Polícia Federal prende dono do Banco Master, afasta presidente do BRB e Banco Central liquida instituição durante Operação Compliance Zero contra fraudes financeiras

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (18/11/2025) a Operação Compliance Zero, voltada ao combate de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A ação resultou em sete prisões – entre elas a do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em Guarulhos (SP) – e no cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.

As investigações, iniciadas em 2024 a pedido do Ministério Público Federal, apontam para a emissão e comercialização de títulos de crédito falsos por instituições financeiras, prática que teria envolvido a fabricação de carteiras insubsistentes e sua posterior substituição por ativos sem avaliação técnica adequada, conforme fiscalização do Banco Central.

Entre os delitos apurados estão gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Como consequência, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, bloqueou bens de controladores e ex-administradores do grupo e determinou o afastamento do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

A operação é considerada uma das maiores ofensivas recentes contra irregularidades no setor bancário brasileiro.

Prisão de Daniel Vorcaro e impacto no Banco Master

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) na noite de segunda-feira (17/11), quando se preparava para embarcar para os Emirados Árabes. Segundo a PF, havia suspeita de tentativa de fuga. O empresário está detido na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

A defesa de Vorcaro nega que ele estivesse fugindo, alegando que a viagem tinha como objetivo assinar contrato de venda do banco para investidores estrangeiros. Além de Vorcaro, também foi preso Augusto Lima, sócio do Banco Master.

No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Master Corretora, colocando a empresa EFB Regimes Especiais como liquidante. Apenas o Will Bank, integrante do conglomerado, foi preservado devido ao interesse de investidores.

Banco Central oficializa liquidação extrajudicial

O Banco Central do Brasil oficializou nesta terça-feira (18/11) a liquidação extrajudicial da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Imobiliários. A medida foi publicada em comunicado oficial, que designa a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante extrajudicial, com amplos poderes de administração e representação da sociedade. O responsável técnico indicado é Eduardo Felix Bianchini.

Segundo o documento, informações sobre bens ou valores registrados em nome da Master Corretora devem ser encaminhadas diretamente ao liquidante extrajudicial. A decisão ocorre em meio às investigações da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.

Prisão de Daniel Vorcaro e contexto da operação

A liquidação foi anunciada após a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em Guarulhos (SP)

A prisão ocorreu um dia depois da venda de seu empreendimento para a Fictor Holding Financeira. De acordo com os investigadores, a operação policial tem como objetivo combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.

Bens indisponíveis e lista de supostos envolvidos

O comunicado do Banco Central também decretou a indisponibilidade dos bens de controladores e ex-administradores da Master Corretora e empresas relacionadas. Entre os nomes citados estão:

Controladores:

  • Master Holding Financeira S.A.
  • 133 Investimentos e Participações Ltda
  • Armando Miguel Gallo Neto
  • Daniel Bueno Vorcaro
  • Felipe Wallace Simonsen

Ex-administradores:

  • Angelo Antonio Ribeiro da Silva
  • José Ricardo de Queiroz Pereira
  • Luiz Antonio Bull – CPF 964.812.268-72
  • Reinaldo Hossepian Salles Lima
  • Vinicius da Silva Pinto

Afastamento do presidente do BRB e negociações sob investigação

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo por decisão judicial. O banco havia protagonizado negociações para adquirir o Banco Master ao longo de 2025, incluindo a compra de títulos de crédito da instituição de Vorcaro.

A operação da PF também atingiu a sede do BRB em Brasília, ampliando o alcance das investigações. O afastamento de Costa reforça a gravidade das suspeitas sobre a transação entre os dois bancos.

Até o momento, o BRB não se manifestou oficialmente sobre a operação ou sobre o afastamento de seu presidente.

Relevância e desdobramentos

A Operação Compliance Zero expõe fragilidades no sistema de fiscalização e compliance das instituições financeiras brasileiras. O caso evidencia a necessidade de maior rigor na avaliação de ativos e na supervisão de transações entre bancos.

O afastamento de dirigentes e a liquidação de instituições reforçam o impacto da operação no mercado financeiro, podendo gerar instabilidade e desconfiança entre investidores. A ausência de posicionamentos oficiais de alguns envolvidos também abre espaço para questionamentos sobre transparência e governança.

Além disso, o episódio pode servir como precedente para futuras ações regulatórias, ampliando o debate sobre responsabilidade corporativa e credibilidade do sistema bancário nacional.

Principais dados da Operação Compliance Zero

  • Deflagrada em 18/11/2025 pela Polícia Federal com  objetivo de combater emissão de títulos de crédito falsos
  • Mandados cumpridos:
    • 5 prisões preventivas
    • 2 prisões temporárias
    • 25 buscas e apreensões
  • Estados envolvidos: DF, RJ, SP, BA e MG

Prisões e afastamentos

  • Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em Guarulhos (SP)
  • Augusto Lima, sócio do Master, também detido
  • Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, afastado judicialmente

Banco Central

  • Decretou liquidação extrajudicial da Master Corretora
  • Nomeou EFB Regimes Especiais como liquidante
  • Bens de controladores e ex-administradores tornados indisponíveis
  • Apenas o Will Bank foi preservado

Crimes investigados

  • Gestão fraudulenta
  • Gestão temerária
  • Organização criminosa
  • Emissão de carteiras de crédito insubsistentes

*Com informações do UOL, Folha de S.Paulo, Metrópoles e Estadão.

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