Fundado em 1974, o Banco Master — inicialmente criado sob outra denominação e posteriormente rebatizado como Banco Máxima — consolidou-se ao longo de cinco décadas como uma instituição financeira de médio porte, especializada em crédito, investimentos e serviços de tesouraria. A trajetória, marcada por reestruturações e mudanças de controle, culminou em 2018 com a adoção do nome atual e em 2025 com a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central e deflagração da Operação Compliance Zero pela polícia federal, na terça-feira (18/11/2025).
Origens e primeiros anos (1974–1990)
A instituição foi fundada em 1974, período de forte expansão do sistema financeiro brasileiro, quando bancos médios buscavam nichos em crédito corporativo, câmbio e serviços fiduciários. O banco operava sob estrutura tradicional, com foco em empresas de médio e grande porte e carteira de crédito orientada a operações lastreadas em garantias robustas.
Ao longo das décadas de 1970 e 1980, manteve um perfil conservador, operando como um banco comercial voltado para serviços financeiros básicos e operações de tesouraria. A instituição sobreviveu às turbulências financeiras da década de 1980, marcada por hiperinflação e sucessivos planos econômicos, preservando modelo de negócio estável.
Expansão e reestruturação: fundação do Banco Máxima (1990–2017)
Nos anos 1990, com a estabilização trazida pelo Plano Real e a reconfiguração do sistema financeiro, o banco passou por processo de reestruturação societária, adotando gradualmente o nome Banco Máxima. Essa fase marcou o início de uma expansão voltada para serviços de investimento, crédito estruturado e captação por meio de instrumentos financeiros de alta rentabilidade, como CDBs direcionados a investidores qualificados.
Entre 2000 e 2017, consolidou-se como instituição de nicho, atuando em áreas como:
- administração de fundos;
- crédito consignado;
- operações estruturadas;
- gestão de patrimônio de alta renda;
- tesouraria e câmbio.
O banco também ampliou sua presença no mercado de capitais, fortalecendo atuação junto a empresas de médio porte e investidores interessados em produtos financeiros de maior retorno.
A chegada de Daniel Vorcaro e a mudança de estratégia (2018–2024)
A virada mais significativa na história da instituição ocorreu em 2018, com a entrada do empresário Daniel Bueno Vorcaro no controle. O banco passou a adotar oficialmente o nome Banco Master, alinhando identidade e estratégia comercial a um modelo de expansão agressiva.
Nessa fase, o banco se apresentava como um “provedor completo de soluções financeiras”, estruturando uma estratégia baseada em três pilares:
- Crescimento rápido da carteira de crédito, especialmente no consignado e no crédito pessoal;
- Captação robusta via CDBs com rendimento acima da média de mercado, atraindo investidores pela alta rentabilidade;
- Expansão para segmentos complementares, como serviços para grandes empresas, mercado de capitais e parcerias estratégicas.
A instituição também investiu em comunicação corporativa, posicionando-se como banco moderno, versátil e com portfólio amplo. Em seu site institucional, destacava atuação em crédito, investimentos, serviços a pessoas físicas e empresas, além de operações customizadas para clientes corporativos.
Perfil institucional e cultura corporativa
Ao longo dos anos, o banco construiu um perfil institucional marcado por:
- Operações de tesouraria com estrutura sofisticada;
- Produtos de renda fixa com remuneração agressiva;
- Carteira de crédito altamente concentrada;
- Estratégias de mercado similares às de bancos médios focados em crescimento acelerado.
A cultura corporativa passou a valorizar expansão e performance comercial, com metas ambiciosas e ênfase em tomada de risco, posicionando-se como alternativa aos grandes bancos tradicionais.
De banco consolidado à crise: 2024–2025
A partir de 2024, autoridades regulatórias começaram a observar, segundo reportagens setoriais, indícios de inconsistências na construção de carteiras de crédito. Em 2025, investigações da Polícia Federal e do Banco Central culminaram na liquidação extrajudicial do Banco Master, após suspeitas de que o banco teria fabricado carteiras de crédito inexistentes, comercializando ativos sem lastro e captando recursos com títulos de alto rendimento.
A liquidação, decretada em novembro de 2025, marcou o fim de uma instituição com mais de 50 anos de história, encerrando um ciclo iniciado em 1974 e reconfigurado por mudanças de estratégia que ampliaram a exposição a riscos.
Ruptura com práticas tradicionais
O histórico do Banco Master evidencia o impacto das transformações do sistema financeiro brasileiro sobre instituições de médio porte. Criado em ambiente regulatório rígido, o banco atravessou crises, adaptou-se a vários planos econômicos e reinventou-se diversas vezes.
Entretanto, a fase recente revela contradição estrutural: uma instituição fundada sob paradigma de prudência tornou-se, nas últimas décadas, um banco de estratégia agressiva, ampliando riscos, concentrando carteiras e apostando em captação com juros muito superiores à média de mercado.
O colapso de 2025 parece demonstrar que a ruptura com práticas tradicionais de governança financeira pode fragilizar instituições historicamente sólidas quando unidas a fiscalização insuficiente e decisões de gestão que priorizaram crescimento rápido em detrimento de estabilidade de longo prazo.
*Com informações da Polícia Federal, Veja, UOL, Folha de S.Paulo, Metrópoles e Estadão.











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