PEC da Blindagem pode dificultar investigação de parlamentares e uso de emendas

Especialistas alertam que proposta pode ampliar impunidade e reduzir transparência no controle de recursos públicos.
Especialistas alertam que proposta pode ampliar impunidade e reduzir transparência no controle de recursos públicos.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, que exige autorização do Parlamento para abertura de ações criminais contra deputados e senadores, levanta preocupação sobre impactos na fiscalização de emendas parlamentares e na responsabilização de parlamentares envolvidos em irregularidades.

Riscos da PEC da Blindagem para fiscalização de emendas parlamentares

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) criticou a PEC, afirmando que a medida fortalece impunidade e fragiliza a transparência, especialmente por permitir voto secreto em decisões sobre responsabilização de parlamentares.

Volume de recursos e potencial de corrupção

Segundo especialistas, o crescimento do orçamento destinado a emendas parlamentares, que em 2025 foi de R$ 50 bilhões, favorece a prática de corrupção. A PEC pode dificultar a investigação de desvios e reduzir controle, transparência e rastreabilidade desses recursos, abrindo espaço para irregularidades.

Histórico de fiscalização e bloqueios de emendas

Nos últimos anos, a Polícia Federal (PF) e o Supremo Tribunal Federal (STF) investigaram diversas emendas parlamentares. Em agosto de 2025, o STF autorizou apuração de 964 emendas “Pix” que somam R$ 694 milhões. Em dezembro de 2024, R$ 4,2 bilhões foram suspensos por suspeita de irregularidades.

Transparência e controle social

O Tribunal de Contas da União (TCU) acompanha a execução de recursos, inclusive do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que atende 40 milhões de estudantes com orçamento de R$ 5,5 bilhões em 2025. Especialistas reforçam que controle social e transparência são essenciais para limitar impactos da PEC.

Argumentos de defensores da PEC

Parlamentares que apoiam a proposta afirmam que a PEC busca proteger o exercício do mandato parlamentar contra supostas interferências judiciais e perseguições políticas. O relator na Câmara, deputado Claudio Cajado (PP-BA), defende a medida como um escudo protetivo do parlamentar.

Críticas de especialistas e organizações

O MCCE, a Transparência Internacional e o Instituto Não Aceito Corrupção afirmam que a PEC favorece a impunidade e pode consolidar proteção a parlamentares envolvidos em desvios de recursos públicos. Entre 1998 e 2001, por exemplo, o Congresso barrou 253 investigações, permitindo apenas uma.

Tramitação da PEC e ações no STF

Após aprovação na Câmara, a matéria foi enviada ao Senado. A PEC determina que a abertura de ação penal contra parlamentares dependa de autorização prévia da maioria absoluta do Senado ou da Câmara, em votação secreta, e concede foro no STF para presidentes de partidos.

Decisão do STF sobre tramitação

O ministro Dias Toffoli, do STF, deu dez dias para que a Câmara se manifeste sobre ações que questionam irregularidades na tramitação da PEC, incluindo ausência de publicidade do parecer do relator e convocação das sessões sem antecedência mínima.

*Com informações da Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.