Reportagem de Aguirre Talento, publicada nesta sexta-feira (29/08/2025) no Estadão, revela que o escritório da advogada Anna Carolina Noronha, filha do ministro do STJ João Otávio de Noronha, recebeu R$ 300 mil da Fource Consultoria, empresa investigada pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção em instâncias superiores. Os pagamentos, registrados pelo Coaf entre 2020 e 2021, coincidiram com quatro processos da Fource relatados pelo ministro no STJ. O caso envolve ainda o uso de aeronave de sócio da empresa por Noronha, decisão favorável à Bom Jesus Agropecuária – ligada à Fource e à Operação Faroeste – e integra a teia investigada pela Operação Sisamnes, que apura a venda de sentenças no Judiciário. A situação levanta suspeitas de conflito de interesse, déficit de transparência e fragilidade das regras de impedimento, reacendendo o debate sobre reformas estruturais no sistema judicial brasileiro.
Pagamentos da Fource sob investigação da PF
O escritório da advogada Anna Carolina Noronha, filha do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, recebeu R$ 300 mil da empresa Fource, investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de corrupção em diferentes instâncias do Judiciário.
Segundo relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), os repasses ocorreram entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021, divididos em três pagamentos. No mesmo período, quatro processos ligados a um fundo de investimentos operado pela Fource (Afare I) estavam sob relatoria do ministro no STJ.
Embora Anna Carolina Noronha não tenha atuado formalmente nos autos, a PF destacou que todos os casos envolvendo a Afare I foram relatados por João Otávio de Noronha. O padrão de distribuição chamou atenção dos investigadores, mesmo considerando critérios como prevenção processual, que podem concentrar casos semelhantes em um mesmo magistrado.
Nos quatro processos, Noronha rejeitou dois recursos da Afare e deferiu a desistência de outros dois. A defesa do ministro informou que suas decisões foram desfavoráveis à empresa em dois casos, enquanto nos outros apenas atendeu a pedidos de desistência.
Relatórios e conexões investigadas
O relatório do Coaf, inicialmente produzido para instruir uma disputa comercial, foi incorporado às apurações da PF. A investigação agora se concentra em quebras de sigilo bancário da Fource e em diálogos de sócios da empresa com familiares de ministros do STJ, incluindo Haroldo Augusto Filho, apontado como interlocutor frequente.
Outro elemento sob análise é o uso de aeronave privada de um sócio da Fource por Noronha, em viagem de Brasília a Cuiabá para participar de evento da OAB de Mato Grosso. O ministro se declarou impedido de relatar inquérito contra o empresário, mas, em outra frente, deu decisão favorável à Bom Jesus Agropecuária, empresa ligada à Fource.
Decisão em favor da Bom Jesus Agropecuária
A Bom Jesus Agropecuária, que firmou Acordo de Leniência no âmbito da Operação Faroeste, teve seu processo de Recuperação Judicial conduzido pela Fource Consultoria e foi posteriormente beneficiada por decisão do ministro do STJ João Otávio de Noronha.
Em julho de 2025, o ministro determinou que a competência de um processo sobre fraude em contrato de parceria rural em Mato Grosso fosse mantida conforme o pedido da empresa. A parte contrária contestou, pedindo a suspeição de Noronha, ainda não analisada.
O gabinete do ministro afirmou, em nota, que a decisão seguiu jurisprudência consolidada do STJ, reiterando que o deferimento da liminar foi fundamentado em precedentes sobre conflitos de competência.
Impactos institucionais e a confluências entre as Operações Sisamnes e Faroeste
O caso em análise expõe a complexa rede de conexões que envolve empresas em litígio, familiares de ministros e instâncias superiores do Judiciário e as investigações federais dos Casos Faroeste e Sisamnes. Ainda que João Otávio de Noronha sustente que suas decisões não beneficiaram diretamente a Fource, o fato de sua filha ter recebido pagamentos no mesmo período em que processos da empresa estavam sob sua relatoria levanta questionamentos relevantes sobre conflitos de interesse e transparência institucional.
A situação escancara a fragilidade das regras de impedimento e suspeição no Judiciário brasileiro, sobretudo quando familiares de magistrados atuam em escritórios de advocacia que mantêm relações com partes litigantes. Mesmo diante da alegação de imparcialidade por parte de Noronha e da existência de decisões desfavoráveis à Fource, a coincidência temporal entre pagamentos, julgamentos e vínculos pessoais reforça a percepção de risco de captura institucional.
