Caso Banco Master: ministro Alexandre de Moraes nega pressão sobre o BC, mas silêncio sobre contrato de R$ 129 milhões amplia controvérsia institucional

Alexandre de Moraes negou pressão sobre o Banco Central no caso Banco Master e afirmou que o escritório de sua esposa não atuou no BC. Contudo, o ministro não explicou o contrato de R$ 129 milhões firmado com o banco, sem comprovação de serviços prestados. O caso envolve fraudes estimadas em R$ 50 bilhões, prisão do controlador, versões conflitantes e questionamentos sobre transparência e legitimidade institucional.
Alexandre de Moraes negou pressão sobre o Banco Central no caso Banco Master e afirmou que o escritório de sua esposa não atuou no BC. Contudo, o ministro não explicou o contrato de R$ 129 milhões firmado com o banco, sem comprovação de serviços prestados. O caso envolve fraudes estimadas em R$ 50 bilhões, prisão do controlador, versões conflitantes e questionamentos sobre transparência e legitimidade institucional.

Na noite de terça-feira, 24/12/2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes divulgou nova nota pública para negar que tenha exercido qualquer tipo de pressão sobre o Banco Central em favor do Banco Master, bem como para afirmar que o escritório de advocacia de sua esposa não atuou no processo de autorização da aquisição do banco pelo BRB. As declarações, contudo, não abordam o contrato de aproximadamente R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Advogados, nem dissipam divergências entre a versão oficial e relatos jornalísticos sobre contatos com a cúpula do sistema financeiro, em um caso que envolve fraudes estimadas em cerca de R$ 50 bilhões e forte impacto sobre o Sistema Financeiro Nacional.

As reuniões com o Banco Central e a versão oficial

Na nova nota, Alexandre de Moraes reconhece a realização de duas reuniões presenciais, em seu gabinete, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Segundo o ministro, os encontros ocorreram em 14 de agosto e em 30 de setembro de 2025 e tiveram como objetivo exclusivo discutir os efeitos da aplicação da Lei Magnitsky sobre o funcionamento do sistema financeiro.

Moraes sustenta que não houve qualquer menção à operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), nega ter realizado ligações telefônicas a Galípolo e afirma que jamais esteve nas dependências do Banco Central. Também ressalta que o escritório de advocacia de sua esposa não atuou junto ao BC ou em qualquer etapa formal da análise regulatória da operação.

Em nota própria, o Banco Central confirmou apenas que manteve reuniões com o ministro para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky, sem detalhar o conteúdo das conversas.

Lei Magnitsky e o contexto internacional

As reuniões ocorreram em meio à aplicação da Lei Magnitsky, legislação norte-americana que impõe sanções financeiras a estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. Em 2025, Moraes e sua esposa chegaram a ser atingidos por medidas restritivas, posteriormente revogadas pelo governo dos Estados Unidos.

Em nota anterior, o ministro informou ter se reunido com dirigentes do Banco do Brasil, Itaú, BTG Pactual, Bradesco, Santander, além de representantes da Febraban e da Confederação Nacional das Instituições Financeiras, para discutir as consequências práticas das sanções, especialmente a manutenção de contas bancárias, cartões de crédito e operações correntes.

Relatos jornalísticos e versões conflitantes

Apesar das negativas formais, reportagens da imprensa nacional apontam uma narrativa distinta. Apuração jornalística revelou que Alexandre de Moraes teria procurado Gabriel Galípolo ao menos quatro vezes, sendo três contatos telefônicos e um encontro presencial, para tratar do andamento da operação envolvendo o Banco Master.

Segundo relatos atribuídos a seis fontes, algumas delas ligadas diretamente ao Banco Central, o ministro teria demonstrado interesse na aprovação do negócio com o BRB e manifestado simpatia pelo controlador do banco. Ainda conforme essas versões, Galípolo teria informado a Moraes que técnicos do BC identificaram fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB, o que inviabilizaria a autorização da operação caso as irregularidades fossem confirmadas.

