A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e a Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) lamentaram nesta quarta-feira (08/10/2025) a morte do artista plástico, médico, fotógrafo e crítico de arte César Romero de Oliveira Cordeiro, uma das figuras mais influentes das artes visuais baianas e referência nacional na crítica e valorização da cultura popular nordestina.
Trajetória marcada pela cor e pelo sertão
Natural de Feira de Santana, César Romero iniciou sua carreira nas artes em 1967, destacando-se desde cedo pelo uso expressivo das cores e pela representação poética do cotidiano nordestino. Sua produção atravessou fronteiras, integrando salões de arte, mostras e premiações nacionais e internacionais, com obras que uniram a estética moderna à identidade regional.
Ao longo de mais de cinco décadas de atuação, Romero manteve o olhar voltado para as festas populares, a religiosidade afro-brasileira e o orgulho sertanejo, elementos recorrentes em suas gravuras, desenhos e ilustrações. Sua arte dialogava com o imaginário coletivo, reinterpretando o Nordeste como espaço de beleza, resistência e fé.
Reconhecimento e contribuição à crítica de arte
Além de artista, César Romero consolidou-se como um dos mais respeitados críticos de arte da Bahia, com vasta produção intelectual e atuação constante em jornais, revistas e exposições. Sua escrita combinava rigor analítico e sensibilidade estética, promovendo o debate sobre o papel da arte na formação cultural brasileira.
Romero também exerceu importante papel como curador, orientando novas gerações de artistas e contribuindo para o fortalecimento das artes visuais no Estado. Sua presença era constante em salões e júris artísticos, sempre defendendo a valorização da produção local e a preservação da memória cultural nordestina.
Legado e simbolismo de uma trajetória plural
César Romero uniu ciência, arte e cultura popular de modo singular. Médico por formação, desenvolveu ao longo da vida um olhar profundamente humano, que se refletia em suas cores vibrantes e nas narrativas visuais de fé e identidade. Seu trabalho é reconhecido como uma celebração da Bahia e do Nordeste, projetando o regional no cenário nacional e internacional das artes.
A SecultBA e a FUNCEB, em nota, destacaram que a Bahia “perde uma potência nas artes, na cultura e na poesia feita com traços e cores”, sublinhando o papel de Romero como símbolo de resistência estética e intelectual. Sua ausência deixa um vazio nas galerias, nas telas e nas ideias — mas sua obra permanece como testemunho da força criativa baiana.
Intérprete da alma baiana
A morte de César Romero representa uma ruptura simbólica na história recente das artes visuais da Bahia, especialmente num momento em que o Estado busca reafirmar sua identidade cultural diante das transformações contemporâneas. Sua trajetória une tradição e modernidade, expressando um modelo de artista completo — criador, pensador e formador de opinião.
Romero foi mais do que um pintor: foi um intérprete da alma baiana, um observador atento das expressões populares e um mediador entre o sensível e o intelectual. Sua ausência convida à reflexão sobre o valor da crítica de arte, muitas vezes marginalizada em tempos de efemeridade digital, e sobre a necessidade de preservar espaços de debate e memória cultural.
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