A psicóloga Gilma Reis propõe reflexão profunda sobre o papel paterno, suas transformações e a necessidade de ressignificar a figura masculina na família e na sociedade, a partir do tema “Um dia dedicado à atenção sobre a paternidade”. Com base em experiências pessoais e referências teóricas, ela defende que a presença do pai é insubstituível para o desenvolvimento psicológico, emocional e social das crianças.
Segundo Gilma Reis, a paternidade é uma oportunidade de crescimento para o homem, que, ao assumir essa função, passa por transformações internas capazes de gerar novos sentidos e valores de vida. Ela ressalta que muitos homens, por imaturidade ou narcisismo, não percebem essa chance de amadurecimento, mas reforça que ser pai deve ser visto como um privilégio e um desafio de responsabilidade, amor, dedicação e coragem.
“O desafio de educar um filho passa pelo processo de dedicação, amor, carinho, respeito, responsabilidade, coragem e confiança em Deus para que ele se torne um cidadão de bem”, escreveu a psicóloga.
Ressignificando o papel masculino na sociedade
A autora reconhece que as mudanças sociais e os avanços das mulheres exigem que os homens abandonem posturas machistas e patriarcais. Ela propõe que a figura masculina seja adaptada às demandas contemporâneas, preservando seu valor e importância.
“Não queremos descartar a figura masculina do nosso meio. Ela tem seu valor e seu lugar de contribuição. Mas é preciso reinventar-se diante de um cenário moderno”, afirma.
Gilma sugere a criação e ampliação de grupos terapêuticos para homens como ferramenta para auxiliar nessa transformação.
Função paterna: presença e referência para a formação
A psicóloga enfatiza que o pai — biológico, adotivo ou substituto — oferece uma perspectiva complementar à materna, influenciando diretamente a identidade, autoestima, segurança e habilidades sociais da criança.
Ela alerta para o risco da exclusão simbólica da figura paterna, defendendo que, mesmo em casos de pais com condutas questionáveis, é fundamental preservar a relação afetiva com os filhos, desde que não haja risco à integridade da criança.
“Para a sociedade, ele pode ser um mau caráter, mas para aquela criança, é o pai. Preservar a saúde mental e emocional dos filhos é fundamental”, sublinha.
A influência paterna na vida adulta
Com base em vivências pessoais, Gilma relata que padrões de relacionamento são influenciados pelas referências parentais. Ela cita seu próprio pai, Godofredo Reis, como modelo positivo que impactou suas escolhas afetivas, e presta homenagens a outras figuras paternas importantes em sua trajetória.
A autora observa que a ausência paterna leva a criança a buscar substitutos masculinos, sejam familiares, amigos ou mentores, e que essa busca pode gerar vínculos positivos ou problemáticos, dependendo da qualidade da relação.
Superação de traumas e fortalecimento de vínculos
Gilma destaca que perdas, abandono, violência e negligência paterna podem gerar traumas, mas há caminhos para superação, como apoio psicológico, espiritualidade e práticas terapêuticas. Ela menciona a logoterapia de Viktor Frankl como ferramenta para ressignificar experiências dolorosas.
“O mais importante não é focar no sofrimento, mas tomar uma atitude diante dele”, cita, referindo-se ao pensamento de Frankl.
Virtudes do pai presente
A psicóloga encerra o artigo enumerando virtudes essenciais do pai comprometido:
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Protege e educa
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Dá exemplo e pede perdão
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Acompanha e orienta
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Abraça e incentiva
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Ensina valores e amor
Ela adverte que o Dia dos Pais não deve ser reduzido ao consumo, mas sim a uma oportunidade de reflexão sobre o papel do pai e de oração pelos que enfrentam dificuldades.
Homenagens
Gilma Reis dedica parte de seu texto para prestar homenagens pessoais a figuras que marcaram sua vida. Ela ressalta com afeto a importância de seu pai, Godofredo Reis, a quem descreve como um homem simples, amoroso, atencioso e prestativo, não apenas para ela, mas também para seus irmãos Dilma Reis, Jackson Reis e Gilmara Reis. Além disso, manifesta gratidão a Clodoaldo Paixão, a quem reconhece como um pai em sua vida acadêmica e social, destacando seu papel nas reflexões sobre estruturas sociais, apoio humano e atuação junto a jovens dos Coletivos Regionais, reafirmando o impacto positivo dessas presenças paternas em sua trajetória pessoal e profissional.
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