O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizou nesta quinta-feira (03/07/2025) uma visita à ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, atualmente em prisão domiciliar após condenação por corrupção pela Suprema Corte argentina. O encontro ocorreu em Buenos Aires, horas após a participação de Lula na 66ª Cúpula do MERCOSUL.
A visita durou 50 minutos e foi realizada com autorização judicial, sob medidas de segurança e com mobilização de militantes que aguardavam na rua. Durante a reunião, Lula manifestou solidariedade à ex-presidente argentina, que afirma ser vítima de perseguição política e judicial. Acompanhando o encontro estavam o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, e o deputado Eduardo Valdés, que se reuniram com Lula na residência do embaixador brasileiro.
Manifestações de apoio
Após a visita, Pérez Esquivel declarou que a presença de Lula reforça a denúncia sobre o uso de lawfare — termo utilizado para descrever perseguições judiciais com motivações políticas — como instrumento para retirar líderes progressistas da disputa eleitoral.
“É muito importante que Lula tenha vindo manifestar solidariedade e apoio à Cristina. Essa visita ajuda a criar consciência coletiva sobre o uso do lawfare”, afirmou.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou ter encontrado Cristina “bem, com força e gana de luta”, e destacou o laço pessoal e político com a ex-presidente, com quem compartilha trajetória no combate às desigualdades e defesa da justiça social. Ele posou para uma foto segurando um cartaz com os dizeres “Cristina Livre”, acompanhado por Pérez Esquivel, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o deputado Valdés, que segurava um cartaz com a frase “Lula Livre”, em referência ao período em que Lula esteve preso.
Cristina Kirchner, de 72 anos, cumpre prisão domiciliar desde 17/06/2025, após a confirmação de sua sentença de seis anos de prisão por fraude ao Estado, no caso conhecido como Vialidad. A condenação impede que ela exerça cargos públicos de forma vitalícia. Em comunicado, Cristina afirmou que o Judiciário argentino tornou-se um instrumento político a serviço de interesses econômicos e comparou sua situação com a de Lula, cujo processo foi posteriormente anulado no Brasil.
Repercussão política
A visita ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Lula e o atual presidente argentino, Javier Milei, que evitou contato direto com o líder brasileiro durante a Cúpula do MERCOSUL. No evento, a presidência pro tempore do bloco foi transferida da Argentina para o Brasil. Em seus discursos, Milei criticou o protecionismo do bloco e sugeriu a flexibilização de suas regras, enquanto Lula defendeu o MERCOSUL como plataforma estratégica de integração regional.
A esperada aparição pública de Lula e Cristina Kirchner na varanda da residência não ocorreu, em respeito às restrições judiciais e à tranquilidade dos moradores da região. Após a visita, Lula retornou à embaixada do Brasil, encerrando sua agenda oficial na Argentina.
Contexto da condenação
Cristina Kirchner foi condenada por supostamente favorecer o empresário Lázaro Báez com contratos públicos durante seu governo. Ela alega inocência e afirma que a decisão judicial é parte de uma ofensiva política contra o peronismo, movimento do qual é uma das principais lideranças. A ex-presidente governou a Argentina entre 2007 e 2015, e foi vice-presidente entre 2019 e 2023.
Em junho de 2025, Cristina anunciou intenção de concorrer ao Congresso Nacional, apesar da sentença que a impede de ocupar cargos públicos. Sua candidatura dependeria de reviravoltas judiciais.
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