O ex-secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba Gustavo Feliciano foi indicado pelo União Brasil para assumir o Ministério do Turismo, após a saída de Celso Sabino. De perfil discreto e com atuação concentrada no cenário político paraibano, Feliciano tem trajetória ligada à gestão estadual e forte inserção familiar na política, fatores que pesaram na escolha em um contexto de reorganização da base do governo no Congresso Nacional.
Anunciado em 2018, Gustavo Feliciano integrou o primeiro escalão do governo do então recém-eleito João Azevêdo (PSB), assumindo a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba no início do mandato. Sua permanência no cargo se estendeu até dezembro de 2021, período marcado pela consolidação de políticas de promoção turística e articulação com o setor produtivo local.
A saída da secretaria ocorreu após o rompimento político de sua mãe, Lígia Feliciano, então vice-governadora, com o governador João Azevêdo. O episódio evidenciou o peso das alianças familiares e partidárias na dinâmica política estadual e encerrou a passagem de Gustavo Feliciano pelo Executivo paraibano.
Durante sua gestão, Feliciano manteve atuação predominantemente técnica e institucional, com baixa exposição pública nacional. Fora da Paraíba, seu nome permaneceu pouco conhecido, característica que se reflete também em sua presença digital.
Perfil discreto e baixa exposição pública
Diferentemente de outros quadros políticos em ascensão, Gustavo Feliciano adota postura reservada. Em redes sociais, especialmente no Instagram, reúne pouco mais de três mil seguidores, com publicações esporádicas voltadas majoritariamente a registros familiares e memórias do período em que esteve à frente da secretaria estadual.
A discrição pública é apontada por aliados como traço pessoal, mas também como estratégia política, preservando sua imagem em um ambiente marcado por disputas internas e rearranjos partidários. Esse perfil contrasta com o caráter eminentemente político de sua indicação ao ministério.
Vínculos familiares e inserção no União Brasil
Gustavo Feliciano é filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB) e de Lígia Feliciano, médica e ex-vice-governadora da Paraíba. Damião Feliciano exerce atualmente mandato na Câmara dos Deputados (2023–2027), atua como vice-líder do governo Lula e coordena a Bancada Negra da Casa, além de defender pautas como a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil.
Lígia Feliciano, por sua vez, após passagem pelo Executivo estadual, ocupa atualmente cargo de diretora de departamento de aquisição de alimentos no Ministério do Desenvolvimento Social. O núcleo familiar reforça a conexão direta de Gustavo Feliciano com o Congresso e com setores estratégicos do governo federal.
Indicação ao ministério e contexto político
A escolha de Gustavo Feliciano ocorre após a confirmação da saída de Celso Sabino, que deixou o Ministério do Turismo em meio à pressão interna do União Brasil para retomar o controle da pasta. Expulso da legenda por permanecer no cargo, Sabino anunciou retorno ao mandato parlamentar e sinalizou intenção de disputar o Senado em 2026.
O anúncio oficial foi feito pelo presidente Lula em vídeo divulgado nas redes sociais, ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A presença de Motta e o tom da manifestação pública reforçaram a leitura de que a nomeação atende a uma estratégia de recomposição política com a Câmara dos Deputados, em momento de desgaste nas relações entre o Planalto e o Legislativo.
Antes da definição, Lula tratou diretamente do tema em conversa telefônica com Hugo Motta, com quem Gustavo Feliciano mantém relação próxima. A escolha também dialoga com a importância eleitoral e política da Paraíba, estado onde o presidente mantém histórico de forte apoio.
Expectativas para a gestão no Turismo
Ao anunciar o novo ministro, Lula afirmou esperar que Gustavo Feliciano construa uma “biografia nacional de bons serviços prestados ao país”, destacando confiança, autonomia e dedicação como diretrizes para a nova gestão. Em resposta, Feliciano declarou compromisso com empenho e trabalho à frente da pasta.
A expectativa do governo é de continuidade na agenda de promoção internacional do turismo, fortalecimento de eventos estratégicos e manutenção do diálogo com estados e municípios. O desafio central será conciliar essa agenda com o papel político que a pasta assume no atual desenho do presidencialismo de coalizão.
Perfil técnico, indicação política
A indicação de Gustavo Feliciano sintetiza uma lógica recorrente da política brasileira: a conjugação entre experiência administrativa regional e capital político familiar. Embora possua passagem relevante pelo Executivo estadual, sua projeção nacional decorre menos de um histórico técnico amplo no setor e mais de sua inserção no tabuleiro parlamentar.
O gesto público de Lula ao lado do presidente da Câmara evidencia que a nomeação extrapola critérios administrativos e se insere diretamente na estratégia de recomposição da base governista. O Ministério do Turismo, mais uma vez, cumpre papel de moeda política em um cenário de instabilidade legislativa.
Por outro lado, o perfil discreto de Feliciano pode funcionar como elemento de moderação em uma pasta frequentemente exposta a disputas partidárias. Resta observar se a gestão conseguirá imprimir agenda própria ou se permanecerá condicionada às demandas do Congresso e às negociações eleitorais em curso.








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