O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, participaram, nesta quarta-feira, 01/07/2026, em Vera Cruz, do ato que marcou o início oficial das obras do Sistema Rodoviário Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, empreendimento estimado em R$ 11,6 bilhões e integrado ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento — Novo PAC. Com 12,4 quilômetros de extensão, acessos viários em Salvador, nova via expressa na Ilha de Itaparica e intervenções na BA-001, o projeto deverá beneficiar aproximadamente 10 milhões de pessoas em mais de 250 municípios, reduzir deslocamentos entre a capital e o Baixo Sul, criar cerca de 7 mil empregos e ampliar as conexões turísticas, comerciais e logísticas do estado.
Ministro aponta impacto da ponte sobre o turismo baiano
Durante a cerimônia, Gustavo Feliciano afirmou que a ligação rodoviária poderá transformar a dinâmica econômica e turística da Bahia ao encurtar distâncias e facilitar o acesso de visitantes à Ilha de Itaparica, ao Recôncavo Baiano, ao Baixo Sul e à Costa do Dendê.
Na avaliação do ministro, o empreendimento deverá funcionar como um novo corredor de circulação para turistas brasileiros e estrangeiros, aproximando Salvador de destinos que atualmente dependem das travessias marítimas ou de percursos rodoviários mais extensos.
“Essa ponte será um divisor de águas, porque vai conectar milhões de turistas nacionais e internacionais a uma região lindíssima da Bahia”, afirmou Gustavo Feliciano.
A projeção considera não somente a redução do tempo de viagem, mas também a possibilidade de integração entre diferentes roteiros turísticos. Salvador, reconhecida como uma das principais portas de entrada do turismo no Nordeste, passará a dispor de uma conexão terrestre direta com a Ilha de Itaparica e com municípios localizados ao longo da BA-001.
A Ilha de Itaparica reúne praias, piscinas naturais, manifestações culturais, comunidades tradicionais e construções relacionadas à história colonial brasileira. A nova infraestrutura poderá ampliar a circulação de visitantes por cidades como Itaparica, Vera Cruz, Nazaré, Valença, Cairu, Taperoá, Camamu e municípios inseridos nos roteiros da Costa do Dendê.
Atualmente, a mobilidade entre Salvador e a ilha depende principalmente do sistema ferry-boat, que transporta passageiros e veículos entre os terminais de São Joaquim e Bom Despacho, e das lanchas rápidas que operam entre a capital e Mar Grande. De janeiro a maio de 2026, as duas modalidades teriam movimentado aproximadamente 3,42 milhões de usuários. Em 2025, o fluxo informado chegou a 7,49 milhões de passageiros.
Investimento reúne recursos federais, estaduais e privados
O orçamento estimado de R$ 11,6 bilhões está distribuído entre três fontes. O Governo Federal deverá aportar R$ 3 bilhões, o Governo da Bahia participará com aproximadamente R$ 3,1 bilhões e a concessionária responsável pelo empreendimento ficará encarregada de cerca de R$ 5,5 bilhões.
A participação federal está vinculada ao Novo PAC, enquanto os recursos estaduais e privados integram a estrutura econômico-financeira da Parceria Público-Privada — PPP. A divisão dos aportes busca viabilizar a execução da obra, distribuir responsabilidades financeiras e garantir a futura operação e manutenção do sistema.
A Ponte Salvador–Itaparica foi projetada como parte de um sistema rodoviário mais amplo. O empreendimento não se limita à estrutura sobre a Baía de Todos-os-Santos, mas inclui acessos urbanos, túneis, viadutos, uma variante rodoviária na ilha e intervenções destinadas a integrar a nova ligação à malha estadual.
Em Salvador, os acessos deverão conectar a ponte à região do Terminal Marítimo de São Joaquim, à Via Expressa Baía de Todos-os-Santos e às avenidas Jiquitaia e Engenheiro Oscar Pontes. Em Vera Cruz, a estrutura chegará à região da Gameleira, de onde partirá uma nova via expressa destinada a contornar áreas urbanizadas de Mar Grande.
O sistema também prevê a recuperação e a ampliação de trechos da BA-001, desde a nova variante até as proximidades da cabeceira da Ponte do Funil, na região de Cacha Pregos. O objetivo é permitir que o fluxo proveniente de Salvador avance em direção ao Recôncavo, ao Baixo Sul e ao litoral sul sem depender integralmente das rotas atualmente utilizadas.
Projeto deverá reduzir deslocamentos e criar novo corredor logístico
Quando concluída, a ligação deverá reduzir em aproximadamente duas horas o deslocamento entre Salvador e localidades do Baixo Sul. A estimativa oficial é de que cerca de 28 mil veículos por dia utilizem o novo sistema.