O episódio ganha contornos ainda mais delicados com a decisão em favor da Bom Jesus Agropecuária, empresa vinculada à Fource. O caso sugere que os interesses em disputa vão além do âmbito familiar, alcançando um entroncamento econômico e jurídico no qual empresas, consultorias e magistrados se encontram em zonas de influência mútua.
A recorrência de episódios envolvendo a Fource indica um padrão preocupante de aproximação empresarial junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Embora inexista, até o momento, comprovação definitiva de favorecimento deliberado, o conjunto de elementos disponíveis — pagamentos à filha de ministro, uso de aeronave de sócio investigado, decisões com impacto direto em empresas parceiras — contribui para erosão da credibilidade institucional.
A ausência de esclarecimentos contundentes por parte da advogada Anna Carolina Noronha e a postura defensiva do ministro Noronha alimentam a percepção pública de que há déficit de accountability no Judiciário. Este episódio, assim, não apenas fragiliza a imagem do STJ, mas também reacende o debate sobre a necessidade de reformas estruturais que ampliem os mecanismos de controle, fiscalização e transparência na atuação de magistrados e seus familiares.
Linha do tempo sobre citações da Fource Consultoria e sócios
A seguir, uma linha do tempo com os principais eventos envolvendo a Fource, seus sócios e menções em investigações:
- 2020 (fevereiro a dezembro): Pagamentos iniciais da Fource ao escritório de Anna Carolina Noronha, registrados em relatório do Coaf.
- 2020-2021: Quatro processos ligados ao fundo Afare I, controlado pela Fource, caem sob relatoria de João Otávio de Noronha no STJ.
- Fevereiro de 2021: Relatório do Coaf confirma três pagamentos totalizando R$ 300 mil à filha do ministro.
- 2022: Avanço das apurações sobre conexões da Fource com desembargadores do TJ-MT e indícios de venda de decisões judiciais.
- 2023: PF amplia a investigação, com quebras de sigilo da Fource e análise de conversas de sócios, incluindo Haroldo Augusto Filho.
- 2024: Reportagens revelam uso de aeronave de sócio da Fource por João Otávio de Noronha, levantando suspeitas de favorecimento.
- Julho de 2025: Noronha profere decisão favorável à Bom Jesus Agropecuária, empresa com vínculos diretos à Fource.
- Agosto de 2025: Exclusiva do Estadão revela que o escritório da filha de Noronha recebeu pagamentos de R$ 300 mil da empresa.
Linha do Tempo sobre a Operação Sisamnes e fatos conexos
Foco original da investigação: venda de sentenças judiciais
A Operação Sisamnes foi deflagrada em 26 de novembro de 2024 pela Polícia Federal, com autorização do STF, tendo como alvo a venda de decisões judiciais em tribunais superiores, especialmente no STJ. O nome remete ao juiz persa Sisamnes, executado por corrupção a mando do rei Dario I, símbolo de punição exemplar contra desvios judiciais.
A operação está sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), com decisões autorizadas por ministros como Cristiano Zanin, e possui ramificações em outros estados, com apurações em curso e potencial para novos desdobramentos.
1ª fase – 26/11/2024
- Investigação inicial sobre compra e venda de decisões judiciais.
- Alvos incluíram lobistas, advogados e servidores de gabinetes de ministros do STJ.
- Houve cumprimento de mandados de busca e afastamento de auxiliares.
2ª fase – 20/12/2024
- Continuidade da apuração sobre corrupção judicial.
- Novos mandados de busca e apreensão, com foco em lavagem de dinheiro.
5ª fase – 13/05/2025
- Apuração sobre lavagem de dinheiro, evasão de divisas e câmbio clandestino.
- Cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão.
- Sequestro de R$ 20 milhões e apreensão de passaportes.
6ª fase – 14/05/2025
- Investigação por obstrução de Justiça.
- Dois investigados presos preventivamente.
- O operador financeiro Diego Cavalcante foi apontado como responsável por movimentar cerca de R$ 6,5 milhões.
7ª fase – 28/05/2025
- Apuração do assassinato do advogado Roberto Zampieri (2023, Cuiabá/MT).
- Identificação de rede de espionagem e homicídios por encomenda ligada ao esquema.
- 5 mandados de prisão preventiva, 6 de busca e apreensão e medidas cautelares como monitoramento eletrônico, recolhimento domiciliar noturno e apreensão de passaportes.
8ª fase – 29/05/2025
- Foco em corrupção judicial e lavagem de dinheiro.
- Alvo principal: magistrado do TJ-MT.
