STF nega pedido da PF para prisão do advogado Nelson Wilians em investigação sobre fraudes no INSS

A Polícia Federal pediu a prisão do advogado Nelson Wilians na Operação Cambota, acusando-o de movimentar R$ 28 milhões em operações suspeitas ligadas a fraudes no INSS. O ministro André Mendonça, do STF, negou a prisão, entendendo que não havia risco processual. Já os empresários Maurício Camisotti e Antonio Camilo Antunes tiveram a prisão decretada. O caso deriva da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias, e amplia a pressão sobre esquemas de corrupção previdenciária.
O advogado Nelson Wilians foi citado pela PF em investigação de lavagem de dinheiro ligada à Operação Cambota, mas teve prisão negada pelo ministro André Mendonça, do STF.

A Polícia Federal (PF) pediu a prisão preventiva do advogado Nelson Wilians, sócio-fundador de um dos maiores escritórios de advocacia do Brasil, no âmbito da Operação Cambota, deflagrada nesta sexta-feira (12/09/2025), que investiga esquema de lavagem de dinheiro e fraudes previdenciárias relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido. Em sua decisão, destacou que, embora haja fundada suspeita da participação de Wilians em crimes apurados, não foram identificados riscos concretos de fuga ou obstrução da Justiça que justificassem a prisão preventiva.

O magistrado autorizou, no entanto, a prisão de Maurício Camisotti e de Antonio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontados como articuladores do esquema fraudulento.

Envolvimento de Nelson Wilians

Segundo as investigações, Wilians não estava entre os alvos iniciais da PF, mas passou a ser incluído no inquérito após a identificação de transferências de R$ 28 milhões em operações consideradas suspeitas. Relatórios do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontaram movimentações financeiras entre o advogado e Camisotti, empresário acusado de comandar entidades envolvidas nas fraudes contra o INSS.

De acordo com a PF, o advogado teria atuado como “engrenagem necessária” para ocultar e movimentar os recursos ilícitos. Para a corporação, Wilians funcionava como intermediário jurídico-financeiro para dar aparência de legalidade às operações.

Defesa de Nelson Wilians

A defesa do advogado afirmou que todas as transações são lícitas e comprováveis. Segundo nota divulgada, os valores transferidos referem-se à aquisição de um terreno vizinho à sua residência, operação considerada transparente e documentada.

Wilians reiterou que sua relação com Camisotti é estritamente profissional, limitada à prestação de serviços advocatícios. A defesa enfatizou ainda que ele tem colaborado integralmente com as autoridades e que o processo em curso não representa um juízo de culpa, mas apenas medidas de caráter investigativo.

A prisão de outros investigados

Enquanto o pedido contra Wilians foi negado, a prisão de Maurício Camisotti foi autorizada. Ele é acusado de chefiar o esquema que operava descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Também foi preso Antonio Camilo Antunes (Careca do INSS), apontado como operador direto das fraudes.

A defesa de Camisotti alegou que sua detenção foi marcada por “arbitrariedades”, como a apreensão de seu celular durante ligação com advogados, fato que teria afrontado garantias constitucionais. Os advogados anunciaram que recorrerão para tentar revogar a medida.

Repercussão e impactos institucionais

O caso trouxe forte repercussão, especialmente pelo envolvimento de um advogado de renome nacional em um escândalo de fraudes previdenciárias. O episódio acendeu debates sobre os limites da advocacia, frequentemente protegida por prerrogativas legais, mas que pode ser instrumentalizada em operações de lavagem de dinheiro.

A decisão de Mendonça também evidencia a tensão entre a necessidade de resguardar direitos fundamentais e o imperativo de combater crimes complexos que drenam recursos da seguridade social, atingindo diretamente aposentados e pensionistas.

Operações Sem Desconto e Cambota

A investigação da PF contra o grupo começou com a Operação Sem Desconto, que apurava irregularidades em descontos aplicados em folha de pagamento do INSS. Entidades de fachada, em conluio com empresas e operadores financeiros, teriam realizado cobranças indevidas de seguros, contribuições e taxas, prejudicando milhares de aposentados e pensionistas.

Posteriormente, foi deflagrada a Operação Cambota, um desdobramento que avançou sobre as estruturas de lavagem de dinheiro e de ocultação patrimonial associadas ao esquema. A Cambota alcançou empresários, operadores e intermediários, revelando a participação de figuras estratégicas, como Camisotti e Wilians.

Segundo estimativas preliminares, os desvios teriam movimentado centenas de milhões de reais, causando prejuízos significativos ao sistema previdenciário.

Linha do tempo das investigações

  • 2022 – A PF identifica indícios de descontos indevidos em benefícios previdenciários, abrindo investigações preliminares.
  • 2023 – Deflagração da Operação Sem Desconto, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em entidades suspeitas.
  • 2024 – Avanço das apurações demonstra uso de empresas de fachada e operadores financeiros para movimentação de recursos.
  • 2025 (início do ano) – Deflagração da Operação Cambota, com foco na lavagem de dinheiro e prisão de empresários ligados ao esquema.
  • 12/09/2025 – PF solicita a prisão preventiva de Nelson Wilians; ministro André Mendonça nega, mas mantém prisão de Maurício Camisotti e Antonio Camilo Antunes.

 Padrão de atuação

As operações Sem Desconto e Cambota revelam um padrão de atuação já recorrente em investigações de crimes contra o INSS: fraudes sistêmicas que exploram vulnerabilidades administrativas e financeiras. Ao atingir aposentados e pensionistas, tais esquemas não apenas drenam recursos públicos, mas também comprometem a credibilidade das instituições.

O envolvimento de advogados e empresários em estruturas de lavagem expõe a necessidade de mecanismos mais rígidos de fiscalização sobre a atuação de entidades e intermediários financeiros. A negativa do STF em decretar a prisão de Wilians, embora juridicamente fundamentada, demonstra como a Justiça caminha sobre uma linha tênue entre garantir direitos individuais e assegurar a efetividade do combate à corrupção previdenciária.

*Com informações do Poder360 e Metrópoles.

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