Além dos automóveis particulares e dos veículos relacionados ao turismo, a ponte deverá receber ônibus intermunicipais, caminhões e transportes destinados ao abastecimento de Salvador e de outros centros urbanos. O efeito esperado é a criação de uma alternativa para o escoamento da produção agropecuária e industrial do interior baiano.
Durante o evento, Lula afirmou que a Bahia necessita de uma nova rota para o transporte das riquezas produzidas no estado. Segundo o presidente, a ponte poderá contribuir para o desenvolvimento regional ao oferecer um caminho mais curto entre áreas produtoras, a Região Metropolitana de Salvador e instalações portuárias.
“A Bahia precisa de outro escoamento da riqueza produzida aqui, e se optou por fazer essa ponte”, declarou Lula.
Jerônimo Rodrigues destacou que cargas provenientes do Oeste da Bahia, entre elas grãos, algodão e frutas, poderão economizar até 200 quilômetros, conforme a origem, o destino e o itinerário adotado. Essa redução deverá produzir efeitos sobre o consumo de combustível, o tempo de viagem e os custos logísticos.
A efetivação dessas projeções dependerá, entretanto, da integração da ponte às rodovias que estruturam o transporte estadual, especialmente a BA-001, a BR-101 e as conexões com a região oeste. Também será necessário avaliar a capacidade dos acessos urbanos de Salvador para absorver o volume adicional de veículos sem criar novos pontos de congestionamento.
Ponte terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos
A estrutura principal terá 12,4 quilômetros, dimensão que deverá colocá-la como a maior ponte da América Latina construída sobre o mar, segundo a classificação adotada pelo Governo da Bahia. O projeto prevê quatro faixas de circulação e um trecho estaiado destinado a garantir a continuidade da navegação na Baía de Todos-os-Santos.
O vão central estaiado terá aproximadamente 682 metros de extensão e altura suficiente para permitir a passagem de embarcações de grande porte. Essa solução foi incorporada ao projeto para preservar o tráfego marítimo, as atividades portuárias e a circulação de navios que utilizam a baía.
A execução exigirá operações simultâneas em terra e no mar, além da utilização de plataformas, embarcações de apoio, guindastes, tubos de aço, estruturas metálicas, equipamentos de perfuração e sistemas especializados para fundações em águas profundas.
Nesta fase inicial, mais de 300 profissionais já atuam nos três canteiros implantados para a execução do projeto. Também foram mobilizadas mais de 4,7 mil toneladas de equipamentos e materiais, enquanto 27 empresas brasileiras foram contratadas para fornecer máquinas, estruturas, insumos e serviços.
A mobilização envolve bases operacionais em Salvador, Vera Cruz e São Roque do Paraguaçu, no município de Maragogipe. O estaleiro localizado no Recôncavo deverá desempenhar papel central na fabricação, no armazenamento e no transporte de componentes utilizados durante a construção.
PPP terá pedágio e operação privada por 29 anos
O empreendimento é executado por meio de uma Parceria Público-Privada entre o Governo da Bahia e a Concessionária Sistema Rodoviário Ponte Salvador–Ilha de Itaparica. A sociedade concessionária reúne empresas dos grupos chineses China Communications Construction Company — CCCC e China Civil Engineering Construction Corporation — CCECC.
O contrato original foi assinado em 12/11/2020. Após negociações destinadas ao reequilíbrio econômico-financeiro do projeto, o primeiro termo aditivo foi celebrado em 04/06/2025, com mediação do Tribunal de Contas do Estado da Bahia — TCE-BA.
A revisão considerou mudanças nas condições macroeconômicas ocorridas após a contratação, entre elas o aumento dos custos da construção civil, a elevação das taxas de juros e o encarecimento do capital. O acordo permitiu reorganizar o cronograma, atualizar obrigações e restabelecer as condições para a execução da obra.
De acordo com o cadastro oficial das PPPs da Bahia, o prazo contratual atualmente vai de 04/06/2025 a 03/06/2060. A fase de implantação compreende seis anos contados da assinatura do aditivo, enquanto a operação e a manutenção deverão permanecer sob responsabilidade da concessionária por 29 anos.
A previsão divulgada pelo Governo da Bahia estabelece junho de 2031 como prazo final para a entrega do sistema. Depois da conclusão, a infraestrutura será operada por meio de cobrança de pedágio, cujas receitas deverão contribuir para a manutenção, a segurança viária e o funcionamento permanente da ligação.
Desenvolvimento exige proteção ambiental e controle da ocupação urbana
A implantação da ponte deverá alterar a dinâmica econômica e territorial da Ilha de Itaparica. O aumento da acessibilidade tende a estimular investimentos imobiliários, empreendimentos turísticos, atividades comerciais e novos projetos de infraestrutura.