- 3 mandados de busca e apreensão, afastamento do magistrado, sequestro de R$ 30 milhões e restrição de viagens.
9ª fase – 30/05/2025
- Apuração de vazamento e comercialização de informações sigilosas da PF e do STJ.
- Operação restrita a Palmas (TO).
- 3 mandados de busca, proibição de contato entre investigados e retenção de passaportes.
- Decisão do ministro Cristiano Zanin (STF): autorizou a fase, mas rejeitou pedidos de prisão preventiva e afastamento de função pública contra o prefeito José Eduardo Siqueira Campos e o advogado Michelangelo Cervi Corsetti.
10ª fase – 27/06/2025
- Ocorre a prisão do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), além de um policial civil e um advogado. Investigação aponta vazamentos de informações sigilosas do STJ para proteção de aliados.
Eventos correlatos e revelações posteriores
- 31/05/2025 – Reportagem revelou que o ministro Og Fernandes repassou R$ 899 mil ao ex-chefe de gabinete, alvo de investigação.
- 05/06/2025 – Prefeito de Palmas (Eduardo S. Campos) disse em gravação que teria sido alertado por João Otávio de Noronha, em 2010, sobre operações da PF; o ministro negou.
- 27/06/2025 – Prisão do prefeito de Palmas por suspeita de vazamento de investigações do STJ.
- 2022 – Ministro Marco Buzzi participou de evento patrocinado pela Fource e concedeu liminar em processo fundiário ligado à empresa.
- Abril/2024 – Noronha viajou em aeronave cedida por Haroldo Augusto Filho (Fource) para evento da OAB-MT.
- Jun–Ago/2025 – PF investigou nexus entre Fource, Bom Jesus Agropecuária e venda de sentenças, unindo a Sisamnes à Operação Faroeste.
- 19/08/2025 – PF consolidou indícios de proximidade entre magistrados, familiares e Haroldo Augusto Filho, incluindo uso de aeronaves e trocas de favores.
Linha do Tempo Consolidada Sobre o Caso Sisamnes
| Data | Fase / Evento | Destaques |
|---|---|---|
| 26/11/2024 | 1ª fase | Deflagração inicial: venda de sentenças no STJ (advogados, lobistas, servidores) |
| 20/12/2024 | 2ª fase | Continuidade da apuração, foco em lavagem de dinheiro |
| 13/05/2025 | 5ª fase | Lavagem de dinheiro, evasão de divisas; sequestro de R$ 20 milhões |
| 14/05/2025 | 6ª fase | Obstrução de Justiça; prisão de 2 suspeitos; Diego Cavalcante citado |
| 28/05/2025 | 7ª fase | Homicídio de Zampieri; espionagem; 5 prisões, medidas cautelares |
| 29/05/2025 | 8ª fase | Corrupção judicial no TJ-MT; sequestro de R$ 30 milhões |
| 30/05/2025 | 9ª fase | Vazamento de informações da PF e STJ; ações em Palmas/TO |
| 30/05/2025 | Decisão STF | Zanin autoriza 9ª fase; nega prisões e afastamentos contra autoridades |
| 31/05/2025 | Revelações sobre Og Fernandes | R$ 899 mil repassados ao ex-chefe de gabinete |
| 05/06/2025 | Denúncia de Eduardo Campos | Suposto alerta prévio de Noronha sobre operações da PF |
| 27/06/2025 | Prisão do prefeito de Palmas | Acusado de vazamento de investigações |
| 2022–2024 | Eventos paralelos | Avião da Fource usado por Noronha; evento patrocinado com liminar de Buzzi |
| Jun–Ago/2025 | Conexões Fource–Bom Jesus | Intersecção entre Sisamnes e Faroeste sob relatoria de Zanin |
| 19/08/2025 | Indícios contra ministros do STJ | PF aponta proximidade com Fource e Haroldo Augusto Filho |
O que foi a 5ª Fase da Operação Faroeste
Em 24 de março de 2020, a Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Faroeste, uma das maiores investigações de corrupção envolvendo o sistema judiciário do Brasil. A operação teve como objetivo desmantelar um esquema criminoso que operava dentro do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), envolvendo magistrados, advogados e empresários. O caso ganhou notoriedade com a prisão de membros importantes do sistema judiciário e o indiciamento de um empresário do setor agropecuário, Nelson José Vigolo, representante do Grupo Bom Jesus Agropecuária.