Prisão do controlador e transferência do inquérito ao STF

A crise do Banco Master ganhou maior dimensão institucional em novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro, controlador da instituição, foi preso pela Polícia Federal no âmbito do inquérito que apura fraudes financeiras de grande escala. Vorcaro permaneceu 12 dias detido e, após sua liberação, a investigação foi remetida ao Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

A transferência do caso ao STF elevou o grau de sensibilidade política e institucional do episódio, dada a proximidade entre investigados, instituições financeiras e membros do Judiciário.

O contrato de R$ 129 milhões e a ausência de comprovação de serviços

Um dos pontos centrais da controvérsia permanece sem esclarecimento na nota de Alexandre de Moraes: o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Advogados, pertencente a Viviane Barci de Moraes. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, totalizando cerca de R$ 129 milhões.

Embora o contrato previsse atuação junto ao Banco Central, à Receita Federal, ao Cade e ao Congresso Nacional, não há comprovação pública de prestação de serviços compatível com o valor contratado. Informações obtidas via Lei de Acesso à Informação indicam que nenhum pedido formal, reunião, petição ou parecer técnico do escritório foi registrado nesses órgãos em favor do Banco Master.

A inexistência de lastro documental para justificar a magnitude financeira do contrato reforça questionamentos sobre sua finalidade, especialmente diante do colapso da instituição e das investigações que apontam fraudes sistêmicas e prejuízos estimados em cerca de R$ 50 bilhões ao Sistema Financeiro Nacional.

Acusações políticas e tese de enriquecimento ilícito

O tema ganhou dimensão política após manifestações da Damares Alves, que afirmou publicamente que, em tese, a situação pode ser enquadrada como enriquecimento ilícito, uma vez que recursos de uma instituição posteriormente identificada como operando em moldes de organização criminosa teriam sido transferidos sem comprovação de contraprestação efetiva.

Segundo a senadora, a combinação entre contrato milionário, ausência de serviços demonstráveis e fraudes de grande impacto sistêmico impõe a necessidade de apuração aprofundada, sob pena de comprometimento da credibilidade institucional e do próprio combate a crimes financeiros.

Acompanhamento do Jornal Grande Bahia e impactos institucionais

O Jornal Grande Bahia vem acompanhando o Caso Banco Master desde seus primeiros desdobramentos, destacando os riscos sistêmicos ao sistema financeiro, a atuação dos órgãos reguladores, a condução das investigações no STF e os potenciais conflitos de interesse que emergem da relação entre agentes públicos, instituições financeiras e contratos privados de alto valor.

As reportagens contextualizam o episódio em um cenário mais amplo de tensão entre Judiciário, sistema financeiro e organismos internacionais, agravado pela inédita aplicação — ainda que temporária — da Lei Magnitsky a um ministro da Suprema Corte brasileira.

Transparência, legalidade e legitimidade institucional

O Caso Banco Master ultrapassa o debate estritamente jurídico e alcança o plano da legitimidade institucional. Ainda que reuniões entre autoridades possam ser formalmente justificadas, a coexistência de versões contraditórias, contratos milionários sem lastro comprovado e investigações por fraudes bilionárias amplia a percepção pública de conflito de interesses.

A ausência de explicações objetivas sobre um contrato de R$ 129 milhões firmado com uma instituição acusada de lesar o Sistema Financeiro Nacional em cerca de R$ 50 bilhões fragiliza a narrativa defensiva e acentua a demanda por transparência plena. Em contextos dessa natureza, a legalidade formal dos atos não é suficiente para preservar a confiança pública.

Por fim, o episódio reafirma o papel central do jornalismo investigativo e da fiscalização técnica dos órgãos reguladores. Em um ambiente de elevada sensibilidade política e financeira, a credibilidade das instituições depende da capacidade de demonstrar independência, rigor e clareza, especialmente quando envolvem membros do mais alto escalão do Estado.

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