Nesta terça-feira (16/09/2025), o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) anunciou que apresentará um requerimento na CPMI do INSS solicitando a prisão preventiva do advogado Nelson Wilians. O jurista foi alvo de uma operação da Polícia Federal, deflagrada na semana passada, que apura um esquema de desvio de R$ 4 bilhões de aposentadorias e pensões de idosos.
Segundo os investigadores, Wilians teria utilizado suas empresas para lavar dinheiro proveniente de descontos ilegais em folha de pagamento organizados por associações ligadas ao empresário Maurício Camisotti. A PF identificou transações bancárias superiores a R$ 28 milhões entre Wilians e Camisotti, caracterizando, na avaliação da corporação, um “vínculo financeiro direto”.
Detalhes da operação e apreensões
Na ação, agentes federais apreenderam nos endereços de Wilians um Rolls-Royce avaliado em R$ 11 milhões, uma adega de vinhos importados com garrafas acima de R$ 50 mil, relógios de luxo, armas e dezenas de obras de arte. Além disso, documentos recolhidos mostram que carros usados por Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, suposto operador do esquema, estavam registrados em nome de empresas ligadas ao advogado.
Enquanto Camisotti e Antunes foram presos, o pedido de prisão contra Wilians foi indeferido pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Para o deputado Rogério Correia, a liberdade de Wilians coloca em risco a instrução processual. No requerimento, ele afirma que há “indícios de intimidação de testemunhas e ocultação de bens”.
Tensão política na CPMI
A iniciativa de Correia também reacendeu disputas políticas dentro da CPMI. Governistas apontam que parlamentares de oposição, como o senador Izalci Lucas (PL-DF) e a deputada Bia Kicis (PL-DF), apresentaram requerimentos para convocar Wilians, mas retiraram os pedidos na véspera da operação da PF. Para a base do governo, esse recuo precisa ser esclarecido publicamente.
Defesa de Nelson Wilians
Em nota, a defesa do advogado nega qualquer prática ilícita. O texto, assinado pelo advogado Santiago André Schunck, afirma que Wilians não responde a ação penal, não foi denunciado pelo Ministério Público e nunca foi condenado por crime algum.
A defesa ainda enfatiza que o STF rejeitou a prisão solicitada pela PF por ausência de requisitos legais e classificou as acusações como “ilações e interpretações unilaterais”. O documento também rejeita qualquer ligação entre Wilians e o “Careca do INSS”, chamando a associação de “mentira sem lastro probatório”.
Investigações, disputas e controle
O caso revela a complexa intersecção entre investigações criminais, disputas políticas e o papel das instituições de controle. A CPI, instrumento parlamentar de apuração, tem sido usada como palco para ampliar a pressão sobre a Justiça após a decisão do STF que negou a prisão de Wilians. Ao mesmo tempo, a presença de indícios de ocultação patrimonial e a apreensão de bens de alto valor fortalecem a narrativa dos investigadores. A defesa, por sua vez, insiste no princípio da presunção de inocência e denuncia o que considera tentativas de antecipar condenações sem provas concretas. O embate reforça a tensão entre o poder político e a esfera judicial, em um momento em que escândalos no INSS expõem fragilidades no sistema de proteção social.
*Com informações da Revista Veja.
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