Presidente Lula defende regulação global da Inteligência Artificial pela ONU, reforça uso de moedas locais no Brics e amplia agenda comercial com a Índia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na sexta-feira (20/02/2026), que a regulação da Inteligência Artificial (IA) deve ser conduzida por uma instituição multilateral com alcance semelhante ao da Organização das Nações Unidas, com o objetivo de proteger a sociedade e evitar concentração de controle tecnológico. A declaração foi feita durante entrevista ao programa India Today, no contexto de viagem oficial à Índia.

Segundo o presidente, a ausência de regras internacionais pode permitir que grandes plataformas atuem sem supervisão, elevando riscos de uso indevido da tecnologia. Ele defendeu a criação de normas rígidas e padronizadas, com prioridade para a proteção de crianças, adolescentes e mulheres.

A agenda no país asiático inclui reuniões diplomáticas, encontros com empresários e discussões sobre comércio bilateral, inovação tecnológica e cooperação entre países do Sul Global.

Proposta de governança multilateral para Inteligência Artificial

Durante a entrevista, Lula afirmou que a IA deve estar subordinada a mecanismos públicos de controle, evitando que decisões estratégicas fiquem restritas a empresas privadas ou a poucos proprietários de plataformas digitais. Para ele, a regulação deve ter caráter internacional e institucional.

O presidente destacou que a tecnologia pode gerar impactos na vida privada, disseminação de violência digital e uso indevido de dados pessoais, o que justificaria supervisão estatal e cooperação entre países.

Ao mesmo tempo, argumentou que a IA pode contribuir para avanços em áreas como saúde, educação, serviços públicos e produtividade, desde que aplicada com critérios de interesse coletivo.

Brics e uso de moedas locais no comércio internacional

Lula também defendeu a ampliação do uso de moedas nacionais nas transações comerciais entre países do BRICS, reduzindo a dependência do dólar. Ele citou como exemplo a possibilidade de acordos bilaterais entre Brasil e Índia sem intermediação da moeda norte-americana.

De acordo com o presidente, o processo exige ajustes técnicos e negociações graduais, considerando as especificidades econômicas de cada país. A medida visa ampliar a autonomia financeira do bloco.

Criado em 2009, o grupo reúne Brasil, Rússia, Índia e China, com adesão posterior da África do Sul e novos membros admitidos recentemente, consolidando o bloco como articulação do chamado Sul Global.

Relações com Estados Unidos e cooperação estratégica

Questionado sobre o relacionamento com os Estados Unidos, Lula afirmou manter diálogo com o presidente Donald Trump e indicou disposição para negociar pautas econômicas e de segurança. Entre os temas citados estão exploração de minerais críticos, terras raras, combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.

O presidente ressaltou que eventuais acordos devem respeitar soberania nacional e regras internas brasileiras, sem imposições externas. Ele defendeu parcerias comerciais que tragam benefícios econômicos e tecnológicos.

A estratégia inclui ampliar cooperação industrial e energética, preservando o controle sobre recursos estratégicos localizados em território brasileiro.

Relação Brasil–Índia e agenda empresarial

Na visita oficial à Índia, Lula informou ter levado cerca de 300 empresários brasileiros para fóruns de negócios com representantes locais. A meta é fortalecer intercâmbio comercial, tecnológico e cultural entre os dois países.

O presidente defendeu a ampliação de parcerias em inovação, serviços e investimentos produtivos, além de troca de experiências empresariais. Segundo ele, o objetivo é estabelecer cooperação de longo prazo entre economias emergentes.

A agenda integra a política externa de multilateralismo e diversificação de mercados, com foco em acordos bilaterais e fortalecimento de blocos regionais.

*Com informações da Agência Brasil.


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