A greve nacional dos petroleiros, por tempo indeterminado, teve início à zero hora desta segunda-feira (15/12/2025), com forte adesão em unidades da Petrobrás em todo o país. O primeiro dia do movimento foi marcado por paralisações em plataformas, refinarias e terminais, além de um episódio de repressão policial na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, com a prisão temporária de dirigentes sindicais durante mobilização pacífica.
Na madrugada, a paralisação começou com a entrega da operação de plataformas no Espírito Santo e no Norte Fluminense às equipes de contingência da empresa, seguindo protocolos de segurança. Houve ainda adesão integral dos trabalhadores do Terminal Aquaviário de Coari (AM), evidenciando a capilaridade do movimento desde as primeiras horas.
Às 7h, trabalhadores de seis refinarias vinculadas à Federação Única dos Petroleiros (FUP) deixaram de realizar a troca de turno, procedimento que impede o revezamento regular das equipes e exige o acionamento de contingência. A situação foi registrada nas refinarias Regap (Betim/MG), Reduc (Duque de Caxias/RJ), Replan (Paulínia/SP), Recap (Mauá/SP), Revap (São José dos Campos/SP) e Repar (Araucária/PR), reforçando o caráter nacional e unitário da greve.
Segundo relatos sindicais, o movimento também alcançou terminais de processamento de gás e bases administrativas, com paralisações iniciadas ainda na madrugada ou ao longo da manhã, ampliando o alcance da mobilização.
Pauta da categoria e críticas à gestão
O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, afirmou que a greve foi aprovada quase por unanimidade nas assembleias e tornou-se inevitável diante da falta de diálogo com a gestão da Petrobrás. De acordo com a entidade, há mais de três meses a pauta foi apresentada sem respostas aos três eixos centrais: fim definitivo dos Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs), reconquista de direitos históricos e uma Petrobrás comprometida com a soberania nacional e seus trabalhadores.
Para Sérgio Borges, diretor do Sindipetro-NF e da FUP, o primeiro dia já demonstrou adesão expressiva em diferentes estados, com registros nas plataformas do Norte Fluminense, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, além de paralisações em refinarias e terminais.
No Norte Fluminense, diretores sindicais acompanham as atividades em aeroportos, unidades operacionais, sedes administrativas e áreas portuárias. Nas plataformas, os trabalhadores realizam procedimentos de parada, entrega das unidades e solicitação de desembarque, enquanto os empregados de terra se organizam para a participação contínua no movimento.
Intervenção policial e detenções na Reduc
Em Duque de Caxias, a Polícia Militar interveio em uma mobilização classificada pelos sindicatos como pacífica. Durante a ação, houve uso de força, com spray de pimenta e a detenção de Marcello Bernardo, secretário-geral do Sindipetro Caxias, e de Fernando Ramos, membro titular da CIPA, ambos no exercício de atividades sindicais.
Os dirigentes foram conduzidos à delegacia e liberados por volta das 10h, devendo realizar exame de corpo de delito ainda nesta segunda-feira. A FUP classificou o episódio como abuso de autoridade e violação do direito constitucional de greve, reiterando repúdio a qualquer tentativa de criminalização do movimento sindical.
Eixos centrais da greve e reivindicações
A greve se estrutura em três eixos principais: distribuição justa da riqueza gerada pela Petrobrás, fim dos PEDs da Petros e reconhecimento da pauta do Brasil Soberano, com suspensão de desinvestimentos e demissões no setor de Exploração e Produção (E&P).
A categoria reivindica respeito e dignidade, defendendo um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) robusto, que recupere direitos retirados em governos anteriores, assegure condições dignas para trabalhadores próprios e terceirizados, e apresente solução definitiva para os equacionamentos da Petros.
Vigília de aposentados e pensionistas
Paralelamente à greve, aposentados e pensionistas mantêm, pelo quinto dia consecutivo, uma vigília em frente ao Edisen, edifício-sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro. O ato cobra proposta concreta para o fim dos PEDs, apontados como responsáveis por perdas financeiras severas, sobretudo entre aposentados e pensionistas.
Assim como a greve, a vigília seguirá por tempo indeterminado, até que a empresa apresente respostas efetivas às reivindicações.








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