O que diz a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin que revalida investigação federal contra o deputado Binho Galinha na Operação El Patrón

STF, por decisão de Cristiano Zanin, valida uso de relatórios do Coaf e mantém investigação da Operação El Patrón contra Binho Galinha. Liminar reverte decisão do STJ e reforça a constitucionalidade do compartilhamento de dados financeiros sem autorização judicial prévia.
Cristiano Zanin, do STF, reverte decisão do STJ, valida provas do Coaf e mantém investigação contra Binho Galinha por crime organizado na Operação El Patrón, na Bahia.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta sexta-feira (08/08/2025) liminar na Reclamação Constitucional nº 81.546 e cassou decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de 26/06/2025, que anulava o uso de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf na Operação El Patrón. A ação, deflagrada em 07/12/2023 e desdobrada na Operação Hybris em abril de 2024, investiga organização criminosa armada envolvida em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos em Feira de Santana (BA), tendo como um dos alvos o deputado estadual  Kléber Cristian Escolano de Almeida (Binho Galinha, PRD-BA). A decisão reafirma o Tema 990 do STF, que valida o compartilhamento de dados financeiros sem autorização judicial prévia, desde que formalmente solicitado e preservado o sigilo. Quatro dias antes, em 05/08/2025, Binho Galinha recebeu na Assembleia Legislativa da Bahia o Título de “Amigo da Polícia Militar da Bahia”, concedido pela União das Entidades Representativas dos Militares Estaduais.

O que diz o ministro do STF Cristiano Zanin sobre provas na Operação El Patrón

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar na Reclamação Constitucional nº 81.546 para cassar decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que havia invalidado o uso de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) na Operação El Patron, investigação que envolve o deputado estadual Binho Galinha (PRD-BA) e outros acusados. A medida restabelece a legalidade do compartilhamento de dados financeiros sem necessidade de prévia autorização judicial, conforme o Tema 990 da repercussão geral.

O caso e a decisão do STJ

A Operação El Patrón. apura a atuação de uma organização criminosa armada supostamente envolvida em receptação de cargas roubadas, lavagem de dinheiro, contravenção penal, homicídios e tráfico de drogas em Feira de Santana (BA) e região. Entre os alvos estão João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano, Mayana Cerqueira da Silva e Kleber Cristian Escolano de Almeida, apontados como integrantes do grupo.

No curso das investigações, a Polícia Federal e o Ministério Público da Bahia solicitaram ao Coaf relatórios financeiros que apontavam movimentações suspeitas. A defesa alegou que tais pedidos violaram o sigilo bancário e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), argumento aceito pelo ministro Joel Ilan Paciornik no STJ, que declarou ilícitas as provas por ausência de autorização judicial.

Fundamentos do STF

O ministro Cristiano Zanin considerou que a interpretação do STJ contrariou o entendimento fixado pelo STF no Tema 990, que reconhece a constitucionalidade do compartilhamento de RIFs entre a Unidade de Inteligência Financeira (UIF/Coaf) e órgãos de persecução penal, inclusive quando solicitados pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal, desde que resguardado o sigilo e observadas formalidades legais.

Zanin destacou que restringir esse intercâmbio prejudicaria investigações complexas e colocaria o Brasil em desconformidade com padrões internacionais de combate à lavagem de dinheiro, evasão de divisas, terrorismo e tráfico de drogas, como as recomendações do Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi).

Impactos e alcance da decisão

Com a liminar, o STF revalida as provas obtidas via Coaf e garante o prosseguimento das ações penais na Bahia relacionadas à Operação El Patron. A decisão também funciona como precedente para casos semelhantes, reforçando que não é necessária autorização judicial para que o Coaf atenda solicitações formais de autoridades competentes.

Segundo Zanin, não houve abuso ou prática de fishing expedition (investigação genérica sem alvo definido) e as solicitações partiram de procedimento investigativo formalmente instaurado, garantindo segurança jurídica às provas.

Quatro dias antes: homenagem na Assembleia Legislativa da Bahia

Na tarde de terça-feira (05/08/2025), quatro dias antes da decisão do STF, o deputado estadual Binho Galinha recebeu em seu gabinete, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o Título de “Amigo da Polícia Militar da Bahia”, concedido pela União das Entidades Representativas dos Militares Estaduais da Bahia.

O certificado foi entregue como reconhecimento à contribuição significativa do parlamentar para a história e desenvolvimento da Bicentenária Polícia Militar da Bahia (1825-2025). Em seu discurso, Binho Galinha afirmou:

“Essa homenagem reconhece a contribuição para a história e o fortalecimento dessa corporação tão importante para a segurança e dignidade do nosso povo. Seguimos juntos, firmes no propósito de apoiar e valorizar aqueles que dedicam suas vidas ao bem.”

A cerimônia teve caráter institucional e simbólico, reforçando a proximidade política do deputado com segmentos da segurança pública, inclusive enquanto responde a investigações na Operação El Patrón.

Nota de esclarecimento da Polícia Militar da Bahia  

Em nota, a Polícia Militar da Bahia (PMBA) informa que circulou nas redes sociais e em veículos de mídia a informação de que o deputado estadual Binho Galinha recebeu o título de “Amigo da Polícia Militar da Bahia”. Conforme a matéria publicada em 8 de agosto de 2025, tal homenagem foi entregue por uma entidade externa – a União das Entidades Representativas dos Militares Estaduais da Bahia – em cerimônia realizada no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa.

“É fundamental destacar que este não se trata de uma condecoração oficial da corporação. A Polícia Militar da Bahia não concedeu, em momento algum, o título, nem elaborou qualquer ato formal de reconhecimento nesse sentido. Trata-se, portanto, de um gesto de caráter simbólico, promovido por uma associação civil externa, sem respaldo institucional da PMBA”, afirma a Polícia Militar.

