A greve nacional dos trabalhadores do Sistema Petrobrás, iniciada à zero hora desta segunda-feira (15/12/2025), registrou forte adesão em todas as regiões do país e resultou na paralisação total ou parcial de unidades consideradas estratégicas para a produção e logística de petróleo, gás e derivados. O movimento atinge refinarias, plataformas offshore, campos terrestres, unidades de processamento de gás, terminais e subsidiárias, com impacto direto na rotina operacional da estatal.
De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a paralisação ocorre principalmente por meio da não rendição de turno, estratégia em que as equipes que deveriam assumir as operações não se apresentam, impedindo a continuidade regular das atividades. Sem a troca de turnos, diversas unidades passam a operar em regime de contingência ou ficam parcialmente paralisadas, reduzindo a capacidade produtiva.
No primeiro dia da greve, a mobilização envolveu trabalhadores dos regimes de turno e administrativo, incluindo petroleiros em confinamento offshore, evidenciando a abrangência nacional do movimento e o grau de articulação da categoria.
Refinarias e unidades industriais atingidas
A paralisação alcançou seis refinarias localizadas em diferentes estados. Em Minas Gerais, a Refinaria Gabriel Passos (Regap) operou sem rendição de turno. No Rio de Janeiro, a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) também foi afetada. Em São Paulo, registraram adesão a Refinaria de Paulínia (Replan), a Refinaria de Capuava (Recap) e a Refinaria Henrique Lage (Revap). No Paraná, a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) teve funcionamento comprometido pela greve.
Além das refinarias, houve paralisação na Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas (UTGCAB), em Macaé (RJ), e na Estação de Compressão da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), em Paulínia (SP), que permanece totalmente parada, ampliando os impactos sobre o escoamento e processamento de gás natural.
Essas unidades são consideradas estratégicas para o abastecimento nacional, o que eleva a relevância do movimento e amplia a pressão sobre a gestão da Petrobrás para a retomada das negociações.
Plataformas offshore e produção terrestre
A greve também alcançou 14 plataformas da Bacia de Campos, no Norte Fluminense, com desembarques já registrados nas unidades PGP-1, PNA-2, P-09, P-19, P-25, P-35, P-38, P-40, P-43, P-48, P-51, P-54, P-56 e P-62. Além dessas, duas plataformas localizadas no Espírito Santo também foram incluídas no balanço do primeiro dia do movimento.
Nos campos de produção terrestre, houve adesão total na Bahia, atingindo diretamente a extração onshore. Unidades da Transpetro, da TBG, da Petrobras Biocombustível (PBio) e o Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas, registraram 100% de adesão dos trabalhadores da operação.
No Rio Grande do Norte, a sede administrativa da Petrobrás em Natal teve cerca de 90% de adesão, demonstrando que o movimento extrapola as áreas operacionais e alcança também o setor administrativo da empresa.
Adesão de profissionais da saúde e denúncias de repressão
No Espírito Santo, a paralisação incluiu 100% dos médicos e dentistas que prestam atendimento às bases da categoria, ampliando o alcance funcional da greve e reforçando a mobilização integrada dos diferentes segmentos do quadro de pessoal.
A FUP denunciou ainda atos de repressão e truculência ocorridos na Refinaria Duque de Caxias (Reduc). Segundo a federação, dirigentes sindicais foram presos de forma arbitrária durante o exercício do direito constitucional de greve, sendo liberados após horas de detenção. A entidade afirma que os episódios configuram violação às garantias legais e sindicais.
As denúncias repercutiram entre organizações sindicais e reforçaram o caráter político e institucional do conflito entre trabalhadores e a gestão da estatal.
Apoio das centrais sindicais e reivindicações da categoria
A greve conta com apoio público de todas as centrais sindicais brasileiras, que criticam a proposta apresentada pela Petrobrás para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo as entidades, a oferta é considerada insuficiente diante dos lucros e dividendos registrados pela companhia nos últimos anos.
Entre as principais reivindicações estão o aumento real dos salários, a preservação de direitos históricos, o fim definitivo dos planos de equacionamento do déficit da Petros e a retomada de uma política de valorização dos trabalhadores.
Para as lideranças sindicais, a mobilização também expressa a defesa de uma Petrobrás com papel estratégico no desenvolvimento nacional, alinhada à soberania energética e à valorização do seu corpo técnico.
Ato unificado na Refinaria Duque de Caxias
Nesta terça-feira (16), os petroleiros realizam um ato unificado em frente à Refinaria Duque de Caxias (Reduc). A mobilização tem como objetivo repudiar os episódios de repressão, defender o direito de greve e pressionar a empresa a apresentar uma proposta que contemple as reivindicações centrais da categoria.
O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, afirmou que a paralisação seguirá por tempo indeterminado até que haja avanços concretos nas negociações. Segundo ele, o movimento busca garantir direitos, segurança operacional e uma política empresarial comprometida com os trabalhadores e com o interesse nacional.
Na mesma linha, Sérgio Borges, coordenador-geral do Sindipetro-Norte Fluminense e da FUP, destacou que a greve é uma resposta à ausência de avanços nas negociações e ressaltou a unidade da categoria em todo o país, observando os procedimentos legais e organizativos.








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