Ministro Fernando Haddad defende justiça fiscal e critica Governo Bolsonaro durante lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar para 2025 e 2026

Nesta segunda-feira (01/07/2025), durante cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026, no Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez um pronunciamento político e econômico em defesa da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua fala, Haddad elogiou os resultados alcançados no setor agrícola, defendeu a justiça fiscal, criticou a omissão do governo anterior e rebateu acusações feitas por Jair Bolsonaro nas redes sociais.

Abertura: homenagem ao campo e ao Plano Safra

Fernando Haddad iniciou sua fala destacando a importância do terceiro Plano Safra lançado pela atual gestão. Segundo ele:

“Nós temos muitas razões para festejar esse terceiro Plano Safra apresentado pelo presidente Lula (…). Nós estamos vendo os resultados chegando com produção crescente, preço caindo — e é isso que esse Plano Safra mais uma vez oferece para a comunidade do campo”.

O ministro destacou o papel dos ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) na construção da política agrícola voltada à agricultura familiar.

Resposta às redes sociais e críticas ao ex-presidente

Logo em seguida, Haddad mudou o tom e reagiu às críticas feitas por Jair Bolsonaro, que, segundo ele, tenta desinformar a população por meio das redes sociais:

“Acordei pela manhã e vi o ataque que o senhor sofreu do seu antecessor (…). Ele resolveu lhe atacar porque está chateado pelo fracasso do evento na Paulista”.

“O senhor nunca pediu anistia, nunca pediu perdão. Pediu justiça. Já ele, sem ser julgado, pede perdão e foge do debate”.

O ministro reiterou que o governo Lula promoveu o maior investimento social da história recente, e rebateu a acusação de que o atual governo teria cortado benefícios sociais:

“Hoje ele [Bolsonaro] está acusando o senhor de cortar BPC, de cortar benefícios. O senhor é responsável pelo maior incremento de investimentos em programas sociais da história do Brasil”.

Dados econômicos apresentados por Haddad

Haddad enumerou avanços econômicos ocorridos desde o início da gestão Lula em 2023, comparando com indicadores do governo anterior. Os principais dados apresentados podem ser organizados nas seguintes categorias:

 Indicadores sociais

  • População com fome:

    • 2022: 33 milhões de pessoas

    • 2025: menos de 8 milhões

  • Taxa de desemprego:

    • Menor da série histórica, segundo Haddad.

  • Taxa de jovens que não estudam nem trabalham (nem-nem):

    • Menor nível já registrado.

Indicadores econômicos

  • Inflação:

    • Em queda, segundo dados do IBGE.

  • Dólar:

    • Em queda, favorecendo estabilidade de preços.

  • PIB:

    • Em alta, com projeções positivas até o fim de 2025.

  • Renda real:

    • Crescimento acima da inflação, inclusive no setor de alimentos.

Política tributária

  • Correção da tabela do Imposto de Renda:

    • Sem reajuste entre 2015 e 2022

    • Reajuste realizado em 2023 e ampliado em 2025

  • Nova faixa de isenção:

    • Antes: R$ 1.903

    • Atual: até R$ 3.000 (dois salários mínimos)

  • Impacto da nova faixa:

    • 10 milhões já beneficiados

    • Mais 10 milhões serão beneficiados com aprovação de nova lei

    • Outros 5 milhões pagarão menos imposto

  • Contrapartida para alta renda:

    • 140 mil brasileiros com renda anual acima de R$ 1,2 milhão pagarão um adicional de 8%, totalizando alíquota de 10%

“Nós vamos terminar o mandato do presidente Lula com 25 milhões de famílias pagando ou nada ou menos imposto de renda. Isso é fazer justiça fiscal”.

Defesa da justiça fiscal e crítica às brechas legislativas

Haddad reiterou a posição do governo federal de não aumentar tributos para os mais pobres, mas eliminar isenções e privilégios criados por interesses corporativos:

“Jabutis aparecem nas leis e são sempre órfãos de pai e mãe. Mas, em geral, favorecem grandes empresários. Tirar esses privilégios não é aumentar imposto. É respeitar o trabalhador”.

Ao rebater o argumento da oposição de que o governo está promovendo aumento de impostos, o ministro afirmou:

“Não é aumento de imposto. É justiça fiscal. É pedir que quem ganha muito pague o mesmo que uma professora de escola pública ou um policial militar”.

Chamada à reflexão sobre desigualdade e democracia

Haddad finalizou com uma crítica à má distribuição de renda no Brasil e defendeu a continuidade das políticas sociais e econômicas da atual gestão:

“O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, mas também entre os dez piores países em distribuição de renda. Não podemos nos esquecer disso”.

“Vamos mudar o Brasil. Vamos continuar lutando pela justiça no campo, na cidade e na fábrica. Esse é o sentido do nosso governo”.


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