A 66ª Cúpula do Mercosul, realizada em Buenos Aires, Argentina, evidenciou posições distintas entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente argentino Javier Milei sobre os rumos do bloco sul-americano. O encontro reuniu os chefes de Estado de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.
Em seu discurso, Javier Milei reiterou a necessidade de reformas que ampliem a liberdade econômica. Segundo ele, o Mercosul precisa se adaptar às exigências do comércio global.
“Seguiremos o caminho da liberdade, acompanhados ou sozinhos, porque a Argentina não pode esperar”, afirmou Milei, ao transferir a presidência pro tempore do bloco para o Brasil.
O presidente argentino voltou a criticar o Mercosul, a quem já chamou de “cortina de ferro”, e defendeu a abertura de negociações unilaterais. Ele destacou o recente avanço no acordo de livre comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), cuja assinatura está prevista para os próximos meses, e mencionou tratativas em curso com os Emirados Árabes Unidos, El Salvador e Panamá.
Milei também classificou como “oportunidade histórica” o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, finalizado em 2024, mas ainda pendente de ratificação por países europeus, como a França, que tem manifestado resistência a pontos do tratado.
Lula defende integração regional e fortalecimento do Mercosul
Em sua fala de posse como presidente rotativo do bloco, Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou o compromisso com a consolidação do Mercosul como espaço de integração e cooperação regional. Para o presidente brasileiro, a solidez institucional e a tarifa externa comum são instrumentos fundamentais para proteger os países-membros em um contexto global de incertezas econômicas.
“Estar no Mercosul nos protege. Nossa tarifa externa comum nos blinda contra guerras comerciais alheias”, declarou Lula, defendendo a manutenção do bloco como plataforma de desenvolvimento e inserção internacional.
Lula também demonstrou otimismo em relação à assinatura dos acordos com a União Europeia e com a EFTA até o fim de 2025, ressaltando que a consolidação dessas parcerias formará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. O presidente acrescentou que o bloco deve ampliar seu foco para outras regiões, especialmente a Ásia, com ênfase em negociações com Japão, China, Coreia do Sul, Índia, Vietnã e Indonésia.
Visões opostas marcam transição da liderança do bloco
O contraste entre as abordagens de Lula e Milei sinaliza caminhos distintos quanto ao futuro da integração regional. Enquanto o argentino defende reformas para ampliar a liberalização econômica, o brasileiro enfatiza a cooperação entre os países do Mercosul como instrumento estratégico de proteção e desenvolvimento.
*Com informações da RFI.








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