O deputado estadual Robinson Almeida (PT) afirmou durante audiência pública na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), que o fortalecimento da cultura popular e da educação pública é o caminho mais eficaz para reduzir a violência e promover inclusão social. O parlamentar foi o proponente do debate “O Museu é a Rua: uma experiência da musealização popular a partir da retomada da Festa do Lixo”, realizado nesta segunda-feira (03/11/2025), com a presença de artistas, gestores culturais e representantes do governo estadual.
Para Robinson Almeida, investir em escolas e espaços culturais deve ser prioridade de governo. Ele destacou que o governador Jerônimo Rodrigues vem entregando escolas de tempo integral equipadas com auditórios e estruturas esportivas que podem funcionar como centros de produção cultural e de convivência.
“Colocar a cultura popular no orçamento público deve ser prioridade. O investimento em escolas e espaços culturais é a resposta que temos de oferecer para combater a violência nas periferias”, afirmou.
O parlamentar, que preside a Comissão de Constituição e Justiça e integra a Comissão de Educação e Cultura da ALBA, defendeu que os equipamentos públicos de ensino e lazer sejam abertos à comunidade nos fins de semana e períodos de recesso escolar, servindo como ambientes de integração e proteção social.
Integração entre secretarias e ocupação dos espaços públicos
Entre os encaminhamentos da audiência, o deputado informou que haverá diálogo com as Secretarias Estaduais de Educação e Cultura para fortalecer a integração entre escolas, espaços culturais e comunidades locais.
“As escolas e centros sociais devem estar abertos à comunidade. Quando um jovem participa de uma roda de capoeira ou de um ensaio do grupo A Pombagem, os pais se sentem aliviados. Isso é prevenção social. Essa é a política que devemos defender como alternativa à barbárie”, destacou.
Robinson também ressaltou o papel de programas como o Educa Mais Bahia, que, segundo ele, podem servir de modelo para ampliar o acesso à cultura e ao esporte como políticas de inclusão e geração de renda.
“Precisamos lutar para que as escolas abram também nas férias, oferecendo oficinas e atividades culturais. Assim criamos oportunidades, geramos renda e colocamos o povo dentro do orçamento público”, concluiu.
Museu Popular e valorização da arte comunitária
O filósofo e integrante do grupo A Pombagem, Fabrício Brito, apresentou o projeto do Museu Popular da Bahia, concebido para preservar e valorizar a imaterialidade das manifestações culturais das periferias.
“Queremos chamar atenção para a dimensão filosófica da arte. O artista não é apenas quem cria estética, mas quem pesquisa e se compromete com o território. O Museu Popular nasceu para musealizar o que é vivido e sentido nas ruas”, afirmou Brito, referindo-se à Festa do Lixo, realizada na Fazenda Grande do Retiro.
Ele destacou ainda que o teatro de rua e outras expressões artísticas comunitárias representam formas legítimas de preservação da memória popular, baseadas em experiências territoriais e não na validação institucional.
“Há uma eficácia simbólica no teatro de rua, porque ele nasce da comunidade. O museu comunitário surge desse desejo de preservar a memória viva do povo”, completou.
Participação institucional e mobilização social
A audiência pública contou com a presença da deputada Olívia Santana (PCdoB), presidente da Comissão de Educação e Cultura; de Amanda Cruz, superintendente de Desenvolvimento Cultural da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA); e de Marcelo Lemos, diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac-BA). Artistas, coletivos culturais e pesquisadores também participaram das discussões, reforçando a importância da cultura popular como instrumento de transformação social e prevenção à violência.
Sustentabilidade orçamentária
A proposta de Robinson Almeida reforça uma visão de política pública integrada, na qual educação e cultura são instrumentos de prevenção e coesão social, não apenas de entretenimento. O conceito de “musealização popular” amplia o entendimento de patrimônio cultural, reconhecendo as manifestações periféricas como parte essencial da identidade baiana. Contudo, a viabilidade dessas medidas dependerá da sustentabilidade orçamentária e da coordenação interinstitucional, fatores que costumam limitar políticas de longo prazo no campo cultural.
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