O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou, nesta quinta-feira (18/12/2025), um vídeo ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para saudar o novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. O anúncio ocorre após a saída de Celso Sabino, que deixou a pasta em meio à pressão do União Brasil e a rearranjos políticos no Congresso Nacional, em um momento de tensão na relação entre o Palácio do Planalto e a Câmara.
No vídeo divulgado nas redes sociais, Hugo Motta afirmou sentir-se contemplado com a escolha do conterrâneo paraibano. Segundo o presidente da Câmara, Gustavo Feliciano reúne atributos pessoais e políticos para contribuir com o governo federal, destacando sua confiança na atuação do novo ministro. A manifestação pública reforça a leitura de que a nomeação extrapola critérios técnicos e assume papel relevante na recomposição da base parlamentar.
Antes da definição, Lula tratou diretamente do tema com Hugo Motta em conversa telefônica. Gustavo Feliciano mantém relação próxima com o presidente da Câmara, e sua família possui histórico de alianças políticas na Paraíba, estado onde o PT tradicionalmente registra desempenho eleitoral expressivo. O gesto presidencial, portanto, dialoga tanto com o Congresso quanto com a estratégia regional do governo.
Perfil do novo ministro e vínculos familiares
Gustavo Feliciano é filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB), vice-líder do governo Lula na Câmara, e de Lígia Feliciano, ex-vice-governadora da Paraíba durante a gestão de Ricardo Coutinho (PSB). A indicação consolida um núcleo político paraibano no entorno do Ministério do Turismo e reforça o papel do Legislativo na composição do primeiro escalão.
Nas redes sociais, Hugo Motta voltou a parabenizar o novo ministro e afirmou que o “cargo está com o ministro de Estado certo”. Em publicação, destacou a vocação turística da Paraíba e associou a experiência regional de Feliciano à promoção internacional do turismo brasileiro, reforçando o discurso de valorização federativa adotado pelo governo.
Contexto da saída de Celso Sabino
A nomeação ocorre após a confirmação da saída de Celso Sabino, anunciada na quarta-feira (17/12/2025). Sabino deixou o ministério depois de o União Brasil reivindicar formalmente a vaga na pasta, movimento que expôs fissuras na relação entre o governo e a legenda. Expulso do partido por permanecer no cargo, Sabino afirmou que retornará ao mandato de deputado federal e pretende disputar uma vaga ao Senado em 2026.
Segundo o ex-ministro, a decisão foi tomada após reunião com lideranças do União Brasil e com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Apesar do afastamento, Sabino declarou que seguirá apoiando o governo e atribuiu os resultados positivos do setor turístico às orientações diretas do presidente Lula, citando como exemplo a condução de projetos estratégicos ligados à COP30, realizada no Pará.
Estratégia do Planalto e relação com o Congresso
A troca no Ministério do Turismo acontece em um momento sensível para o governo, marcado pelo desgaste com a Câmara após a aprovação de projetos considerados sensíveis ao Executivo, como o PL da Dosimetria. Ao anunciar Gustavo Feliciano ao lado de Hugo Motta, Lula sinaliza disposição para recompor pontes com a liderança da Câmara e com setores do União Brasil, partido que, mesmo sem apoio formal ao governo, mantém três ministérios.
De acordo com apuração da imprensa, há ainda articulações envolvendo Damião Feliciano, que pode disputar uma vaga ao Senado com apoio do presidente da República. A movimentação reforça a leitura de que a reforma ministerial cumpre função dupla: reorganizar a base aliada e projetar cenários eleitorais futuros.
Posse e expectativas para a gestão
No vídeo institucional, que contou também com a presença de Gleisi Hoffmann, de Damião Feliciano e do deputado Juscelino Filho, ex-ministro das Comunicações, Lula afirmou esperar que o novo titular do Turismo construa uma “biografia nacional de bons serviços prestados ao país”. O presidente destacou confiança, autonomia e dedicação como pilares da nova gestão.
Em resposta, Gustavo Feliciano afirmou que não faltarão empenho, esforço, dedicação e trabalho à frente da pasta. A expectativa do governo é manter a agenda de promoção internacional do turismo, fortalecer eventos estratégicos e preservar a interlocução com estados e municípios, especialmente em regiões consideradas prioritárias do ponto de vista eleitoral e econômico.
Articulação política e pragmatismo governamental
A nomeação de Gustavo Feliciano evidencia, mais uma vez, o caráter eminentemente político da ocupação de ministérios estratégicos no presidencialismo de coalizão brasileiro. O gesto público ao lado de Hugo Motta não é fortuito: trata-se de uma sinalização explícita à Câmara dos Deputados em um momento de relações tensionadas e de votações decisivas para o governo.
O episódio também expõe a fragilidade da coesão partidária no União Brasil, legenda que, embora formalmente afastada do governo em alguns momentos, segue ocupando espaços relevantes na Esplanada. A saída de Celso Sabino, associada à sua projeção eleitoral para 2026, revela como ministérios continuam sendo utilizados como instrumentos de negociação política.
Por fim, a escolha reforça a estratégia recorrente do Planalto de valorizar aliados regionais em estados-chave do Nordeste, onde Lula mantém capital político significativo. Resta observar se a recomposição simbólica com a Câmara se converterá em maior estabilidade legislativa ou se se limitará a um ajuste circunstancial no tabuleiro do poder.











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