O deputado estadual Marcelino Galo (PT) questionou nesta segunda-feira (20/10/2025) publicamente a decisão da Prefeitura de Salvador de vender o terreno onde funcionava a base da Guarda Municipal no Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos da capital baiana. Em tom crítico, o parlamentar cobrou explicações do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e de seu sucessor, o atual prefeito Bruno Reis (União Brasil), afirmando que a medida contrasta com os investimentos do governo federal em segurança pública municipal.
Deputado critica contradição entre ações municipais e apoio federal
Durante pronunciamento na Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelino Galo ironizou a postura da gestão municipal:
“Explica aí, ACM Neto! É verdade este bilhete de que, enquanto o presidente Lula destina R$ 60 milhões às Guardas Municipais, o prefeito Bruno Reis está vendendo a base da Guarda Municipal no Farol da Barra?”, questionou.
Segundo o parlamentar, a unidade foi inaugurada com grande destaque durante a administração de ACM Neto, como parte de um programa de combate à criminalidade em áreas turísticas. O projeto incluía instalação de câmeras, central de videomonitoramento e equipamentos modernos, mas, segundo Galo, acabou se tornando uma iniciativa de fachada.
Base abandonada e equipamentos deteriorados
“Chegaram a instalar câmeras e sistemas de vigilância, mas tudo ficou para ‘inglês ver’”, criticou o deputado, alegando que a base foi posteriormente abandonada, sem manutenção ou efetivo operacional.
De acordo com Galo, os equipamentos adquiridos com recursos públicos estão deteriorados, o que evidencia desperdício de dinheiro e falta de planejamento na política de segurança municipal.
O parlamentar também destacou que a desativação da unidade enfraquece a presença da Guarda Municipal em uma região que concentra eventos, fluxo de turistas e alto valor simbólico para a cidade.
Venda de patrimônio público e alerta ao Ministério Público
Marcelino Galo afirmou que a atual gestão municipal mantém um padrão recorrente de alienação de bens públicos, incluindo áreas de valor histórico e ambiental.
“Toda hora apresentam à Câmara Municipal projetos de desafetação de áreas públicas. Não respeitam nem as áreas de proteção ambiental permanente, como a encosta da Vitória, onde foi necessária a intervenção da Justiça”, observou.
O deputado solicitou a atuação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) para investigar as operações de venda de terrenos públicos pela prefeitura. Segundo ele, há indícios de “voracidade” na alienação do patrimônio da cidade, o que exigiria fiscalização rigorosa sobre a destinação dos valores arrecadados.
Cobrança por transparência e melhor uso dos recursos federais
Ao final de sua fala, Galo sugeriu que ACM Neto e Bruno Reis apresentem projetos estruturantes para o uso dos recursos liberados pelo governo federal através do Fundo Nacional de Segurança Pública, voltados à modernização das Guardas Municipais.
“Será mais útil, blogueirinho, do que seus chiliques nas redes sociais”, provocou o deputado, referindo-se à atuação política de ACM Neto nas plataformas digitais.
Transparência e accountability
A denúncia de Marcelino Galo insere-se em um contexto de tensão entre o governo federal e a administração municipal de Salvador, especialmente no campo da segurança pública e do uso de verbas federais. A suposta venda da base da Guarda Municipal expõe o conflito de prioridades entre investimento em infraestrutura pública e políticas de alienação patrimonial. Caso confirmada, a operação pode reabrir o debate sobre transparência, accountability e uso social do patrimônio público. O episódio também evidencia o embate político entre o PT e o grupo de ACM Neto, que se projeta como principal força de oposição ao governo estadual e federal na Bahia.









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