Presidente Lula defende multilateralismo e critica tarifas dos EUA em cúpula virtual do BRICS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou nesta segunda-feira (08/09/2025), em reunião virtual do BRICS, a necessidade de fortalecer o multilateralismo, ampliar mecanismos de comércio e enfrentar medidas unilaterais que afetam o comércio internacional. O encontro contou com a participação de líderes de China, Rússia, Índia, África do Sul, Egito, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos.

Cooperação e governança global

Durante o evento, Lula afirmou que o BRICS representa 40% do PIB global, 26% do comércio internacional e quase metade da população mundial, ressaltando o potencial econômico do grupo para liderar soluções globais. O presidente destacou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento na diversificação das economias e no financiamento da transição para uma industrialização verde.

Lula também defendeu a reforma das instituições multilaterais, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Conselho de Segurança da ONU, argumentando que a paralisia desses órgãos ameaça a estabilidade global.

Reação às medidas unilaterais

O presidente criticou as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e alertou que a normalização de práticas unilaterais pode comprometer princípios do livre comércio, como as cláusulas de Nação Mais Favorecida e de Tratamento Nacional.

Segundo Lula, cabe ao BRICS “mostrar que a cooperação supera qualquer rivalidade” e chegar unido à 14ª Conferência Ministerial da OMC, marcada para o próximo ano em Camarões.

Impacto econômico e geopolítico

Líderes de outros países também reforçaram a necessidade de construir uma ordem internacional mais equilibrada. O presidente da China, Xi Jinping, defendeu a criação de mecanismos que fortaleçam a cooperação e reduzam desigualdades globais. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, destacou o papel do BRICS no combate à fome e no incentivo ao crescimento sustentável.

O chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, ressaltou a importância de cadeias de suprimentos resilientes e previsíveis para reduzir impactos de crises internacionais.

Guerras e agenda climática

Lula abordou conflitos como a guerra na Ucrânia e a crise humanitária em Gaza, defendendo soluções pacíficas e respeito à soberania dos Estados. Também condenou a presença militar dos Estados Unidos no Caribe, que classificou como fator de tensão.

No campo ambiental, Lula convidou os líderes para a COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro de 2025, e apresentou a proposta de criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU para unificar esforços contra o aquecimento global.

Transição energética e soberania digital

O presidente afirmou que os países do BRICS podem utilizar receitas de combustíveis fósseis para financiar a transição ecológica e destacou a necessidade de uma governança climática mais robusta.

Lula também chamou atenção para a necessidade de soberania digital, defendendo a criação de ecossistemas tecnológicos nacionais que reduzam a dependência de empresas estrangeiras e garantam a segurança de dados.

*Com informações da Agência Brasil.


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