Linha do Tempo

  • 2022 – Polícia Federal instaura procedimento investigativo (n. 2022.0043534-SR/PF/BA) após relatório do Ministério Público da Bahia apontar possível atuação de grupo ligado ao crime organizado em Feira de Santana.

  • 2023 – MP/BA e PF solicitam ao Coaf Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) para aprofundar investigações sobre movimentações financeiras suspeitas.

  • 2024 (TJBA) – Tribunal de Justiça da Bahia nega Habeas Corpus aos investigados, mantendo a validade das provas obtidas via Coaf.

  • 2024 (STJ) – No RHC 213.637/BA, ministro Joel Ilan Paciornik acata argumento da defesa e considera ilícitos os RIFs por ausência de autorização judicial, seguindo recente entendimento da Terceira Seção do STJ.

  • Julho/2025 – MP/BA protocola Reclamação Constitucional (Rcl 81.546) no STF alegando violação do Tema 990.

  • 08/08/2025 (STF) – Ministro Cristiano Zanin concede liminar, cassa decisão do STJ e reconhece a validade do uso dos RIFs do Coaf, reforçando que não há necessidade de autorização judicial prévia, desde que haja procedimento formal e respeito ao sigilo.

A Operação El Patrón – Desdobramentos, ações e impacto político

Origem e deflagração da ação

  • A operação foi deflagrada em 07/12/2023, por uma força-tarefa integrada que incluiu a Polícia Federal, Receita Federal, MP-BA e a Força Correcional Integrada (FORCE/COGER/SSP-BA). O alvo era uma organização criminosa ativa em Feira de Santana e outros quatro municípios baianos, supostamente liderada por Kléber Cristian Escolano de Almeida (Binho Galinha), envolvendo atividades como jogo do bicho, agiotagem, tráfico e lavagem de dinheiro.

Medidas operacionais implicando distintas fases

  • Em dezembro de 2023, a ação incluiu mandados de busca e apreensão, prisões — inclusive de policiais militares — bloqueios financeiros e apreensão de bens ligados à organização.

  • Em abril de 2024, a Operação Hybris, desdobramento da El Patrón, resultou na prisão de PMs envolvidos e reforçou o caráter estruturado e violento da organização.

Implicações judiciais e controvérsias sobre as provas

  • Em 26/06/2025, o STJ, por decisão monocrática do ministro Joel Ilan Paciornik, anulou os relatórios do Coaf utilizados como prova na Operação El Patrón. A justificativa foi a falta de autorização judicial para a requisição dos relatórios, o que tornaria as provas ilegais, mesmo contrariando o entendimento consolidado do STF no Tema 990.

  • A decisão reacendeu o debate sobre a legitimidade do controle judicial sobre dados financeiros sigilosos, especialmente em casos de combate à criminalidade organizada.

Principais pontos

Elemento Detalhes
Data de deflagração 07/12/2023
Estrutura da quadrilha Organização criminosa com ~10 anos de atuação, liderada por Binho Galinha, ativa na região
Principais operações El Patrón (dez/2023), Hybris (abril/2024)
Medidas adotadas Prisões, bloqueios financeiros, apreensão de bens
Decisão judicial recente STJ anulou provas obtidas via Coaf por falta de autorização judicial (jun/2025)
Debate central Tensão entre garantias jurídicas (LGPD/art. 5º da CF) e eficiência no combate à criminalidade

Principais Dados do Processo Judicial

  • Número da Reclamação Constitucional (STF): Rcl 81.546/BA

  • Relator: Ministro Cristiano Zanin

  • Reclamante: Ministério Público do Estado da Bahia

  • Beneficiários da decisão reclamada: João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano, Mayana Cerqueira da Silva e Kleber Cristian Escolano de Almeida

  • Autoridade Reclamada: Superior Tribunal de Justiça (STJ)

  • Decisão questionada: Proferida pelo ministro Joel Ilan Paciornik no RHC 213.637/BA, que invalidou o uso de RIFs do Coaf por falta de autorização judicial

  • Fundamento central da Reclamação: Afronta ao precedente do Tema 990 da Repercussão Geral do STF

  • Tese reafirmada pelo STF: É constitucional o compartilhamento de RIFs do Coaf com órgãos de persecução penal, mesmo quando solicitados, sem necessidade de autorização judicial prévia

  • Data da decisão liminar no STF: 08/08/2025

  • Operação: El Patron – apura organização criminosa armada com atuação em Feira de Santana (BA) e região

  • Envolvimento político: Deputado estadual Binho Galinha (PRD-BA) citado nas investigações

Baixe

Decisão do ministro do STF Cristiano Zanin sobre a Operação El Patróne e o deputado Binho Galinha

Deputado estadual Binho Galinha (PRD-BA) recebe, na Assembleia Legislativa da Bahia, o Título de “Amigo da Polícia Militar da Bahia”, entregue por representantes da União das Entidades Representativas dos Militares Estaduais, em reconhecimento à sua contribuição para a história e fortalecimento da corporação no bicentenário da PMBA.
Deputado estadual Binho Galinha (PRD-BA) recebe, na Assembleia Legislativa da Bahia, o Título de “Amigo da Polícia Militar da Bahia”, entregue por representantes da União das Entidades Representativas dos Militares Estaduais, em reconhecimento à sua contribuição para a história e fortalecimento da corporação no bicentenário da PMBA.
Nota de esclarecimento da Polícia Militar da Bahia sobre homenagem ao deputado Binho Galinha.
Nota de esclarecimento da Polícia Militar da Bahia sobre homenagem ao deputado Binho Galinha.

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