Durante a cerimônia, Lula e Jerônimo defenderam medidas destinadas a impedir que a valorização imobiliária resulte na expulsão de moradores, na ocupação desordenada de áreas ambientais ou na descaracterização das comunidades tradicionais.
O governador afirmou que o desenvolvimento associado à ponte deverá ser acompanhado por políticas de proteção ambiental, planejamento urbano e defesa da população residente. Segundo Jerônimo, a obra possui aval do Estado, mas precisa avançar com atenção ao meio ambiente e às condições de vida das comunidades insulares.
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos — Inema emitiu os atos necessários ao início das intervenções, incluindo a Licença de Implantação, a autorização para supressão de vegetação nativa, a autorização para manejo de fauna e medidas compensatórias relacionadas às áreas afetadas.
Os documentos estabelecem condicionantes, programas de monitoramento e medidas de controle que deverão ser executadas durante as diferentes etapas da obra. O cumprimento dessas exigências será acompanhado pelos órgãos estaduais responsáveis pelo licenciamento e pela fiscalização ambiental.
A ampliação da população flutuante e a possível chegada de novos moradores também deverão aumentar a pressão sobre abastecimento de água, esgotamento sanitário, mobilidade, habitação, saúde, educação e coleta de resíduos. Por essa razão, os efeitos da ponte dependerão de políticas públicas que ultrapassam a construção da estrutura rodoviária.
Linha do tempo da Ponte Salvador–Itaparica
12 de novembro de 2020 — Assinatura do contrato: o Governo da Bahia e o consórcio vencedor formalizaram o contrato de concessão para construção, operação e manutenção do Sistema Rodoviário Ponte Salvador–Ilha de Itaparica.
2021 a 2024 — Estudos, sondagens e negociações: o projeto atravessou etapas de elaboração técnica, licenciamento, sondagens marítimas e discussões relacionadas ao equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Abril de 2025 — Conclusão das sondagens: após aproximadamente 12 meses de trabalho, foram concluídas as investigações geotécnicas na Baía de Todos-os-Santos, incluindo perfurações em grandes profundidades para análise do solo marinho.
Fevereiro de 2025 — Homologação da conciliação: o TCE-BA homologou a proposta de entendimento entre o Governo da Bahia e a concessionária para permitir a continuidade do empreendimento.
4 de junho de 2025 — Assinatura do termo aditivo: Estado e concessionária formalizaram a revisão contratual, reorganizando o cronograma e as condições financeiras do projeto.
17 de setembro de 2025 — Cronograma apresentado: o Governo da Bahia informou que as obras seriam iniciadas em 2026 e definiu junho de 2031 como prazo previsto para a conclusão do sistema.
Abril a junho de 2026 — Mobilização dos canteiros: equipamentos, estruturas metálicas, máquinas e embarcações foram deslocados para as bases operacionais em Salvador, Vera Cruz e Maragogipe.
15 de junho de 2026 — Autorização das obras em terra: o governador Jerônimo Rodrigues autorizou o início das intervenções terrestres em Vera Cruz, após a emissão da Licença de Implantação.
1º de julho de 2026 — Marco inicial da construção: Lula, Jerônimo Rodrigues, Gustavo Feliciano e outras autoridades participaram, em Vera Cruz, do ato simbólico relacionado à primeira estaca e ao início oficial da fase de construção.
Junho de 2031 — Entrega prevista: o cronograma oficial estabelece o prazo para conclusão da ponte, dos acessos viários, da variante rodoviária e das intervenções previstas na BA-001.
Agenda federal inclui entrega da nova etapa do Teatro Castro Alves
Após participar da cerimônia em Vera Cruz, o ministro Gustavo Feliciano seguiu para Salvador, onde integrou, ao lado de Lula e de autoridades estaduais, a programação de entrega da terceira e última etapa da reforma do Teatro Castro Alves — TCA.
O Ministério do Turismo anunciou a destinação de R$ 1,9 milhão para a construção da estrutura metálica do Edifício Lâmina, componente do complexo destinado a ampliar a mobilidade e a acessibilidade do público.
A intervenção no teatro supera R$ 260 milhões e abrange restauro, modernização tecnológica, ampliação de espaços, acessibilidade, segurança e sustentabilidade. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — Iphan, o TCA abriga a Orquestra Sinfônica da Bahia e o Balé Teatro Castro Alves.
A presença do ministro nas duas agendas associou os investimentos em infraestrutura rodoviária e cultura a uma estratégia de fortalecimento do turismo. Enquanto a ponte deverá ampliar a circulação entre destinos, o Teatro Castro Alves reforça a oferta de equipamentos culturais capazes de atrair visitantes e movimentar a economia criativa de Salvador.








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