O deputado federal Jorge Solla (PT/BA) acusou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de agir por “vaidade política” e comprometer a cooperação federativa na área da segurança pública. Em nota divulgada nesta sexta-feira (31/10/2025), o parlamentar afirmou que as declarações do governador goiano “enfraquecem o esforço nacional de integração das forças policiais” e desconsideram os resultados obtidos pela Bahia na redução da violência letal.
Para Solla, Caiado adota uma postura divisionista ao divulgar dados parciais sobre criminalidade e desconsiderar as mortes decorrentes de ações policiais.
“Boa parte dessas mortes não entra na contagem oficial. É fácil mexer nas planilhas; difícil é encarar o que acontece nas ruas”, afirmou.
Resultados e novas políticas de segurança na Bahia
O parlamentar ressaltou que a Bahia tem reduzido as mortes violentas intencionais pelo terceiro ano consecutivo: queda de 6% em 2023, 8,2% em 2024 e 10,2% entre janeiro e outubro de 2025, conforme dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA).
Segundo ele, esse desempenho é fruto de uma política estruturada e de longo prazo, consolidada com o Plano de Atuação Qualificada de Agente do Estado, lançado recentemente pelo governo estadual. A iniciativa inclui formação continuada de agentes, uso ampliado de tecnologia e inteligência policial, atendimento psicológico e o fortalecimento do Policiamento Orientado pela Inteligência (POI) — modelo que integra análise de dados, mapeamento de riscos e ação territorializada.
Integração com o governo federal e o SUSP
Solla destacou que as ações baianas estão alinhadas à estratégia do governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que propôs a PEC 18/2025, destinada a inserir o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal. A medida visa institucionalizar a articulação entre União, estados e municípios, promovendo padronização de dados, interoperabilidade tecnológica e programas integrados de prevenção.
“O país precisa de cooperação e transparência, não de disputas de vaidade. A Bahia investe em inteligência e trabalha de forma articulada com o governo federal. Quem quer combater o crime de verdade faz isso junto, não com ataques políticos”, afirmou o deputado.
Críticas ao discurso de Caiado e implicações políticas
Solla também criticou o tom das declarações de Caiado, classificando-as como “ataques improdutivos” e “contrários ao espírito federativo”. Ele lembrou que o governador de Goiás mantém vínculos históricos com a Bahia, mas tem se distanciado politicamente. “Em vez de buscar parcerias e reconhecer o esforço da Bahia, ele prefere desqualificar e dividir”, afirmou.
A disputa de narrativas entre os dois políticos reflete o embate nacional entre os modelos de segurança pública adotados por governos do PT e do União Brasil. Enquanto Caiado enfatiza o uso da força e a centralização policial, Solla defende uma abordagem baseada em planejamento, tecnologia e integração federativa.
Conflito simbólico entre paradigmas
As declarações de Jorge Solla contra Ronaldo Caiado expõem um conflito simbólico entre dois paradigmas de gestão da segurança pública: o modelo punitivista, centrado na repressão imediata, e o modelo integrado, que privilegia inteligência e cooperação federativa. A Bahia, ao apresentar resultados consistentes de redução da violência, busca reposicionar-se como referência de política pública baseada em dados e planejamento.
Por outro lado, o embate revela como a segurança tornou-se instrumento de disputa política nacional, onde indicadores e discursos são utilizados para reforçar identidades partidárias. Em tempos de polarização e crise institucional, o desafio será preservar a racionalidade técnica e o diálogo federativo — condições essenciais para enfrentar a violência de forma sustentável e democrática.








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