A Ação Controlada e o Papel dos Investigados
A ação policial foi autorizada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Og Fernandes, por meio do Pedido de Busca e Apreensão Criminal Nº 10 – DF (2019/0098024-2). Durante a operação, a Polícia Federal cumpriu prisões e realizou indiciamentos, entre os quais se destacam os de Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo, desembargadora do TJBA, seu filho Vasco Rusciolelli Azevedo, advogado, e Vanderlei Chilante, outro advogado envolvido no esquema. Além disso, Nelson José Vigolo, produtor rural e líder do Grupo Bom Jesus Agropecuária, foi indiciado por sua suposta participação em atividades ilícitas ligadas ao caso. A investigação revelou a existência de dois núcleos criminosos operando paralelamente, ambos relacionados ao conflito fundiário das terras da antiga Fazenda São José, em Formosa do Rio Preto.
O caso também é um desdobramento de uma longa investigação que identificou ações criminosas envolvendo o Mandado de Segurança nº 0023332-59.2015.8.05.0000, conduzido no Tribunal de Justiça da Bahia. A Polícia Federal registrou uma série de encontros e transações ilícitas entre os envolvidos no esquema, que eram monitorados de forma controlada, culminando nas prisões e no indiciamento.
O Ciclo Criminoso Desvelado pela Operação
O suposto ciclo criminoso revelado pela Operação Faroeste é detalhado em documentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) à Corte Especial do STJ.
De acordo com as investigações, o esquema envolvia pagamentos ilícitos para influenciar decisões judiciais no TJBA, com ênfase na negociação de processos relacionados a terras no estado da Bahia.
A seguir, estão os principais eventos registrados e monitorados pela PF:
- 27/01/2020 – Reunião entre Júlio César Ferreira Cavalcanti, advogado e ex-servidor do TJBA, e Vasco Rusciolelli Azevedo para organizar os recebimentos ilícitos de propina.
- 20/02/2020 – Encontro entre Júlio César e Vanderlei Chilante para agendamento de pagamentos e atos judiciais subsequentes.
- 16/03/2020 – Deslocamento de Geraldo Vigolo, levando valores provenientes de propina, em um veículo pertencente ao Grupo Bom Jesus Agropecuária, para o escritório de Vanderlei Chilante.
- 16/03/2020 – Movimentação de Vanderlei Chilante para entregar os valores da propina a Júlio César Ferreira Cavalcanti.
- 17/03/2020 – Encontro entre Júlio César e Vasco Rusciolelli para entrega de valores em espécie, acondicionados em uma mochila.
- 17/03/2020 – Circulação de Vasco Rusciolelli e Jamille Rusciolelli para dissociar os valores recebidos por Júlio César.
- 17/03/2020 – Chegada da propina na residência de Sandra Inês Rusciolelli Azevedo, desembargadora do TJBA.
- 24/03/2020 – Prisão de Sandra Inês Rusciolelli Azevedo, Vasco Rusciolelli Azevedo, Vanderlei Chilante e indiciamento de Nelson José Vigolo.
As investigações demonstraram a atuação coordenada dos envolvidos, com um ciclo de propinas que envolvia tanto magistrados quanto advogados e empresários, gerando graves implicações para o sistema judiciário e para o setor agropecuário na Bahia.
O Contexto do Mandado de Segurança e os Envolvidos
O Mandado de Segurança nº 0023332-59.2015.8.05.0000, que se tornou um dos principais focos da Operação Faroeste, foi alvo de negociações ilícitas entre os investigados. Sandra Inês Rusciolelli Azevedo, enquanto magistrada, era responsável pela decisão de um processo relacionado a terras na Bahia, e os envolvidos buscavam influenciar a sua decisão por meio de pagamentos ilegais. O ciclo de corrupção no âmbito deste processo se estendeu por diversos meses e foi monitorado pela PF, que obteve provas substanciais para o indiciamento dos envolvidos.
A colaboração de Júlio César Ferreira Cavalcanti, advogado e ex-servidor do TJBA, foi fundamental para o avanço das investigações. Ele forneceu detalhes sobre as operações criminosas e ajudou a Polícia Federal a rastrear os fluxos de dinheiro e as trocas de favores ilícitos entre os envolvidos.
Principais Dados da 5ª fase da Operação Faroeste
- Operação:
- Data da Deflagração: 24 de março de 2020.
- Fase: 5ª Fase da Operação Faroeste.
- Objetivo: Desmantelar esquema de corrupção envolvendo magistrados e advogados no TJBA.
