação. O governo brasileiro busca apoio empresarial e internacional para evitar as tarifas, enquanto o STF enfrenta tensões internas sobre os impactos jurídicos e políticos das medidas em curso.
A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos se intensifica com sanções do governo Trump a ministros do Supremo, bloqueio dos canais formais de diálogo bilateral e reafirmação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, ampliando o impasse comercial e institucional entre os países.

Nesta quinta-feira (24/07/2025), o subsecretário para Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Darren Beattie, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes é o “coração pulsante” da perseguição contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi publicada na plataforma X (ex-Twitter) e replicada nas redes da Embaixada dos EUA no Brasil.

O discurso hostil ocorre no contexto de pressões do governo Donald Trump para sanções financeiras ao ministro, com base na Lei Magnitsky, e da decisão do secretário de Estado Marco Rubio, no último dia 18/07, de revogar os vistos de Moraes, seus familiares e colegas de corte.

Segundo Rubio, o STF promove uma “caça às bruxas política” e é responsável por restringir a liberdade de expressão nos EUA. O governo Lula considera essas medidas como grave violação à soberania nacional.

STF adota tom de cautela diante da escalada

Dentro do Supremo Tribunal Federal, ministros passaram a defender cautela nas ações contra Bolsonaro, diante do risco de prejuízos diplomáticos e de desestabilização institucional. A decisão do ministro Moraes que ameaçava prender o ex-presidente por violar medidas cautelares foi criticada nos bastidores por tensionar o cenário.

Cinco ministros consultados pela imprensa avaliaram que não haveria fundamento para uma prisão preventiva e que o processo contra Bolsonaro está próximo do fim. A imposição de restrição de entrevistas, com ameaça de prisão, gerou repercussão negativa.

O ministro Luiz Fux, ao votar contra as medidas cautelares, ressaltou que “os juízes devem obediência à Constituição, e não a pressões externas”. A revogação dos vistos dos ministros, embora simbólica, foi considerada ofensiva ao Judiciário brasileiro.

Tarifa de 50% sobre produtos brasileiros entra em contagem regressiva

A tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros está prevista para entrar em vigor em 01/08/2025. O governo dos Estados Unidos condiciona a abertura de negociações a uma autorização formal da Casa Branca, que até agora não ocorreu.

Na quinta-feira (24/07), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com firmeza: “Se ele [Trump] estiver trucando, vai tomar um seis“, disse em evento em Minas Gerais. Lula afirmou que os motivos da tarifa são mentirosos, que o Brasil está aberto ao diálogo, mas que não aceitará imposições unilaterais.

WEG avalia redirecionar exportações e não aumentar preços

Diante do cenário de incerteza, a fabricante de motores WEG anunciou em teleconferência que pretende realocar sua produção para fábricas no México e nos EUA, a fim de evitar os impactos da tarifa. A empresa informou que não planeja aumentar preços, para evitar perda de competitividade.

Pressão da indústria americana do aço por flexibilização

O presidente da Steel Dynamics, Barry Schneider, declarou que a tarifa é “preocupante” e pediu alívio para o ferro-gusa, essencial na produção de aço nos EUA. O Brasil fornece 73% do ferro-gusa importado pelos americanos.

A medida também afeta empresas como Nucor e Cleveland-Cliff, que lucraram com a redução da concorrência estrangeira após as tarifas, mas temem impacto na cadeia produtiva.

Interesse dos EUA em minerais críticos brasileiros

Durante encontro com representantes do setor privado e do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, demonstrou interesse em minerais críticos brasileiros, como lítio, níquel, terras raras e nóbio.

Escobar destacou a importância da Política Nacional de Minerais Estratégicos, ainda em elaboração. Embora não tenha vinculado formalmente a discussão aos embargos tarifários, o tema pode entrar na agenda de negociações.

Posicionamento do Brasil na OMC

Em discurso na Organização Mundial do Comércio (OMC) na quarta-feira (23/07), o embaixador Philip Fox-Drummond Gough criticou, sem citar Trump, o uso de tarifas como instrumento de pressão política.

Segundo Gough, o Brasil está disposto a negociar, mas caso não haja avanços, recorrerá ao sistema de solução de controvérsias da OMC. As tarifas foram classificadas como “arbitrárias e caóticas“, com potencial de gerar estagnação econômica global.

Empresariado dos EUA busca evitar tarifação

Setores americanos com forte dependência de produtos brasileiros, como suco de laranja, café, petróleo, carne bovina, produtos químicos e aeronaves, manifestaram preocupação com os impactos das tarifas.

As empresas Johanna Foods e Johanna Beverages ingressaram com ação judicial contra as tarifas no Tribunal de Comércio Internacional de Nova York, argumentando que Trump excedeu seus poderes ao vincular tarifas a temas políticos.

Eduardo Bolsonaro acusa STF de bloquear contas da esposa

No contexto da crise judicial, política e diplomática, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que o STF, por decisão de Moraes, bloqueou as contas bancárias de sua esposa, Heloísa Bolsonaro. Segundo o parlamentar, trata-se de uma medida “sem qualquer justificativa legal“.

Eduardo está nos EUA desde março e teria articulado as sanções contra Moraes junto ao governo Trump, o que o colocou na mira de investigação no Supremo.

Embaixada americana ironiza imigração brasileira

Adicionalmente, no mesmo dia (23/07), a Embaixada dos EUA no Brasil publicou mensagem dizendo que “até o E.T. sabia a hora de voltar para casa“, aludindo à situação de brasileiros ilegais nos Estados Unidos e incentivando o retorno via aplicativo de autodeportação.

A medida foi vista como parte do endurecimento das políticas migratórias sob a nova gestão de Trump.

*Com informações da BBC, Reuters, Veja e Folha de S.Paulo.


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