O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avalia deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do prazo legal de desincompatibilização, previsto para abril de 2026, e trabalha internamente para que Dario Durigan, atual secretário-executivo da pasta, esteja preparado para assumir o comando do ministério. A possível saída, cogitada para fevereiro, está associada ao encerramento de agendas consideradas centrais por Haddad e à sua intenção de atuar na coordenação da campanha presidencial de Lula em 2026.
De acordo com relatos de auxiliares próximos ao Palácio do Planalto, Fernando Haddad tem manifestado, de forma reservada, a disposição de deixar o Ministério da Fazenda antes do prazo final exigido para ocupantes de cargos públicos que pretendem disputar eleições. A hipótese mais frequente é a de uma saída em fevereiro, embora o próprio ministro tenha afirmado publicamente que isso ocorreria “um pouco antes de março”.
O principal fator apontado para o timing da eventual saída é a materialização de uma das principais medidas de sua gestão, a ampliação da isenção do Imposto de Renda para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil. A política passa a vigorar em janeiro de 2026, com efeitos práticos nos salários percebidos a partir de fevereiro, o que Haddad considera um marco simbólico de encerramento de ciclo.
Procurado para comentar as especulações, o ministro não se manifestou oficialmente. A interlocutores, no entanto, tem afirmado que a decisão está relacionada à sensação de “dever cumprido” após quase três anos à frente da política econômica do governo.
Distanciamento de disputas eleitorais diretas em 2026
Apesar da pressão interna do Partido dos Trabalhadores, Haddad tem reiterado que não pretende disputar cargos eletivos em 2026, seja o governo do Estado de São Paulo ou uma vaga no Senado. Lideranças partidárias, incluindo o presidente do PT, Edinho Silva, defendem que sua candidatura seria estratégica para consolidar um palanque robusto em São Paulo, considerado decisivo para a reeleição de Lula.
Ainda assim, o ministro tem afirmado a aliados que sua contribuição ao projeto político do partido se daria nos bastidores, especialmente na coordenação da campanha presidencial e na elaboração do programa de governo. Nesse papel, avaliaria ser possível defender o legado econômico da atual gestão e atuar como figura central da estratégia eleitoral.
Pesquisas recentes, como a do Datafolha, são citadas por interlocutores para reforçar o argumento de Haddad: durante sua gestão, o percentual de brasileiros que apontavam a economia como principal problema do país caiu de 22% para 11%.
Cenários internos e disputas no PT
A eventual saída de Haddad da Fazenda e sua decisão de não concorrer a cargos eletivos geram tensões internas no PT. Parte da legenda considera que sua ausência das urnas em 2026 representaria uma perda eleitoral significativa, dada sua alta taxa de conhecimento nacional e capacidade de transferência de votos.
Nos bastidores, também surgem especulações sobre outros papéis possíveis para o ministro, como a Casa Civil, atualmente ocupada por Rui Costa, ou até uma composição futura como vice-presidente em uma chapa encabeçada por Lula. Esses cenários, porém, esbarram em arranjos políticos delicados, especialmente na relação com o atual vice, Geraldo Alckmin, e nas disputas internas pela sucessão presidencial no médio prazo.
Durante eventos recentes do campo progressista, Haddad tem sido apontado como figura central nas conversas políticas, o que reforça sua relevância estratégica mesmo fora de uma candidatura direta.
Dario Durigan surge como nome natural para sucessão
Paralelamente à discussão sobre sua saída, Haddad tem preparado o secretário-executivo Dario Durigan como principal nome para assumir o comando da Fazenda. Durigan é hoje um dos principais articuladores políticos do ministério, com atuação direta nas negociações da agenda econômica no Congresso Nacional, especialmente nos temas fiscais.
No cargo desde junho de 2023, Durigan substituiu Gabriel Galípolo, que deixou a secretaria-executiva para assumir funções no Banco Central, onde hoje ocupa a presidência. Desde então, consolidou interlocução com parlamentares e com o Palácio do Planalto, sendo visto como figura-chave na execução das diretrizes econômicas do governo.
A indicação informal de Durigan já teria sido apresentada por Haddad ao presidente Lula, segundo dirigentes do PT, como uma alternativa de continuidade e estabilidade na condução da política econômica.
Transição, cálculo político e continuidade
A possível saída antecipada de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda revela uma combinação de cálculo político e leitura institucional. Ao encerrar sua gestão após a implementação de uma medida simbólica, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, o ministro busca consolidar um legado econômico antes de migrar para a arena eleitoral como estrategista, e não como candidato.
A preparação de Dario Durigan indica uma preocupação com continuidade administrativa em um momento sensível da política econômica, marcado por ajustes fiscais, negociações no Congresso e expectativas do mercado. A escolha de um nome técnico com trânsito político sugere uma tentativa de reduzir ruídos na transição.
Por outro lado, a resistência de Haddad em disputar eleições expõe tensões internas no PT, que carece de quadros competitivos em estados-chave como São Paulo. A decisão final poderá influenciar não apenas a dinâmica da campanha de Lula em 2026, mas também a configuração da sucessão dentro do partido e do próprio governo.
*Com informações da Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo e Revista Veja.











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