- Prisões e Indiciamentos:
- Prisões: Sandra Inês Rusciolelli Azevedo (desembargadora), Vasco Rusciolelli Azevedo (advogado), Vanderlei Chilante (advogado).
- Indiciamento: Nelson José Vigolo (presidente do Grupo Bom Jesus Agropecuária).
- Ato Criminoso Principal:
- Mandado de Segurança: nº 0023332-59.2015.8.05.0000, relacionado a disputa fundiária na Bahia.
- Papel de Nelson Vigolo: Organizador da corrupção para influenciar decisões judiciais no TJBA.
- Colaboração do Criminoso Confesso:
- Criminoso Confesso: Júlio César Ferreira Cavalcanti, advogado e ex-servidor do TJBA, colaborou nas investigações.
- Monitoramento e Pagamentos de Propina:
- Data de Início das Atividades Ilícitas: Janeiro de 2020.
- Atos Monitorados: Reuniões, deslocamentos e pagamentos de propina, culminando na prisão em 24 de março de 2020.
O Impacto e as Consequências da Operação Faroeste
A 5ª fase da Operação Faroeste é um marco nas investigações sobre a corrupção dentro do sistema judiciário, trazendo à tona a complexidade do esquema criminoso e os interesses econômicos envolvidos, especialmente no contexto de disputas fundiárias. A prisão de figuras de destaque, como a desembargadora Sandra Inês Rusciolelli Azevedo, e o indiciamento de outros membros do grupo, como Nelson José Vigolo, refletem a profundidade da corrupção que permeava o TJBA. Este caso reforça a necessidade de vigilância constante e de medidas eficazes para combater a corrupção no sistema judicial brasileiro.
A operação não apenas expôs uma rede de corrupção no setor judiciário, mas também trouxe à tona os vínculos entre o poder político, a justiça e o setor empresarial, que frequentemente são usados para manipular decisões e garantir vantagens econômicas ilícitas. As investigações continuam e prometem revelar mais detalhes sobre as conexões entre os envolvidos.
O desfecho inicial da 5ª fase da Operação Faroeste representou um grave retrocesso no progresso das investigações, uma vez que todos os envolvidos, conforme relatado em diversas reportagens do Jornal Grande Bahia (JGB), tiveram suas Delações Premiadas (ou Colaboração Premiada) homologadas pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Og Fernandes.
À medida que o caso avançava, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu rescindir o acordo de delação premiada firmado em 2021 por Sandra Inês Rusciolelli Azevedo — desembargadora afastada do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) — e seu filho, o advogado Vasco Rusciolelli Azevedo. A justificativa foi o descumprimento de diversas obrigações previstas no pacto, incluindo a ausência em audiências, a resistência ao pagamento de multas e a omissão na alienação de bens, entre os quais consta um imóvel de luxo avaliado em cerca de R$ 4,5 milhões.
No mesmo contexto, fontes do Jornal Grande Bahia (JGB) confirmaram que a Procuradoria‑Geral da República (PGR) protocolou pedido formal para declarar a nulidade dos benefícios da delação concedida a Sandra Inês e a Vasco Rusciolelli, na tentativa de corrigir a homologação anterior vista como errônea.
Além disso, as fontes — identificadas como especialmente indignadas com a sequência de ocorridos — relataram que a maioria das terras da antiga Fazenda São José, em Formosa do Rio Preto (BA), permanece sob domínio do Grupo Bom Jesus Agropecuária. Esse fato contraria o previsto na legislação aplicável para casos que envolvem suspeita de crimes fundiários com intermediação de agentes públicos, sobretudo quando vinculados a delações homologadas posteriormente anuladas ou rescindidas.
Terras da antiga Fazenda São José e o controle pela Bom Jesus Agropecuária
-
As investigações da Operação Faroeste, especialmente em sua 5.ª fase em março de 2020, confirmaram que o Grupo Bom Jesus Agropecuária, sucedâneo do grupo Okamoto, detém a maior parte das terras da antiga Fazenda São José, em Formosa do Rio Preto (BA), totalizando área de aproximadamente 360 mil hectares.
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Fontes do JGB apontam que, ainda que envolvidas em investigação e suspeitas de grilagem, as terras permanecem sob domínio do grupo privado, o que entra em flagrante conflito com a legislação aplicável a casos de corrupção fundiária e crimes com uso de decisões judiciais fraudadas.
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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) suspendeu procedimentos sobre essas terras, o que resultou em impasse judicial que acabou protegendo, ainda que temporariamente, o domínio territorial consolidado pelo Grupo Bom Jesus.
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