O ministro da Casa Civil, Rui Costa, apresentou nesta quarta-feira (17/12/2025), durante reunião ministerial, um balanço abrangente das ações do Governo do Brasil ao longo de 2025 e do triênio da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando resultados sociais, econômicos, educacionais, energéticos e de saúde considerados históricos pelo Executivo federal .
Ao abrir a exposição, Rui Costa afirmou que a prioridade central do governo permanece sendo a melhoria da qualidade de vida da população, com foco especial na redução das desigualdades sociais. Segundo o ministro, a retomada de políticas de proteção social resultou em impactos mensuráveis na renda e na redução da pobreza.
De acordo com os dados apresentados, a renda per capita média do país cresceu 4,9%, enquanto, entre os mais pobres, o crescimento alcançou 13,2%, evidenciando um avanço mais acelerado nas camadas de menor renda. No período entre 2022 e 2024, cerca de 9 milhões de brasileiros saíram da pobreza e mais de 13 milhões deixaram a extrema pobreza, números utilizados pelo ministro para reforçar a orientação social da atual gestão .
Rui Costa também destacou a aprovação da medida que isenta do Imposto de Renda pessoas com renda mensal de até R$ 5 mil, beneficiando mais de 15 milhões de contribuintes, como parte de uma estratégia de redistribuição tributária voltada à maioria da população.
Saúde pública e ampliação do acesso a especialistas
No campo da saúde, o ministro apresentou os resultados do programa Agora Tem Especialistas, criado para reduzir filas e ampliar o acesso a atendimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa integra estruturas públicas e privadas e prioriza áreas como oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia.
Segundo os números divulgados, 14 milhões de procedimentos foram realizados em 2025, representando um aumento de 37% nas cirurgias eletivas em relação a 2022. O balanço inclui mais de 150 mil atendimentos em mutirões de hospitais universitários, 17,5 mil atendimentos em comunidades indígenas, 1,2 milhão de cirurgias oftalmológicas e 3 milhões de mamografias. A política de telessaúde também foi destacada, com 6 milhões de teleatendimentos em quase 3 mil municípios .
Emprego, renda e crescimento econômico
Outro eixo central da apresentação foi o mercado de trabalho. Rui Costa afirmou que o Brasil atingiu, em outubro de 2025, a menor taxa de desemprego da série histórica, com 5,4%, além de um recorde de quase 103 milhões de pessoas ocupadas, considerando vínculos formais e informais.
O ministro associou a queda do desemprego ao crescimento da renda do trabalhador e da massa salarial, que alcançou o maior patamar da história. Segundo ele, o salário real acumulou crescimento próximo de 8%, com impacto direto sobre o consumo e a atividade econômica, reforçando a dinâmica de expansão do mercado interno.
CNH acessível e redução de custos para a população
Rui Costa também destacou o lançamento da CNH do Brasil, programa que moderniza o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. A iniciativa busca democratizar o acesso ao documento, especialmente para pessoas de baixa renda, reduzindo etapas burocráticas e custos.
De acordo com o governo, a modernização pode resultar em redução de até 80% no custo da CNH, que em alguns estados chega a cerca de R$ 5 mil. O ministro afirmou que mais de 20 milhões de brasileiros demonstram interesse no programa, evidenciando uma demanda reprimida histórica pelo alto custo do processo tradicional.
Expansão do comércio exterior e abertura de mercados
Na área econômica externa, o ministro ressaltou a abertura de mais de 500 novos mercados internacionais para produtos brasileiros entre 2023 e 2025, mais que o dobro do registrado no período de 2019 a 2022. Segundo Rui Costa, a ampliação da presença internacional resultou em US$ 3,4 bilhões adicionais em exportações agropecuárias, fruto da atuação conjunta dos ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores.
Energia, gás de cozinha e redução do custo de vida
O balanço incluiu políticas voltadas à redução do custo de vida, especialmente nas áreas de energia elétrica e gás de cozinha. O programa Luz do Povo garante isenção da conta de energia para famílias de baixa renda, beneficiando cerca de 60 milhões de brasileiros inscritos no Bolsa Família que consomem até 80 kWh por mês.
Além disso, a partir de janeiro de 2026, o benefício será ampliado para 18 milhões de pessoas com renda per capita entre meio e um salário mínimo, que passarão a contar com descontos na conta de luz.
No caso do gás de cozinha, o programa Gás do Povo prevê a recarga gratuita do botijão de 13 kg para famílias em situação de vulnerabilidade. Segundo Rui Costa, 248 mil famílias já retiraram o benefício até 14 de dezembro, com meta de alcançar 1 milhão de famílias inicialmente e mais de 15 milhões até março de 2026, quando o programa estará plenamente implementado.
Educação, permanência escolar e expansão do ensino integral
Na educação, o ministro destacou o programa Pé-de-Meia, voltado à permanência de estudantes no ensino médio, com impacto na redução da evasão escolar e no aumento das inscrições no Enem. A iniciativa beneficia cerca de 6 milhões de jovens, com incentivo financeiro de até R$ 3 mil ao longo dos três anos.
Rui Costa também mencionou a criação da Universidade Federal do Esporte, em Brasília, e da Universidade Federal Indígena, voltada à formação de indígenas em diversas áreas profissionais.
Outro destaque foi a expansão da Escola de Tempo Integral, que registrou um acréscimo de quase 12 milhões de novas matrículas, equivalente a 46 mil salas de aula, representando um crescimento de 30% em relação a 2022. Segundo o ministro, a política deverá continuar em expansão em 2026, com expectativa de melhora no desempenho educacional.
Retomada do papel do Estado
O balanço apresentado por Rui Costa ocorre em um momento estratégico do mandato, às vésperas do último ano de governo, e busca consolidar uma narrativa de retomada do papel do Estado na promoção do desenvolvimento social e econômico. Os dados reforçam a centralidade das políticas de transferência de renda, emprego e serviços públicos na estratégia do Executivo.
Apesar dos indicadores positivos destacados, permanecem desafios estruturais, como a sustentabilidade fiscal de programas amplos e a necessidade de manter crescimento econômico em um cenário internacional instável. A ampliação de benefícios sociais e subsídios exige coordenação rigorosa com a política econômica para evitar pressões sobre o orçamento público.
Do ponto de vista institucional, a apresentação reforça a aposta do governo em políticas clássicas de inclusão social e investimento público, em linha com experiências anteriores do próprio presidente Lula. O discurso também antecipa o tom que deverá marcar 2026, com ênfase na defesa de resultados concretos como base para a continuidade do projeto político.











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