Tainá Santos assume presidência do Conselho Estadual de Cultura da Bahia para o biênio 2025–2027

O Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC) empossou, na sexta-feira (04/07/2025), sua nova mesa diretora para o biênio 2025–2027. A produtora cultural Tainá Santos, de 25 anos, assumiu a presidência do colegiado ao lado do vice-presidente Pedro Son. A nova gestão tem como prioridade o fortalecimento da cultura de base, a escuta da sociedade civil e a ampliação da representatividade territorial.
Artista e produtora do Recôncavo Baiano é eleita com foco em renovação, participação popular e fortalecimento das políticas culturais no estado.

O Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC) realizou, na manhã desta sexta-feira (04/07/2025), a cerimônia oficial de posse de sua nova mesa diretora para o biênio 2025–2027. A artista e produtora cultural Tainá Santos, de 25 anos, assumiu a presidência do colegiado, ao lado do vice-presidente eleito Pedro Son, em solenidade realizada na sede do órgão, localizada no bairro do Canela, em Salvador.

A nova gestão foi eleita em 30 de maio e sucede o ex-presidente Gilmar Faro. A cerimônia reuniu conselheiros, representantes da sociedade civil, lideranças culturais e autoridades públicas, marcando um novo ciclo de atuação do CEC, com ênfase em representatividade territorial, ampliação da escuta social e defesa das culturas populares no estado.

Representando o território de identidade do Recôncavo Baiano, Tainá Santos assumiu a presidência com o compromisso de reforçar o papel da sociedade civil no processo decisório do Conselho. Em sua fala, destacou a legitimidade de sua eleição como símbolo de inclusão e mobilização popular:

“Quando me coloco enquanto presidência, quem me dirige é a sociedade civil, que foi quem me trouxe. Chegar até aqui é entender que outras pessoas também podem chegar”, declarou.

Vice-presidente reafirma compromisso com cultura de base

O vice-presidente Pedro Son também reforçou os princípios que nortearão a nova gestão. Segundo ele, o objetivo comum é valorizar as manifestações culturais e promover o ativismo cultural por meio da participação ativa da comunidade:

“Eu e Tainá temos o mesmo jeito de fazer cultura: buscando a participação ativa de todos, apoiando manifestações culturais, os mestres da cultura e promovendo o ativismo. Este é um desafio que não se vence sozinho.”

Governo do Estado destaca pluralidade da nova mesa diretora

Presente à solenidade, o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Bruno Monteiro, apontou a diversidade da nova presidência como reflexo da atual fase da política cultural baiana. Ressaltou que a liderança de Tainá, mulher, negra, jovem, do interior e ligada à cultura popular, representa um avanço institucional e político:

“A experiência de Pedro Son somada à renovação representada por Tainá simboliza o compromisso do Conselho com pautas históricas e com os desafios contemporâneos das políticas culturais na Bahia”, afirmou.

Presenças institucionais reforçam relevância política da posse

A deputada estadual Olívia Santana classificou o momento como politicamente significativo para o estado:

“Ter uma jovem negra, que tem a cara da Bahia, assumindo o comando do Conselho Estadual de Cultura é muito importante. Essa soma se multiplica em potencialidades.”

O diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães, também destacou o caráter plural e inclusivo do atual colegiado e os desafios para o fortalecimento das políticas públicas de cultura no Brasil.

Trajetória de Tainá Santos: cultura, ativismo e inclusão

Tainá é a terceira mulher a presidir o CEC, sucedendo Eulâmpia Santana Reiber (2005–2006) e Pam Batista (2019–2021). Nascida na zona rural de São Miguel das Matas, no Vale do Jiquiriçá, é estudante de História da UNEB, Abiã de Candomblé, produtora cultural da Gangcity e da Rede RUA, além de integrante do grupo artístico 7KMob.

Diagnosticada com TDAH e TEA na adolescência, iniciou sua atuação cultural por meio do hip hop e da poesia, organizando eventos no Recôncavo com foco em artistas periféricos e questões de gênero. Sua entrada no Conselho se deu após atuação como jurada em batalha de rap realizada em Salvador. Pouco tempo depois, foi eleita conselheira do Recôncavo e, posteriormente, presidente.

Estrutura e papel institucional do CEC

O Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC), criado em 1967, é um órgão colegiado vinculado ao Sistema Estadual de Cultura, com função consultiva e propositiva na formulação de políticas culturais. Conforme a Lei Orgânica da Cultura (12.365/11), é composto por 30 membros titulares e suplentes, sendo dois terços eleitos pela sociedade civil e um terço indicado pelo poder público. Foi o primeiro conselho estadual do país a adotar o modelo de representação popular por meio de eleições diretas.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.