Nesta quinta-feira (25/09/2025), a cidade de Cavalcante (GO), localizada na Chapada dos Veadeiros, foi palco de um casamento comunitário que uniu 49 casais em uma mesma cerimônia. O evento, organizado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) dentro do programa Raízes Kalungas – Justiça e Cidadania, transformou a feira coberta do município em um grande salão de festas, com decoração especial, mesa de doces, jantar coletivo e bênçãos ecumênicas.
Entre os casais de noivos estava a juíza da comarca de Cavalcante, Isabela Rebouças Maia, que oficializou sua união com o professor Erik Leoni, sócio da Me Move Assessoria Fitness, empresa com sede em Salvador. A magistrada destacou a escolha pelo casamento comunitário como gesto de pertencimento.
“Cavalcante já é a minha cidade, já é a minha comunidade. Foi justamente essa facilidade, sem burocracia, que nos levou a escolher esse formato”, afirmou.
A força do território Kalunga
A cerimônia ocorreu em território da comunidade Kalunga, considerada a maior comunidade quilombola do Brasil, com 262 mil hectares que abrangem os municípios de Cavalcante, Teresina e Monte Alegre. O espaço, habitado por cerca de 8.400 pessoas, foi reconhecido como Patrimônio Cultural pelo Estado de Goiás em 1991 e, em 2021, recebeu da ONU o título de primeiro Ticca (Território e Área Conservada por Comunidades Indígenas e Locais) do País.
Foi nesse cenário que nasceu o Projeto Raízes Kalungas – Justiça e Cidadania, voltado à inclusão social, acesso a direitos e valorização da cultura quilombola. Desde a implantação, o projeto já emitiu mais de 4 mil documentos, entre certidões, RGs e CPFs, implantou sete Pontos de Inclusão Digital (PIDs) e contratou mais de 30 moradores locais como agentes de cidadania.
Histórias de vida e inclusão social
O casamento coletivo reuniu diferentes trajetórias. Loiane Santos, grávida de sete meses, realizou o sonho de casar sem custos, enquanto Maria de Ferreira e Donizete Camargo, juntos há 37 anos, oficializaram a união após décadas de espera. “Para mim foi uma oportunidade enorme e abençoada. Graças a Deus!”, disse Loiane, emocionada.
Além da cerimônia, os noivos participaram de atividades de acolhimento: “dia de beleza” para as mulheres com apoio do Senac, arrecadação de roupas e vestidos por meio de campanhas solidárias e um jantar coletivo preparado pelo Sesc Cora com insumos fornecidos pelo TJGO, servindo cerca de 500 pessoas entre casais, convidados e colaboradores.
Judiciário e valorização da cultura quilombola
Para o presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, o casamento comunitário reafirma o papel do Judiciário em fortalecer laços sociais.
“Mais do que um ato jurídico, o casamento comunitário é um gesto de aproximação com a comunidade e de valorização da cultura quilombola, que merece nosso mais profundo respeito e reconhecimento”, destacou.
Legado jurídico da magistrada
A presença da juíza Isabela Rebouças Maia também simboliza a continuidade de uma tradição jurídica familiar. Filha do advogado tributarista João Maia Filho e neta do jurista João de Oliveira Maia (1933-2020), a magistrada integra uma linhagem marcada pela atuação acadêmica e institucional.
Seu avô, João de Oliveira Maia, iniciou carreira como professor primário, tornou-se auditor fiscal da Receita Federal e foi aprovado no primeiro concurso para o Ministério Público Federal, chegando ao cargo de subprocurador-geral da República em 1991. Também lecionou Direito Tributário na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e na Universidade Católica do Salvador, onde permaneceu até 1998.
Encerramento e autoridades presentes
A cerimônia contou com a presença das desembargadoras Ana Cristina Peternella e Camila Nina; dos desembargadores Aureliano Albuquerque, Maurício Porfírio, José Carlos Duarte, Algomiro Neto e Eliseu Taveira; além do juiz substituto em segundo grau Hamilton Carneiro e dos juízes federais Ilan Presses e Fernando Cleber.
*Com informações do site Tribuna de Anápolis.
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